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São Paulo vence O’Higgins, assume liderança e respira na Sul-Americana

O São Paulo vence o O’Higgins por 2 a 0 nesta terça-feira (14), no Morumbis, e assume a liderança isolada do grupo C da Copa Sul-Americana. Luciano e Artur marcam, e a defesa segura a vantagem em noite de pouco público na zona sul de São Paulo.

Pressão desde o início e gol cedo de Luciano

A torcida que enfrenta o frio e os 19.990 lugares ocupados no Morumbis vê um São Paulo intenso desde o apito inicial. O time de Roger Machado empurra o O’Higgins para o próprio campo e transforma a posse de bola em pressão constante. Aos sete minutos, a estratégia rende resultado.

Marcos Antonio recebe por dentro, encontra Calleri entre os zagueiros e o centroavante mostra leitura rápida de jogo. Em vez de finalizar, toca de primeira para Luciano, que aparece livre na entrada da área. O camisa 10 acerta um chute seco, no canto, e abre o placar, para alívio de um estádio que já sente o peso da responsabilidade na competição continental.

O gol não diminui o ritmo tricolor. Até a metade do primeiro tempo, o O’Higgins quase não passa do meio-campo. A linha defensiva chilena se retrai, e o São Paulo circula a bola com paciência, tentando abrir espaços pelos lados com Artur e Lucca. A primeira resposta do time visitante surge só por volta dos 22 minutos, em jogada pela esquerda, mas Alan Franco corta com firmeza e freia a tentativa de reação.

O jogo ganha um susto para o torcedor são-paulino pouco depois. Marcos Antonio sente a parte posterior da coxa e, por volta dos 35 minutos, pede para sair. Danielzinho entra, altera a dinâmica do meio-campo e obriga Roger Machado a reorganizar a marcação e a construção ofensiva. A alteração expõe um ponto sensível do elenco e abre mais uma dor de cabeça para a comissão técnica em início de temporada cheia, com Sul-Americana, Brasileiro e competições nacionais em sequência.

Defesa segura, Artur decide e liderança ganha corpo

O intervalo não esfria o São Paulo. A equipe volta sem mudanças, mas com a mesma postura agressiva. Luciano aparece de novo nos primeiros minutos da etapa final, busca a finalização na área, mas a defesa chilena trava o chute. O recado, porém, está dado: o time não pretende administrar a vantagem mínima.

A recompensa vem pouco depois, em jogada que repete o protagonismo de Calleri como garçom. O centroavante recebe na entrada da área, protege bem, gira e encontra Artur em boa condição pelo lado direito. O atacante finaliza forte, sem dar chance ao goleiro Carabalí, e marca o segundo gol são-paulino. O lance vale mais do que o 2 a 0 no placar. Representa o primeiro gol de Artur com a camisa tricolor e reforça uma alternativa importante no ataque.

O O’Higgins tenta reagir após o segundo gol, adianta as linhas e passa a ocupar mais o campo de ataque. Rafael entra em cena com segurança, faz defesas importantes e ajuda a manter o controle emocional do time. A dupla de zaga, com Tolói e Alan Franco, afasta cruzamentos e reduz o espaço para finalizações de média distância, um dos poucos recursos dos chilenos na partida.

O momento de maior tensão na etapa final surge aos 31 minutos. Vencino completa para o gol após disputa na área e comemora o que seria o desconto chileno. A arbitragem, porém, anula o lance por falta em Tolói na origem da jogada. O São Paulo respira, reorganiza a marcação e volta a segurar o jogo com mais calma, mesmo com a sequência de cartões amarelos para Calleri, Luciano e Bobadilla em divididas mais firmes.

A atuação defensiva consistente consolida o resultado. O time mantém o 2 a 0 até o fim, administra os minutos finais com posse de bola e mostra maturidade para controlar o ritmo. O placar garante três pontos, liderança isolada do grupo C e um recado para os demais rivais da chave. Em casa, mesmo com arquibancadas menos cheias e renda de R$ 762.415, o Morumbis volta a ser um aliado em noite de torneio continental.

Elenco testado, dúvidas expostas e foco no que vem pela frente

A vitória coloca o São Paulo em situação confortável na tabela, mas também escancara temas que cercam o elenco. A ausência de Ferreirinha da lista para o jogo gera ruído entre torcedores e pressiona o clube a explicar os critérios de escolha. A lesão de Marcos Antonio, por sua vez, acende alerta no setor que organiza a saída de bola e dita o ritmo do time. Com calendário apertado e decisões à vista, qualquer problema muscular pesa mais.

O resultado, porém, fortalece o comando atual e o plano de jogo adotado. O time combina intensidade na marcação com participação decisiva do trio ofensivo. Calleri volta a ser mais do que homem de área, distribui duas assistências e influencia diretamente o placar. Luciano mantém protagonismo em jogos grandes, com gol em torneio internacional. Artur estreia na lista de artilheiros com a camisa tricolor e se apresenta como opção real para as próximas rodadas.

O próximo compromisso já muda rapidamente o foco. No sábado, dia 18 de abril, o São Paulo viaja ao Rio de Janeiro para enfrentar o Vasco, em São Januário, pelo Campeonato Brasileiro. O confronto testa a capacidade do time de repetir o desempenho em um ambiente mais hostil, fora de casa, e lidar com possível desfalque de Marcos Antonio em um jogo de alta exigência física.

O O’Higgins volta ao Chile pressionado pela derrota, mas ainda vivo na disputa. O time encara o Cobresal no domingo, dia 19, pelo Campeonato Chileno, e tenta recuperar confiança antes da sequência da Sul-Americana. A forma como reage à noite no Morumbis pode definir se seguirá como adversário incômodo na briga pela vaga ou se cederá espaço para um domínio mais tranquilo do São Paulo no grupo.

O torcedor tricolor deixa o estádio com a sensação de que o caminho na competição continental fica mais claro, mas não simples. A liderança vindo cedo na fase de grupos diminui a margem para tropeços, porém também aumenta a cobrança por regularidade. A resposta sobre até onde esse São Paulo pode ir na Sul-Americana começa a ser construída agora, jogo a jogo, entre gols de Luciano, assistências de Calleri, defesas de Rafael e a capacidade do elenco de suportar um ano longo.

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