Quaest: 80% dos paranaenses aprovam gestão Ratinho Junior
Oito em cada dez paranaenses aprovam hoje a gestão de Ratinho Junior à frente do governo do Paraná, indica pesquisa Quaest divulgada em 27 de abril de 2026. Só 13% dizem desaprovar o trabalho do governador, que decidiu abandonar planos nacionais para concluir o segundo mandato no Palácio Iguaçu.
Avaliação em alta e foco no Paraná
O levantamento, feito pela Quaest, referência em estudos de opinião, confirma a força política do governador no estado em um momento de redefinição de rota. Após flertar com a disputa pela Presidência em 2026, Ratinho Junior recua da ambição nacional e anuncia que permanece dedicado integralmente ao governo paranaense até dezembro, quando termina o atual mandato. A decisão vem amparada por índices raros na política recente do país.
Com 80% de avaliação positiva, Ratinho Junior se consolida como um dos governadores mais bem avaliados do Brasil. A pesquisa mede a percepção do eleitor sobre o conjunto da administração, da infraestrutura às políticas sociais, e indica um ambiente de confiança em relação ao rumo do estado. A desaprovação de 13% revela um núcleo crítico minoritário, mas estável, enquanto o grupo que não sabe ou não responde completa o quadro da opinião pública.
Gestão bem avaliada e efeitos políticos
Os números abrem espaço para diferentes leituras no tabuleiro político. No plano local, o resultado fortalece a base governista e tende a criar um ambiente de maior estabilidade na Assembleia Legislativa, crucial para aprovação de projetos em ano pré-eleitoral. Prefeitos e lideranças regionais, atentos ao humor do eleitorado, veem na popularidade do governador um escudo e, ao mesmo tempo, uma vitrine para alianças em 2026 e além.
Para o eleitor comum, a aprovação elevada traduz, em grande medida, a percepção de que a máquina pública funciona com alguma previsibilidade. A Quaest associa o desempenho à combinação de investimentos em infraestrutura, programas sociais de alcance estadual e indicadores econômicos que, segundo analistas, colocam o Paraná entre as economias mais dinâmicas da região Sul. “O índice de 80% é um patamar de conforto político raro e sinaliza forte aderência entre governo e sociedade”, avalia, em caráter reservado, um cientista político ouvido pela reportagem.
A trajetória até esse cenário passa por duas vitórias consecutivas ao governo e pela construção de uma imagem de gestor pragmático, que dialoga com o agronegócio, o setor industrial e o eleitorado urbano das grandes cidades. Desde o primeiro mandato, iniciado em 2019, Ratinho Junior aposta em obras de grande visibilidade, como rodovias e intervenções urbanas, e na defesa de um ambiente favorável a negócios, com redução de burocracia e incentivos a novos investimentos.
No campo social, programas de transferência de renda estadual e ações na área de educação e segurança pública são frequentemente citados em discursos oficiais como vitrines da administração. A pesquisa não detalha a aprovação por setor, mas o saldo geral indica que, para a maioria dos paranaenses, o balanço entre serviços prestados e problemas cotidianos pende hoje a favor do governo.
Quem ganha com a decisão e o que muda na prática
A escolha de abandonar a corrida presidencial altera o xadrez político nacional, mas tem efeito imediato sobretudo dentro das fronteiras do Paraná. Aliados avaliam que o recuo reduz o nível de conflito político no estado e protege a imagem construída ao longo de quase oito anos de mandato. “Ao ficar, o governador reforça o compromisso com a entrega de obras e projetos já anunciados”, diz um integrante do núcleo político do governo.
Na prática, a permanência afasta o risco de um fim de mandato esvaziado, cenário comum quando governadores deixam o cargo para disputar a Presidência ou a vice. Secretarias estratégicas mantêm o planejamento original até dezembro, e prefeitos seguem contando com a caneta do governador em ano de pré-campanha municipal. Setores econômicos, especialmente o agronegócio e a indústria exportadora, veem na estabilidade política um ativo em meio a um ambiente nacional de incertezas fiscais e disputa eleitoral acirrada.
Adversários, por outro lado, perdem um alvo em potencial no debate nacional, mas mantêm espaço para críticas locais. Questões como a qualidade do transporte público nas grandes cidades, o ritmo de geração de empregos formais e a pressão sobre serviços de saúde ainda alimentam o discurso da oposição. Com 13% de desaprovação, esse grupo é minoritário, mas pode ganhar relevância caso a economia desacelere ou promessas de campanha sigam sem resposta visível para parte da população.
O alto índice de aprovação funciona também como capital político de longo prazo. Mesmo fora da disputa imediata pela Presidência, Ratinho Junior se coloca como nome viável para ciclos posteriores, seja liderando uma aliança nacional, seja influenciando diretamente a escolha de candidatos ao Planalto que busquem apoio no Sul. A Quaest registra, assim, não apenas um retrato do presente, mas um sinal de que o governador entra na reta final do mandato em posição privilegiada para negociar seu futuro.
Reta final do mandato e cenário em aberto
Com o fim do segundo mandato marcado para dezembro de 2026, o governo corre contra o relógio para entregar obras estruturantes e consolidar programas que sustentam a popularidade atual. A manutenção dos 80% de aprovação depende de fatores como a execução orçamentária neste e no próximo ano, a capacidade de manter investimentos em infraestrutura e a resposta a eventuais crises climáticas que atinjam o agronegócio, pilar da economia paranaense.
Nos bastidores, aliados discutem como transformar o prestígio atual em legado político duradouro, seja na escolha de um sucessor competitivo, seja na construção de uma ponte segura para o cenário nacional após 2026. A Quaest, ao registrar 80% de aprovação e 13% de desaprovação, dá a medida do tamanho da expectativa que cerca os próximos passos do governador. A pergunta que permanece é se a popularidade atual resistirá às pressões econômicas e ao calendário eleitoral que se aproxima, ou se este é o auge de um ciclo que começa a se encerrar.
