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Quaest: Moro amplia vantagem e lidera disputa ao governo do Paraná

Sergio Moro amplia a vantagem e lidera a corrida ao governo do Paraná, segundo pesquisa Quaest divulgada nesta segunda-feira (27/4). O senador aparece à frente em todos os cenários de primeiro e segundo turno para as eleições de 2026.

Moro se isola na dianteira e vira referência da disputa

O levantamento, feito com 1.104 eleitores entre 21 e 25 de abril, mostra que Moro consolida a posição de favorito na sucessão estadual. No principal cenário de primeiro turno, com seis pré-candidatos, o senador do PL registra 35% das intenções de voto. Requião Filho (PDT) marca 18%, e o ex-prefeito de Curitiba Rafael Greca (MDB) aparece com 15%.

Os indecisos somam 18%, enquanto 7% dos entrevistados afirmam que pretendem votar em branco, anular o voto ou não comparecer às urnas. A margem de erro é de três pontos percentuais, para mais ou para menos, com nível de confiança de 95%.

Em um segundo cenário, com menos nomes na disputa, Moro amplia a distância. O senador chega a 42% das intenções de voto, contra 24% de Requião Filho. Na sequência, surgem Sandro Alex (PSD), com 6%, e Luiz França (Missão), com 2%. Nesse recorte, 17% dos eleitores se declaram indecisos, e 9% dizem que devem votar em branco, nulo ou se abster.

Os números reforçam a transformação de Moro em polo próprio da eleição paranaense. O ex-juiz da Lava-Jato, que entrou na política sob forte identificação com o lavajatismo e o bolsonarismo, agora testa um discurso de maior autonomia local, em sintonia com o desejo do eleitorado por um nome visto como independente.

Preferência por independência desafia alianças tradicionais

A pesquisa Quaest indica que a força de Moro não se explica apenas pelo recall da operação que o projetou nacionalmente. O estudo revela mudança mais ampla no humor do eleitor paranaense em relação às estruturas partidárias e aos alinhamentos presidenciais.

Para 44% dos entrevistados, o ideal é um governador que não esteja diretamente ligado nem ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) nem ao ex-presidente Jair Bolsonaro (PL). Outros 34% preferem um aliado de Bolsonaro, e 17% optariam por alguém próximo a Lula. Esse recado complica a vida de candidaturas ancoradas apenas na bênção de Brasília.

O atual governador, Ratinho Junior (PSD), segue bem avaliado e conserva peso na sucessão. Segundo a Quaest, 64% dos eleitores afirmam que ele “merece eleger um sucessor que indicar”. Na prática, porém, o dado convive com a demanda por um perfil independente, o que cria um equilíbrio delicado para os palanques em formação. Apoio de Ratinho pode ser decisivo, mas não parece suficiente se o nome escolhido for percebido como mero representante de um campo ideológico nacional.

As simulações de segundo turno reforçam a vantagem de Moro. Contra Requião Filho, o senador tem 49% das intenções de voto, ante 30% do pedetista. Em um confronto com Rafael Greca, o placar fica em 44% a 29%. Em disputa com Sandro Alex, a diferença é ainda maior: 51% a 15%. Em todos os cenários testados, Moro abre frente confortável, mesmo considerando a margem de erro.

O estudo também mede a rejeição dos pré-candidatos, fator-chave nesta fase da pré-campanha. Requião Filho lidera nesse quesito, com 47% dos eleitores dizendo que não votariam nele de jeito nenhum. Moro aparece com 37% de rejeição, e Rafael Greca, com 33%. Sandro Alex registra 13%, Luiz França tem 7% e Tony Garcia soma 22%. Os índices limitam o espaço de crescimento de parte dos concorrentes e ajudam a explicar por que a liderança do senador se mantém estável mesmo em cenários com menos dispersão de votos.

Corrida por espaço e reflexos além das fronteiras do estado

Os resultados da Quaest redesenham o tabuleiro paranaense a pouco mais de dois anos da eleição. A vantagem de Moro tende a forçar uma reorganização das alianças, tanto entre seus adversários quanto entre partidos que ainda tateiam qual palanque subir.

Requião Filho, herdeiro de um sobrenome tradicional da política do Paraná, enfrenta a combinação de desempenho mediano nas intenções de voto e rejeição alta. O cenário pressiona o PDT a calibrar o discurso e a buscar novas pontes com segmentos hoje mais próximos de Moro, como parte do eleitorado conservador urbano e de nichos do agronegócio, que têm peso decisivo na economia estadual.

Rafael Greca, que governa Curitiba com perfil desenvolvimentista e apoio de setores empresariais, aparece em terceiro lugar e vê a janela para se viabilizar como alternativa afunilar. O MDB, partido ao qual é filiado, passa a ser disputado por diferentes campos, já que seu tempo de TV e sua capilaridade municipal interessam tanto a candidaturas mais alinhadas a Lula quanto a projetos próximos do bolsonarismo.

O crescimento da preferência por um perfil independente também tem potencial para afetar os acordos nacionais de 2026. Um eventual governo Moro no Paraná, sustentado por base heterogênea e sem amarras explícitas a Lula ou Bolsonaro, pode virar exemplo para outras disputas estaduais. O movimento interessa a legendas de centro que testam caminhos próprios fora da polarização clássica.

Nos bastidores, dirigentes partidários avaliam que a consolidação de Moro fortalece o PL no Sul e amplia o cacife do senador em negociações sobre palanques presidenciais. Um desempenho robusto no Paraná, com vitória no primeiro ou no segundo turno, colocaria o ex-juiz em posição estratégica para influenciar a escolha de candidatos nacionais e a formação de uma frente de direita e centro-direita.

Estratégias em revisão e perguntas para 2026

A fotografia atual da Quaest não encerra a disputa, mas define o ponto de partida da pré-campanha. As siglas adversárias de Moro devem intensificar a busca por narrativas que o apresentem como candidato de um campo definido, tentando reduzir sua margem de manobra como nome “independente”. Ao mesmo tempo, será preciso avaliar se ataques frontais ao senador não acabam reforçando a identidade de outsider que ainda seduz parte do eleitorado.

A equipe de Moro, por sua vez, tende a explorar a dianteira para atrair apoios regionais e consolidar uma imagem de gestor moderado, capaz de dialogar com bases distintas. A disputa interna no campo conservador, incluindo o papel de Bolsonaro nessa equação, seguirá como variável central até a formação oficial das chapas em 2026.

O próximo ano eleitoral dirá se a preferência atual por um perfil independente resiste ao peso das estruturas partidárias, do tempo de TV e da máquina estadual. A principal dúvida que permanece é se o eleitor do Paraná manterá o distanciamento dos alinhamentos nacionais quando a campanha estiver nas ruas ou se voltará a se abrigar sob as bandeiras tradicionais de Brasília.

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