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Alcolumbre sinaliza apoio a Jorge Messias antes de sabatina no STF

Davi Alcolumbre faz chegar a Jorge Messias, indicado de Lula ao Supremo Tribunal Federal, o recado de que não vê obstáculos à sua indicação. O movimento ocorre às vésperas da sabatina marcada para 29 de abril de 2026 na Comissão de Constituição e Justiça do Senado.

Reaproximação no tabuleiro do Senado

O presidente do Senado decide agir antes que a disputa em torno da nova vaga no STF se transforme em crise política. Por meio de interlocutores, Alcolumbre informa ao advogado-geral da União que não guarda resistência à indicação feita pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva. A mensagem tenta dissipar ruídos criados nas últimas semanas, quando o senador do União Brasil articula nos bastidores o nome de Rodrigo Pacheco, hoje no PSB, para a cadeira aberta na Corte.

Aliados de Alcolumbre relatam que a preferência inicial por Pacheco nasce de uma relação de confiança construída ao longo de anos, e não de qualquer veto a Messias. O presidente do Senado tenta separar amizade de cálculo institucional. No recado enviado ao indicado de Lula, ressalta que não pretende criar obstáculos na CCJ, colegiado que ele já presidiu e que concentra hoje parte do poder de filtragem das escolhas para tribunais superiores.

Jorge Messias recebe o gesto com naturalidade, segundo pessoas próximas. O advogado-geral da União, que ocupa um dos cargos mais estratégicos do governo federal, sinaliza a interlocutores que não alimenta mágoas e que a disputa em torno da indicação faz parte do jogo político. A avaliação no entorno de Messias é que a mensagem de Alcolumbre reduz o risco de constrangimentos públicos durante a sabatina, marcada para a manhã do dia 29, em Brasília.

Os dois agora negociam um encontro presencial antes da sabatina. A reunião, ainda sem data confirmada, tende a ocorrer no próprio Senado, em agenda reservada. O gesto é visto como tentativa de inaugurar uma relação institucional duradoura entre o futuro ministro e o chefe do Legislativo, que continuará tendo papel central nas próximas nomeações do Judiciário. A presença de Messias no STF, se confirmada, pode atravessar pelo menos duas décadas de julgamentos relevantes.

Força política e bastidores da indicação

A disputa pela vaga no STF mobiliza lideranças de diferentes partidos desde que Lula oficializa a indicação de Jorge Messias. Aos 40 e poucos anos, o advogado, apelidado de “Bessias” durante o governo Dilma Rousseff, assume a chefia da Advocacia-Geral da União em 2023 e ganha espaço no núcleo jurídico do Planalto. A escolha, porém, enfrenta resistências silenciosas no Senado, onde parte dos parlamentares defendia a indicação de um nome com trajetória política mais longa, como Rodrigo Pacheco.

Alcolumbre tem influência decisiva nesse processo. À frente do Senado em momento de sucessivas indicações ao Supremo e a outros tribunais, o senador já comanda sabatinas que consolidam sua imagem de articulador do chamado “grupo do meio”. Nessa posição, costura apoios tanto na base do governo quanto na oposição. Ao sinalizar a Messias que não pretende travar sua indicação, o senador manda recado também ao Palácio do Planalto: está disposto a negociar, mas quer ver respeitada sua centralidade nas grandes decisões.

No entorno de Messias, a leitura é de que a movimentação de Alcolumbre abre espaço para uma sabatina menos hostil, embora ainda imprevisível. A votação é secreta, como manda a tradição para cargos de tribunais superiores, e depende de maioria simples na Comissão e no plenário. O governo precisa garantir ao menos metade mais um dos votos presentes em cada etapa. Em um Senado com 81 cadeiras e bases fluidas, a margem de erro costuma ser pequena.

Outro ator relevante entra no jogo. O ministro Gilmar Mendes, um dos decanos do STF, manifesta apoio à indicação de Messias. Com trânsito entre senadores de partidos como União Brasil, PSD, MDB e PSDB, Gilmar atua nos bastidores para reduzir resistências e desfazer desconfianças sobre o perfil do indicado. Assim como Alcolumbre, o ministro já manifesta, em um primeiro momento, preferência por Rodrigo Pacheco. O alinhamento posterior em torno de Messias ajuda a consolidar a percepção de que a escolha se torna irreversível.

Impacto no Supremo e no equilíbrio político

A eventual chegada de Jorge Messias ao STF reforça a influência do atual governo na composição da Corte. Lula já indica outros nomes ao tribunal nesta terceira passagem pelo Planalto e busca consolidar maioria confortável em julgamentos que envolvem políticas públicas, regras eleitorais e investigações contra autoridades. Um ministro com origem na Advocacia-Geral da União tende a preservar diálogo direto com o Executivo, o que desperta preocupação em setores da oposição.

No Senado, a movimentação de Alcolumbre sinaliza tentativa de recompor pontes com o Planalto sem abandonar alianças regionais. Rodrigo Pacheco, que preside a Casa até o início de 2027, planeja disputar o governo de Minas Gerais em 2026. A ambição eleitoral do mineiro pesa no tabuleiro da sucessão estadual e da própria relação com Lula. Uma indicação ao STF poderia retirá-lo do jogo local e rearranjar forças em um estado estratégico, que concentra quase 10% do eleitorado brasileiro. A opção por Messias preserva Pacheco na arena política.

O gesto de Alcolumbre também tem efeitos internos. Ao afastar a ideia de veto a Messias, o senador tenta evitar racha dentro do União Brasil e de bancadas que orbitam em torno de cargos e emendas. Interlocutores avaliam que parte dos parlamentares enxerga na indicação uma oportunidade de aproximação com o STF, em meio a decisões que afetam diretamente o orçamento secreto, as emendas de relator e a divisão de recursos federais. Um voto favorável pode ser moeda de troca futura em ações de interesse dos estados.

No Supremo, a presença de Messias tende a reforçar um perfil mais técnico em temas de direito administrativo, tributário e de relações entre União, estados e municípios. A Advocacia-Geral da União é responsável por defender o governo em disputas bilionárias, que envolvem desde créditos fiscais até regras de repartição de royalties. Ao migrar para o STF, o advogado passa a julgar causas semelhantes, mas sob ótica mais ampla, com impacto direto sobre empresas, servidores e contribuintes.

Próximos passos e incertezas

A sabatina de 29 de abril deve durar várias horas e se tornar o principal teste público de Jorge Messias diante dos senadores. Parlamentares da oposição preparam questionamentos sobre sua atuação em governos petistas, sua posição em casos da Lava Jato e sua visão sobre temas sensíveis, como foro privilegiado, combate à desinformação e limites de atuação do Judiciário. A base governista, por sua vez, tenta organizar discurso unificado para evitar contradições e desgastes desnecessários.

O encontro previsto entre Alcolumbre e Messias, se confirmado antes dessa data, pode definir o tom do questionário e o clima no colegiado. Uma conversa reservada permite alinhar expectativas, reduzir surpresas e estabelecer canais diretos de diálogo para depois da posse, caso o Senado aprove o nome. A votação secreta, no entanto, mantém um grau de incerteza que nem o apoio de Alcolumbre nem o de Gilmar Mendes elimina por completo.

A depender do desfecho, Lula consolida mais um aliado no Supremo e reforça a narrativa de recomposição institucional após anos de confronto aberto entre os Poderes. Um revés, por outro lado, expõe fragilidades na articulação política do governo e devolve a disputa pela vaga ao ponto de partida, com novos nomes em disputa e pressão redobrada sobre o Planalto e o Senado. Até a manhã da sabatina, a mensagem enviada por Alcolumbre a Messias funciona como sinal de trégua, mas não encerra a pergunta central: quantos votos o indicado de Lula terá quando a urna eletrônica da CCJ for finalmente aberta.

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