Quaest mostra empate técnico entre Lula e Flávio em cenário de 2º turno
Pesquisa Genial/Quaest divulgada nesta quarta-feira, 15, mostra Flávio Bolsonaro numericamente à frente de Luiz Inácio Lula da Silva em simulação de segundo turno em 2026, mas em empate técnico. O levantamento também indica liderança do petista no primeiro turno e rejeição elevada aos dois principais nomes da disputa.
Flávio encosta em Lula e acirra a polarização
O senador Flávio Bolsonaro, do PL do Rio, aparece com 42% das intenções de voto em um eventual segundo turno contra Lula, que marca 40%. A diferença de dois pontos está dentro da margem de erro da pesquisa, também de dois pontos percentuais, o que coloca os dois em situação de empate técnico. Brancos e nulos somam 16%, e 2% dos entrevistados dizem ainda não saber em quem votariam.
O resultado, colhido entre os dias 9 e 13 de abril com 2.004 brasileiros de 16 anos ou mais, consolida a polarização entre PT e PL na corrida presidencial de 2026. O levantamento, encomendado pela Genial Investimentos e realizado pela Quaest, está registrado no Tribunal Superior Eleitoral sob o número BR-09285/2026 e tem índice de confiança de 95%.
No primeiro turno, Lula segue na dianteira. No cenário estimulado, em que os nomes dos pré-candidatos são apresentados ao eleitor, o presidente aparece com 37% das intenções de voto. Flávio Bolsonaro vem em segundo lugar, com 32%. Os dois concentram quase sete em cada dez votos, esvaziando o espaço das demais candidaturas e reforçando a leitura de uma disputa marcada por dois polos bem definidos.
Ronaldo Caiado, ex-governador de Goiás e pré-candidato do PSD, registra 6%. Romeu Zema, do Novo, tem 3%. Augusto Cury, do Avante, aparece com 2%, mesmo percentual de Renan Santos, da Missão. Cabo Daciolo, do Mobiliza, e Samara Martins, da UP, marcam 1% cada. Aldo Rebelo, do DC, não pontua. Brancos e nulos somam 11%, enquanto 5% dos entrevistados ainda estão indecisos.
Na pesquisa espontânea, quando o instituto não apresenta uma lista de nomes, Lula mantém a dianteira e acumula 19% das citações. Flávio Bolsonaro registra 13%. Outros nomes somam 5%, e o ex-presidente Jair Bolsonaro, hoje inelegível e em prisão domiciliar, é lembrado por 1% dos entrevistados. O dado que mais chama atenção, porém, é o volume de indecisos: 62% ainda não sabem dizer em quem pretendem votar.
Rejeição alta limita espaço de Lula e Flávio
O avanço de Flávio nas simulações de segundo turno vem acompanhado de um movimento consistente nas últimas rodadas. Em fevereiro, o senador tinha 38% contra 43% de Lula em um cenário direto entre os dois. Em março, reduziu a distância e chegou a 41%, empatado numericamente com o presidente, que também marcava 41%. Agora, o quadro se inverte, com o filho do ex-presidente Jair Bolsonaro em 42% e o petista em 40%.
A trajetória mostra tendência de alta para Flávio e de queda para Lula. Em três meses, o presidente perde três pontos nas simulações de segundo turno contra o senador. No mesmo intervalo, o pré-candidato do PL ganha quatro pontos. A mudança reforça a leitura de que parte do eleitorado insatisfeito com o governo busca uma alternativa já conhecida no campo bolsonarista, mesmo diante da inelegibilidade de Jair Bolsonaro.
Os dois líderes, no entanto, carregam um fardo comum: a rejeição elevada. Segundo a Genial/Quaest, 55% dos entrevistados dizem que conhecem Lula e não votariam nele de jeito nenhum. Flávio Bolsonaro tem rejeição de 52%, também medida entre quem declara conhecer o senador. Os números configuram empate técnico e sinalizam campanhas obrigadas a falar não apenas para seus eleitores fiéis, mas para um eleitorado cansado do confronto permanente.
Outros nomes testados no levantamento têm rejeição bem menor. Caiado é rejeitado por 32% dos entrevistados, enquanto Zema registra 31%. Os dados indicam que, fora do eixo Lula-Flávio, há figuras com menos resistência, mas ainda incapazes, por ora, de romper a estrutura de polarização. A dificuldade em se tornar conhecido nacionalmente, a poucos meses do início oficial da campanha, pesa contra essas candidaturas.
A pesquisa também mede o humor do eleitor em relação ao governo federal. Segundo o levantamento, 52% desaprovam a gestão Lula, enquanto 43% a aprovam. Na avaliação de desempenho, 42% consideram o governo ruim ou péssimo, 31% o classificam como bom ou ótimo, e 28% o veem como regular. O dado ajuda a explicar o desgaste do presidente nas simulações de segundo turno, embora ele ainda apareça como favorito diante de outros nomes que não pertencem ao campo bolsonarista.
Em um confronto direto com Ronaldo Caiado, Lula teria 43% contra 35% do ex-governador de Goiás. Brancos e nulos somam 18%, e 4% estão indecisos. O petista também vence, com maior folga, os cenários em que enfrenta Romeu Zema, Renan Santos e Augusto Cury. A vantagem reforça a percepção de que, fora de um duelo com o bolsonarismo, Lula mantém capacidade competitiva relevante.
Corrida de 2026 entra em nova fase
O desenho apresentado pela Genial/Quaest marca uma inflexão na disputa de 2026. A pesquisa é a primeira da série sem os nomes dos governadores Ratinho Júnior, do Paraná, e Eduardo Leite, do Rio Grande do Sul, ambos do PSD. Os dois disputavam internamente a indicação do partido ao Palácio do Planalto, mas ficaram para trás na escolha da sigla, comandada por Gilberto Kassab, que acabou chancelando a pré-candidatura de Caiado em 30 de março.
A saída de Ratinho e Leite abre espaço para que o ex-governador goiano tente se firmar como opção de centro-direita fora da órbita do bolsonarismo. Ao mesmo tempo, a entrada de Cabo Daciolo e do escritor Augusto Cury como opções testadas pela Quaest mostra que o tabuleiro ainda está em formação. As candidaturas, no entanto, só se tornam oficiais após as convenções partidárias, previstas para ocorrer entre 20 de julho e 5 de agosto.
O movimento de Flávio Bolsonaro nas pesquisas tende a redesenhar as estratégias de PT e PL nos próximos meses. Lula enfrenta o desafio de defender o governo diante de uma maioria que hoje o desaprova e, ao mesmo tempo, precisa reduzir sua rejeição para reconquistar parte do eleitorado que migra ou flerta com o campo bolsonarista. O PL, por sua vez, testa até que ponto o senador consegue herdar o capital político do pai, hoje fora da disputa.
O quadro de empate técnico no segundo turno antecipa uma campanha de alta tensão, com risco de radicalização do discurso e pressão sobre partidos de centro para definir alianças. Siglas de centro-direita e centro-esquerda podem se tornar fiéis da balança em um cenário em que ambos os polos têm base sólida, mas encontram limite claro na rejeição. A disputa por esse eleitorado moderado, hoje mais indeciso ou distante do debate, tende a ser decisiva.
As próximas pesquisas vão indicar se o avanço de Flávio é tendência firme ou efeito momentâneo do desgaste do governo. Vão mostrar também se Lula consegue estancar a queda ou se abre espaço para um terceiro nome ganhar tração. Com a proximidade das convenções e o início formal da campanha, o país entra em uma fase em que cada ponto percentual passa a valer mais do que nunca.
