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Vitor Roque operará tornozelo e desfalca Palmeiras até depois da Copa

Vitor Roque sofre lesão grave na sindesmose do tornozelo esquerdo e vai passar por cirurgia após exames nesta sexta-feira (24). Atacante do Palmeiras fica fora dos gramados até depois da Copa do Mundo de 2026.

Queda no Allianz muda a temporada do atacante

O relógio marcava 15 minutos de jogo no Allianz Parque quando a noite de Vitor Roque desanda. Perto da bandeira de escanteio, o camisa 9 protege a bola, sente o contato de Vicente Reis e cai gritando de dor. O árbitro marca a falta, mostra o cartão amarelo ao adversário, enquanto o atacante permanece no chão, imóvel, cercado pelos companheiros.

O semblante de Vitor se transforma rapidamente. Ele leva as mãos ao tornozelo esquerdo, o mesmo que o havia tirado de combate semanas antes, e já parece saber que algo está fora do lugar. A maca entra em campo, o estádio silencia e o atacante deixa o gramado chorando, sob aplausos de uma torcida que passa do susto à apreensão em poucos segundos.

Horás depois, os exames realizados pelo departamento médico do Palmeiras confirmam o que o gesto do jogador já sugeria. O clube informa uma “lesão da sindesmose do tornozelo esquerdo”, região formada pelos ligamentos que unem tíbia e fíbula, responsáveis por estabilizar a articulação. Em termos simples, trata-se de um conjunto de estruturas que mantêm o tornozelo firme a cada arranque, giro ou salto.

A avaliação interna aponta a necessidade de intervenção cirúrgica, caminho considerado mais seguro para uma recuperação completa. Nos bastidores, a comparação é imediata. A lesão é a mesma do lateral Piquerez, que se machuca em amistoso com a seleção uruguaia na última Data Fifa e também precisa de cirurgia. O tempo de recuperação do defensor serve de referência para o caso do atacante.

Desfalque pesado em ano de Copa e calendário cheio

O impacto esportivo é imediato. Vitor Roque soma 18 partidas na temporada, 11 como titular, com seis gols marcados e uma assistência. No período, o Palmeiras acumula 15 vitórias, dois empates e apenas uma derrota, números que ajudam a dimensionar o peso do atacante no funcionamento ofensivo da equipe.

O jogo contra o Jacuipense marca o retorno de Vitor ao time titular justamente após outra lesão no mesmo tornozelo esquerdo. O atacante deixa o Allianz Parque com proteção na região, em imagem que sintetiza a frustração de quem tenta retomar ritmo às vésperas de um dos anos mais carregados do calendário recente. A cirurgia agora interrompe qualquer sequência e empurra seu recomeço para o pós-Copa.

A ausência prolongada mexe com o planejamento da comissão técnica. O Palmeiras perde uma referência de mobilidade no ataque, jogador capaz de atacar espaços, pressionar a saída de bola e definir jogadas em poucos toques. A comissão passa a redesenhar o setor ofensivo, com mais espaço para alternativas do elenco e, inevitavelmente, mais pressão sobre quem entra.

A lesão também ecoa fora do clube. Em ano de Copa do Mundo, qualquer problema físico com jogadores em ascensão ganha outra dimensão. O afastamento até depois do Mundial praticamente retira Vitor Roque do radar imediato da seleção principal, ainda que mantenha viva a expectativa de retomada em alto nível na sequência da temporada europeia de 2026/27, caso se confirme eventual transferência futura.

O episódio ocorre em meio a um ambiente já tenso para o Palmeiras. No mesmo dia, a CBF divulga os áudios do VAR de lances anulados a favor do time no duelo contra o Jacuipense, e o STJD reduz a pena do goleiro Hugo Souza, retirando a perda de mando de campo em clássico diante do Corinthians. O noticiário que cerca o clube, do tribunal ao gramado, reforça a sensação de que cada detalhe pesa na condução da temporada.

Recuperação longa, espaço no elenco e dúvidas no horizonte

Os médicos trabalham com uma perspectiva semelhante à de Piquerez, que só volta a ficar à disposição após a Copa. O prazo, embora não seja divulgado oficialmente em dias, costuma variar entre três e cinco meses para esse tipo de lesão na sindesmose, dependendo da resposta individual e da evolução na fisioterapia. O clube adota discurso de cautela para evitar expectativas irreais.

O período fora dos gramados abre disputa interna por vaga. Atacantes que vinham saindo do banco passam a brigar por minutos e responsabilidade. A comissão técnica testa variações de esquema, ora com um centroavante mais fixo, ora com linha de frente mais leve, enquanto busca compensar os seis gols que saem de cena com a lesão de Vitor. O desempenho recente do time indica capacidade de adaptação, mas o nível de exigência nas fases decisivas dos torneios não permite margem ampla para erro.

A trajetória de recuperação passa por etapas bem definidas. Depois da cirurgia, Vitor inicia fase de imobilização e, em seguida, tratamento para recuperar a mobilidade do tornozelo. A transição para o campo costuma ser a última etapa, quando o jogador já suporta mudanças bruscas de direção, saltos e contatos mais fortes, sem dor e sem perda de força. Cada avanço exige testes e liberações médicas sucessivas.

A torcida observa à distância e tenta equilibrar ansiedade e paciência. A lembrança de outros casos semelhantes, como o de Piquerez, ajuda a calibrar expectativas. O lateral volta a treinar em alto nível após meses de ausência e se torna exemplo interno de que o caminho é longo, mas viável. O desafio para Vitor será atravessar esse período sem novos contratempos e resistir à tentação de acelerar o retorno.

A temporada do Palmeiras segue, as competições não esperam e o mercado observa. O clube se vê diante da obrigação de manter competitividade sem um de seus principais atacantes, enquanto o jogador encara a lesão mais séria da carreira em pleno 2026. A resposta virá em duas frentes: da comissão técnica, na capacidade de reinventar o time, e de Vitor Roque, na forma como voltará a pisar no Allianz Parque depois da Copa.

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