Grêmio vence o Deportivo Riestra com gol no fim e reage na Sul-Americana
O Grêmio vence o Deportivo Riestra por 1 a 0 nesta terça-feira, 14 de abril, na Arena, e conquista os primeiros três pontos na Copa Sul-Americana. O gol de Amuzu, aos 41 do segundo tempo, encerra a sequência de tropeços e devolve algum fôlego ao time de Luís Castro.
Vitória magra, alívio grande
A noite em Porto Alegre começa tensa e termina com um grito de alívio. O placar é mínimo, mas o peso esportivo e emocional é grande. O time chega aos três pontos no Grupo F, vê o Montevideo City Torque liderar com seis após vencer o Palestino por 2 a 0 e mantém vivo o plano de avançar no mata-mata continental.
O desempenho não acompanha a urgência. A equipe repete as dificuldades ofensivas recentes, sofre para criar e quase transforma o domínio em frustração. Ainda assim, encontra na individualidade e em ajustes pontuais de Luís Castro um caminho para evitar novo tropeço em casa. O gol nos minutos finais muda o clima interno e freia, ao menos por agora, a pressão sobre o elenco.
O técnico escala um time misto, desgastado pela sequência de jogos e com foco declarado no Campeonato Brasileiro. Nomes como Gustavo Martins, Arthur, Amuzu e Carlos Vinícius começam no banco. A ideia tática permanece a mesma do Gre-Nal: laterais bem abertos, Noriega recuando entre os zagueiros para organizar a saída de bola e muita posse no campo ofensivo.
O roteiro da etapa inicial expõe o limite desse plano quando falta criatividade. O Grêmio chega a registrar cerca de 85% de posse, empurra o Deportivo Riestra para a própria área, mas quase não finaliza com perigo. O time argentino aceita o papel de coadjuvante, se fecha com duas linhas compactas e aposta em travar o jogo, quebrar ritmo e resistir aos cruzamentos.
A bola roda de um lado a outro, mas as jogadas por dentro não aparecem. O time insiste em levantamentos na área, que morrem em cortes da zaga adversária. A maior parte da tensão se concentra em chutes de média distância. Pavon arrisca duas vezes, aos 27 e aos 33 minutos, e obriga Arce a trabalhar, primeiro em defesa firme, depois em lance que passa rente à trave direita.
O melhor momento dos 45 minutos iniciais surge já nos acréscimos. Gabriel Mec costura pela esquerda, arrisca de fora da área e acerta o travessão, com leve desvio da defesa. O quase-gol não muda a impressão dominante: o Grêmio controla tudo, menos o placar.
Expulsão muda o jogo, ajustes decidem
A volta do intervalo traz um recado claro de Luís Castro. O treinador lança Arthur, Amuzu e Enamorado logo de cara e tenta dar velocidade e refino técnico ao setor ofensivo. A resposta, porém, esbarra em um novo problema. Com menos de cinco minutos, Nardoni acerta o rosto de um adversário em dividida alta e recebe cartão vermelho direto, deixando o Grêmio com dez.
O Riestra, mesmo com superioridade numérica, mantém a postura original. Continua recuado, com pouca ambição ofensiva, e parece satisfeito com o empate fora de casa. O cenário empurra o Grêmio para um esforço físico e mental ainda maior. Com um a menos, o time precisa acelerar sem se desorganizar, consciente de que um contra-ataque pode custar caro.
Enamorado encontra espaço pela direita. Em lances sucessivos, parte para o drible, arrasta marcadores e começa a desmontar a linha defensiva argentina no mano a mano. Carlos Vinícius também entra para reforçar a área, aproximar o time do gol e oferecer opção para passes curtos, em vez de cruzamentos aleatórios.
Amuzu, que sai do banco para ser protagonista, assume o protagonismo nas finalizações. Aos 22 minutos, arrisca de fora da área, no ângulo direito, e obriga Arce a fazer grande defesa. O lance anuncia que o jogo não está decidido e que, mesmo com dez, o Grêmio exerce controle territorial e emocional.
O relógio avança, a ansiedade cresce, e Luís Castro decide dobrar a aposta. Balbuena deixa o campo para a entrada de Monsalve, em movimento que empurra a equipe, de vez, para o ataque. A escolha reduz a margem de segurança defensiva, mas aumenta a chance de transformar posse em gol. Aos 41 minutos, o risco se paga.
Enamorado recebe aberto na direita, parte em velocidade, passa por dois marcadores e invade a área. O cruzamento rasteiro encontra Amuzu livre, em ótima posição. O chute forte, no ângulo direito, deixa Arce sem reação e a Arena em festa: 1 a 0. O belga ainda tem a chance de ampliar no último lance, em novo duelo com o goleiro argentino, que salva e evita uma vitória mais larga.
O apito final encerra um jogo em que o Grêmio produz menos do que a torcida espera, mas mais do que o adversário aceita enfrentar. A expulsão de Nardoni, que muda a equação do segundo tempo, entra na conta das preocupações para a sequência, ao lado do desgaste físico acumulado.
Confiança para a Sul-Americana e foco no Brasileirão
A vitória na Arena não resolve todos os problemas, mas reorganiza o cenário. O Grêmio soma três pontos no Grupo F e assume papel de perseguidor direto do Montevideo City Torque, que lidera com seis após duas rodadas. A classificação ainda exige regularidade, sobretudo em jogos fora de casa, mas o peso de uma possível crise imediata diminui.
O resultado reforça, também, a aposta de Luís Castro em um elenco mais largo e em mudanças pontuais durante as partidas. Reservas como Amuzu e Enamorado definem o placar em noite de baixa inspiração coletiva. O desempenho oferece argumentos para que o treinador mantenha a ideia de rotação, mesmo sob pressão por atuações mais convincentes.
O impacto emocional é imediato. Depois de atuações fracas e uma sequência desgastante, o grupo encontra um ponto de apoio para reconstruir confiança. A torcida, que convive com dúvidas sobre o nível de competitividade do time na temporada, vê ao menos uma resposta em forma de resultado. O futebol ainda não encanta, mas o time mostra capacidade de reagir sob risco.
A agenda não permite descanso prolongado. No sábado, às 20h30, o Grêmio visita o Cruzeiro, no Mineirão, pela rodada do Brasileirão. O foco declarado da comissão técnica recai sobre o campeonato nacional, que exige pontuar cedo para evitar perseguição constante à zona de rebaixamento. A atuação desta terça-feira não garante superioridade em Belo Horizonte, mas oferece um mínimo de estabilidade para preparar o duelo.
A disputa continental, por sua vez, ganha nova camada de interesse. Os três primeiros pontos recolocam o time na conversa do grupo e aumentam o peso dos próximos confrontos, em especial diante de Montevideo City Torque e Palestino. A forma como o Grêmio vai administrar o elenco entre viagens, desgaste e pressão por desempenho ainda é a pergunta que fica após a noite de alívio na Arena.
