Vasco perde para o Audax com dois expulsos e pênalti do VAR em São Januário
O Vasco perde por 2 a 1 para o Audax Italiano nesta terça-feira (14), em São Januário, pela Copa Sul-Americana, em noite marcada por expulsões e decisão de pênalti com auxílio do VAR. O time carioca sai na frente com Brenner, mas vê JP e Cuesta levarem cartão vermelho e o adversário chileno virar o placar na etapa final.
Arbitragem em foco e São Januário em ebulição
O clima em São Januário muda de alívio para revolta em poucos minutos. A vitória parcial parecia aliviar a pressão sobre o elenco alternativo escalado para a Sul-Americana, enquanto o clube prioriza o Brasileirão. A intervenção da arbitragem, porém, altera o roteiro e acentua a tensão entre torcida, comissão técnica e direção.
O primeiro tempo apresenta nível técnico baixo. Vasco e Audax erram passes simples, finalizam pouco e oferecem pouco risco aos goleiros. O estádio, que costuma empurrar o time, alterna impaciência e silêncio. Aos poucos, o jogo se desloca do campo para o apito do árbitro uruguaio Hernán Heras.
O momento chave começa em um lance de possível pisão de JP em um adversário. Chamado pelo VAR, Heras revisa as imagens e mantém o cartão amarelo já aplicado ao volante. A decisão aparentemente encerra o lance, mas abre espaço para a nova controvérsia minutos depois.
Em disputa no meio-campo, a falta parece partir do jogador do Audax. Heras, no entanto, inverte a marcação, mostra novo amarelo a JP e expulsa o volante. A reação dos vascaínos é imediata. Jogadores cercam o árbitro, levantam os braços e cobram explicações. Gestos de incredulidade se espalham pelo banco de reservas, enquanto a arquibancada responde com gritos contra a arbitragem.
Mesmo com um a menos, o Vasco encontra respiro nos acréscimos. Nuno Moreira lança em profundidade para Puma Rodríguez, que acelera pela direita, vai à linha de fundo e cruza forte para a área. Spinelli não alcança, mas Brenner aparece no segundo pau, finaliza de primeira e coloca a bola nas redes. O gol aos 46 minutos encerra uma das piores etapas da equipe em 2026 sob aplausos tímidos e um misto de alívio e desconfiança.
Expulsões, pênalti e virada chilena complicam o grupo
O intervalo não acalma o jogo. O Vasco volta reorganizado e ainda encontra espaços no campo ofensivo, mesmo com um jogador a menos. Puma tem boa chance logo no início, recebe livre na área e finaliza para fora, desperdiçando a oportunidade de ampliar a vantagem.
O castigo chega aos 16 minutos do segundo tempo. Em contra-ataque pela direita, Troyansky avança com liberdade, levanta a cabeça e cruza na segunda trave. Vadulli surge sozinho, mergulha de peixinho e desvia no canto de Léo Jardim. O gol expõe a fragilidade defensiva na recomposição e coloca o Audax de volta no jogo, com moral renovada em sua primeira grande chegada.
O empate muda o cenário da partida e desloca a pressão para o lado vascaíno. A equipe, já desgastada fisicamente, passa a alternar momentos de resistência com tentativas isoladas de ataque. Os chilenos ganham campo, aumentam a presença na área carioca e começam a explorar bolas aéreas sobre a defesa.
O lance decisivo acontece perto do fim, em nova bola levantada na área do Vasco. Em disputa com Troyansky, o zagueiro Cuesta puxa o atacante. O árbitro inicialmente deixa o jogo seguir, mas o VAR aciona novamente Hernán Heras para revisão no monitor. Após analisar as imagens, o juiz marca pênalti e mostra o cartão vermelho direto para o defensor, deixando o time carioca com nove jogadores em campo.
A decisão acende de vez a revolta em São Januário. Jogadores do Vasco abrem os braços, contestam a marcação e cercam o árbitro, enquanto a arquibancada reage com vaias intensas. A sensação de injustiça ganha corpo entre os torcedores, que já criticam o desempenho da equipe na temporada e agora apontam a arbitragem como protagonista da derrota.
Troyansky assume a cobrança, desloca Léo Jardim e vira o placar, selando a vitória por 2 a 1. O gol garante os primeiros três pontos do Audax na Sul-Americana e empurra o Vasco para uma situação mais delicada no grupo, ainda sem margem para novos tropeços nas próximas rodadas.
Pressão cresce e calendário aperta para o Vasco
A derrota em casa, com dois expulsos e forte contestação às decisões de arbitragem, aumenta o ruído em torno do planejamento do Vasco. O clube prioriza o Brasileirão e manda a campo uma equipe alternativa nesta terça, mas paga caro por erros técnicos, desatenção defensiva e incapacidade de controlar o emocional diante das polêmicas.
O contexto fora de campo amplia a tensão. Horas antes, no basquete, o Flamengo derrota o Vasco e provoca o rival nas redes sociais após o rebaixamento cruz-maltino no NBB. A sequência de resultados negativos em modalidades diferentes alimenta o ambiente de cobrança no clube, que volta a viver dias de pressões cruzadas entre torcedores, dirigentes e elenco.
O impacto esportivo é imediato. A situação na Sul-Americana fica mais complexa e reduz a margem de erro para a classificação. Em um grupo curto, cada jogo pesa. A derrota em São Januário transforma os confrontos seguintes em decisões antecipadas, com necessidade de desempenho alto mesmo em meio a um calendário apertado.
A resposta precisa vir já no próximo sábado, dia 18 de abril, novamente em São Januário. O Vasco encara o São Paulo às 18h30, pelo Campeonato Brasileiro, em partida que tende a funcionar como termômetro para a relação com a torcida. O desempenho, mais do que o resultado isolado, deve sinalizar até que ponto o elenco consegue assimilar o golpe e reagir em campo.
Pela Sul-Americana, o time só volta a atuar no dia 30 de abril, contra o Olimpia, do Paraguai, outra vez na Colina Histórica. O duelo passa a ter caráter de sobrevivência. A atuação da arbitragem e o uso do VAR seguem no centro do debate, mas a pressão interna se volta também para a comissão técnica e o elenco, responsáveis por encontrar soluções dentro de campo.
O clube deixa a noite de terça com duas certezas incômodas. A primeira envolve a necessidade de respostas rápidas para seguir vivo na competição continental. A segunda expõe uma questão que ultrapassa o Vasco: até que ponto o VAR, pensado para reduzir erros, consegue evitar que o apito siga como protagonista em jogos decisivos?
