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Trump prorroga cessar-fogo entre Israel e Líbano por 3 semanas

Donald Trump anuncia nesta quinta-feira (23) a prorrogação por três semanas do cessar-fogo entre Israel e Líbano, em meio à escalada contra o Irã e à disparada do petróleo. O acordo surge enquanto combates continuam no sul do Líbano e navios são apreendidos no estreito de Ormuz, eixo vital do comércio global de energia.

Casa Branca tenta segurar fronteira e mercado de petróleo

No Salão Oval, Trump recebe representantes de alto escalão dos dois países e decide estender o cessar-fogo, que ameaça ruir com o avanço dos confrontos entre Israel e o Hezbollah. O presidente dos EUA define a reunião como “verdadeiramente histórica” e promete trabalhar “para ajudar o Líbano a se proteger do Hezbollah”, milícia xiita apoiada pelo Irã.

A decisão ocorre em 23 de abril de 2026, num ambiente em que qualquer erro de cálculo na fronteira norte de Israel pode arrastar a região para uma nova guerra. No sul do Líbano, ataques e contra-ataques seguem diários. Um bombardeio israelense perto da cidade de Nabatieh mata três pessoas, segundo o Ministério da Saúde libanês, enquanto o Hezbollah reivindica três ações distintas contra tropas israelenses dentro do território libanês.

Trump divulga o anúncio na Truth Social e cita a presença do vice-presidente, JD Vance, do secretário de Estado, Marco Rubio, e dos embaixadores Mike Huckabee, em Israel, e Michel Issa, no Líbano. Ele afirma que espera receber, em breve, o primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu, e o presidente libanês, Joseph Aoun, em encontros separados na Casa Branca.

Washington tenta, ao mesmo tempo, conter o fogo cruzado na fronteira e preservar um frágil caminho diplomático mais amplo, que inclui discussões indiretas com Teerã. O Irã vê o cessar-fogo no Líbano como condição essencial para qualquer entendimento de paz abrangente com EUA e Israel, tema que avança lentamente desde o início da guerra, no fim de fevereiro.

Escalada em Ormuz pressiona energia e amplia risco de guerra

Enquanto Trump fala em paz no Mediterrâneo oriental, a outra frente do conflito se desloca para o estreito de Ormuz, por onde passa cerca de um quinto do petróleo consumido no planeta. Navios dos dois lados são apreendidos nos últimos dias, com acusações mútuas de violações às regras impostas para o uso da rota marítima.

Forças iranianas dizem ter detido dois cargueiros perto do estreito na quarta-feira. Trump reage com nova ordem à Marinha dos EUA: “atirar e destruir qualquer embarcação, por menor que seja, que esteja lançando minas no Estreito de Ormuz”. “Não deve haver hesitação”, escreve o republicano na Truth Social, num recado direto a Teerã e à Guarda Revolucionária.

Os preços do petróleo voltam a ultrapassar a marca de US$ 100 por barril. Os valores da energia disparam desde o fim de fevereiro, quando Estados Unidos e Israel lançam ataques conjuntos contra o Irã e Teerã responde, na prática, fechando a passagem estratégica. Washington reage com um bloqueio naval que impede dezenas de navios de entrar ou sair de portos iranianos.

O aperto em Ormuz funciona como termômetro da crise. Cada apreensão de navio ou ordem militar dada por Trump se reflete em alta imediata nas cotações internacionais. Países europeus e asiáticos, grandes importadores de petróleo do Golfo, pressionam em privado por uma saída negociada que estabilize o fluxo de navios-tanque.

Em Israel, o clima também endurece. O ministro da Defesa, Israel Katz, afirma que o país está “pronto” para retomar a guerra em larga escala contra o Irã e diz aguardar o sinal verde da Casa Branca para “fazer o Irã retornar à Idade da Pedra”. A fala ecoa ameaças anteriores de Trump e reforça a percepção de que o cessar-fogo no Líbano ainda está longe de ser sinônimo de paz regional.

Três semanas para testar diplomacia e mercados

A prorrogação de três semanas cria uma janela curta e frágil para a diplomacia. Nesse período, negociadores tentam transformar um acordo de armas caladas na fronteira em algo mais robusto, capaz de envolver Irã, Estados Unidos e Israel na mesma mesa, ainda que por canais indiretos.

O Hezbollah indica, na prática, que não pretende baixar completamente as armas. O grupo mantém ataques pontuais contra posições israelenses no sul do Líbano e continua a se apresentar como principal linha de defesa contra Israel, apoiado por Teerã. Para o governo libanês, manter o cessar-fogo é vital para evitar uma devastação semelhante à vivida em guerras anteriores, em 2006 e em conflitos posteriores na região.

Economias dependentes de petróleo acompanham cada movimento com atenção. Se o cessar-fogo ajudar a reduzir a temperatura com o Irã, há espaço para alívio gradual nos preços, hoje acima dos US$ 100. Se a escalada em Ormuz continuar, empresas e consumidores em todo o mundo podem enfrentar combustível mais caro, inflação mais resistente e mais instabilidade em mercados já sensíveis.

Trump tenta se equilibrar entre o discurso de força e a necessidade de resultados diplomáticos concretos. A Casa Branca apresenta a reunião com Israel e Líbano como “histórica” e promete novos encontros em breve, mas oferece poucos sinais públicos de que Washington e Teerã estejam dispostos a retomar negociações de paz de fato.

As próximas três semanas mostram se o cessar-fogo na fronteira norte de Israel é o início de uma descompressão mais ampla no Oriente Médio ou apenas uma pausa tática em direção a um confronto maior. A rota de navios em Ormuz, o preço do barril e o ritmo dos ataques no sul do Líbano ajudam a dar a resposta.

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