Suspeitos de matar irmãos em bar na Pampulha são presos em BH
Dois homens são presos suspeitos de participar do ataque a tiros que mata os irmãos Abraão Isaque Ferreira, 35, e Moisés Elias Ferreira, 38, no Bar do Dedinho, na Pampulha, em Belo Horizonte. O crime ocorre na noite do feriado de Tiradentes, em 21 de abril de 2026, e deixa outras quatro pessoas feridas.
Feriado termina em tiroteio e correria na Avenida Guarapari
A noite de 21 de abril começa como muitas outras na Avenida Guarapari, ponto tradicional de bares no Bairro Santa Amélia, Região da Pampulha. Mesas cheias, transmissão de jogos e o movimento típico de um feriado prolongado compõem o cenário no Bar do Dedinho até que uma sequência de disparos interrompe a rotina e transforma o ambiente em rota de fuga.
Imagens de câmeras de segurança mostram dois homens chegando a pé pela Rua Sinfonia, que cruza a avenida. Eles se aproximam do bar e abrem fogo com uma pistola de calibre 9 milímetros. Em poucos segundos, o que era conversa de fim de noite vira gritos, gente se jogando no chão, cadeiras tombadas e copos quebrados.
Abraão e Moisés, sentados à mesa, são atingidos. Um deles morre ali mesmo, entre as mesas e o balcão. O outro chega a ser socorrido ao Hospital Risoleta Neves, na Região Norte, mas não resiste aos ferimentos. A perícia da Polícia Civil recolhe 13 cápsulas no chão e não consegue precisar quantos tiros acertam as vítimas.
Quatro frequentadores, que nada têm a ver com a disputa que motiva o ataque, também são baleados. Eles sofrem ferimentos no pé, coxa, ombro e costas e são levados ao Hospital Risoleta Neves e ao Hospital Belo Horizonte. Em meio à confusão, clientes correm para a rua, se abrigam em veículos e em outros estabelecimentos. Muitos deixam o bar sem pagar a conta.
Uma testemunha que estava na mesma mesa dos irmãos relata aos policiais o susto e o desespero. “Eu só ouvi muitos tiros. Me abaixei e saí correndo. Não vi quem atirou”, diz. Outros depoimentos colhidos na noite do crime repetem a mesma cena: barulho intenso, correria, nenhuma chance de identificar os atiradores.
Suspeita de ligação com tráfico em Venda Nova orienta investigação
As primeiras horas da investigação apontam para uma motivação ligada ao tráfico de drogas. Informações preliminares da Polícia Militar indicam que Abraão seria o alvo do ataque. Ele teria envolvimento com o comércio ilegal de entorpecentes na Região de Venda Nova, na zona norte de Belo Horizonte.
Antes de ser executado, Abraão publica nas redes sociais que está no Bar do Dedinho. O registro, que exibe o clima descontraído do feriado, serve também para cravar a sua localização. Investigadores avaliam se essa exposição facilita a ação dos executores, que chegam ao local com alvo definido e pouco tempo de permanência.
A dinâmica do crime, com dois suspeitos chegando a pé, executando disparos rápidos e fugindo em seguida, reforça a hipótese de ataque planejado. O uso de pistola 9 mm, arma de uso restrito por muitos anos e hoje presente em arsenais do crime organizado, acende o alerta entre policiais sobre o nível de organização do grupo envolvido.
Com a identificação preliminar dos suspeitos pelas imagens de segurança e cruzamento de informações de inteligência, equipes da PM conseguem localizar e prender dois homens apontados como envolvidos no duplo homicídio. A corporação marca coletiva de imprensa para a sexta-feira, 24 de abril, às 8h, para divulgar detalhes da operação, da motivação do crime e do histórico dos detidos.
A rapidez na prisão traz algum alívio para moradores e comerciantes da Pampulha, que convivem com o barulho constante da vida noturna, mas não estão acostumados a cenas de execução em plena avenida. A sensação de que a violência ligada ao tráfico, mais comum em áreas periféricas e de maior vulnerabilidade, alcança redutos de lazer da classe média altera a percepção de segurança na região.
Nos bastidores, policiais civis e militares tratam o caso como ponto sensível no mapa da criminalidade de Belo Horizonte. O ataque cruza duas áreas estratégicas para a segurança pública: a avenida de bares na Pampulha, vitrine da cidade para quem vive e para quem visita, e a Região de Venda Nova, que há anos concentra disputas de grupos ligados ao tráfico.
Bar tenta se reerguer enquanto moradores cobram segurança
Dois dias depois do tiroteio, o Bar do Dedinho tenta reorganizar a rotina. Vídeos divulgados nas redes sociais do estabelecimento convocam clientes que estavam no local no momento do ataque para voltar e acertar as contas deixadas para trás na correria. A campanha busca reduzir o prejuízo financeiro em uma semana já marcada pela tragédia.
Funcionários relatam que dezenas de comandas ficam em aberto após a fuga generalizada na noite de terça-feira. O episódio expõe outra face da violência: além de mortos, feridos e traumas, bares e restaurantes da região lidam com perda de faturamento, cancelamento de reservas e queda no movimento em uma das datas mais lucrativas do calendário de bares.
Moradores da Pampulha e frequentadores da Avenida Guarapari usam redes sociais para cobrar reforço no policiamento, especialmente em fins de semana e feriados prolongados. A avenida, que concentra dezenas de bares em poucos quarteirões, já registra confusões relacionadas a brigas, furtos e embriaguez ao volante. Uma execução em pleno feriado, registrada por câmeras de segurança, eleva o patamar de preocupação.
Autoridades da segurança pública prometem intensificar operações na região e reforçar a vigilância sobre pontos de disputa do tráfico em Venda Nova. Investigadores trabalham para mapear a participação de outros envolvidos, identificar quem ordena o ataque e apurar se há relação com outros homicídios recentes na capital mineira.
A coletiva marcada pela Polícia Militar deve detalhar o perfil dos presos, as circunstâncias da captura e o andamento das diligências. O Ministério Público e a Polícia Civil acompanham o caso, que pode servir de base para novas ações contra grupos armados que atravessam regiões da cidade e levam disputas locais para áreas de grande circulação.
Enquanto famílias enterram os irmãos mortos no Bar do Dedinho e as quatro vítimas feridas se recuperam, o bairro tenta voltar à normalidade. A investigação precisa responder não só quem atirou, mas até que ponto a capital está preparada para conter a expansão de uma violência que já não respeita fronteiras entre periferia e cartão-postal.
