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Ciclone extratropical provoca ressaca e ventos de até 100 km/h no Sul

Um ciclone extratropical que se forma entre o Uruguai e o extremo sul do Rio Grande do Sul provoca, nos próximos dias, ventos intensos e mar agitado na costa brasileira. Os alertas atingem principalmente o litoral sul gaúcho, mas se estendem a áreas litorâneas de Santa Catarina, Paraná e Sudeste até sexta-feira (10). A previsão inclui ressaca, ondas de até 3 metros e risco de erosão em trechos da orla.

Ventos em alto-mar empurram maré de tempestade para a costa

O sistema começa a se organizar entre esta quarta e quinta-feira e ganha força em alto-mar, na faixa entre o Uruguai e o extremo sul do Rio Grande do Sul. A Climatempo explica que o núcleo do ciclone permanece no oceano, sem avançar sobre Santa Catarina, Paraná, Sudeste ou Centro-Oeste, mas o campo de ventos intensos alcança grande parte do Atlântico Sul próximo ao Brasil.

As rajadas mais fortes, acima de 100 km/h, ocorrem em alto-mar, longe da costa, mas são suficientes para elevar o nível do mar e formar o que os meteorologistas chamam de maré de tempestade. Na prática, essa combinação de vento e pressão atmosférica empurra mais água em direção ao litoral, o que se traduz em ressaca, ondas grandes e mais energia quebrando na linha da praia.

O Centro de Meteorologia da Marinha do Brasil emite aviso de mar grosso na costa da Região Sul, com ondas fortes em mar aberto. O órgão também alerta para ressaca com ondas de até 3,0 metros nas praias do Sul, especialmente entre o extremo sul gaúcho e a divisa com Santa Catarina. Em trechos mais expostos do litoral, como pontas de areia e áreas com menos proteção natural, o impacto tende a ser maior.

O ciclone se desloca rapidamente pelo oceano, em direção ao Atlântico aberto, e já na sexta-feira (10) deve estar afastado da costa, reduzindo o risco de ventos destrutivos em terra. Mesmo assim, a agitação marítima costuma demorar mais tempo para se dissipar, o que prolonga o período de ressaca em algumas praias, ainda que com menor intensidade.

Risco para navegação, quiosques e faixa de areia

A Marinha desaconselha a navegação de pequenas e médias embarcações na faixa costeira do Sul do país durante a atuação do ciclone. Em alto-mar, a combinação de ventos acima de 100 km/h, mar grosso e ondas longas aumenta o risco de naufrágio e torna o resgate mais difícil. Embarcações de pesca artesanal, que costumam operar mais próximas da costa, são as mais vulneráveis.

Na orla do Rio Grande do Sul, a Defesa Civil estadual já emite alertas para ventos fortes, possibilidade de granizo e danos localizados. O litoral extremo sul, mais próximo do Uruguai, concentra o maior risco de ressaca intensa, com potencial de erosão de dunas, avanço do mar sobre a faixa de areia e danos em estruturas fixas, como quiosques, decks de madeira e calçadões à beira-mar.

As áreas urbanizadas em frente ao mar, onde a ocupação avançou sobre a faixa costeira ao longo das últimas décadas, sentem mais os efeitos. A cada episódio de ressaca forte, parte da areia é levada, a calçada fica exposta e, em alguns pontos, o calçadão sofre rachaduras ou desabamentos parciais. Em praias gaúchas que já registram erosão crônica, a atuação de um ciclone extratropical acelera esse processo.

No litoral norte do Rio Grande do Sul e na costa de Santa Catarina e Paraná, os meteorologistas falam em ressaca moderada, com ondas menores que no extremo sul. Mesmo assim, a recomendação é evitar banho de mar em áreas com correnteza forte, pedras ou canais de rio. Para surfistas, o mar tende a ganhar força e qualidade em alguns picos, mas a orientação oficial segue sendo de cautela e respeito às orientações de guarda-vidas.

Ainda que o centro do ciclone não se aproxime do Sudeste, a energia gerada em alto-mar pode alcançar o litoral de São Paulo e do Rio de Janeiro na forma de ondulação mais longa. As ondas chegam mais organizadas, com picos perto de 2 metros em alguns trechos, e podem causar transtornos pontuais em píeres, costões e marinas, além de exigir atenção extra em operações de carga e descarga em portos mais expostos.

Alerta vale até sexta; monitoramento continua

Os avisos da Marinha e de centros de meteorologia privados, como a Climatempo, valem até sexta-feira (10), quando o ciclone já estará mais distante da costa brasileira. A tendência, a partir daí, é de redução gradual do vento e das ondas, primeiro no extremo sul e depois nas demais áreas do litoral do Sul e Sudeste.

A Defesa Civil do Rio Grande do Sul mantém equipes de prontidão para atender ocorrências relacionadas a vento forte, queda de galhos e postes, além de alagamentos costeiros localizados. O órgão orienta que moradores de áreas litorâneas reforcem estruturas frágeis, recolham objetos soltos em varandas e evitem circular por orlas durante o pico da ressaca. “É um episódio curto, mas intenso, com potencial para danos em áreas expostas”, afirma, em nota, a Defesa Civil gaúcha.

Nos próximos dias, o foco dos meteorologistas passa a ser o rescaldo da ressaca e o eventual agravamento de processos de erosão em trechos já vulneráveis do litoral sul gaúcho. Prefeituras costeiras acompanham a situação de quiosques e calçadões, avaliando a necessidade de interdições pontuais e obras emergenciais de contenção.

Episódios de ciclones extratropicais não são raros no Sul do Brasil. Esses sistemas costumam se formar na transição entre massas de ar frio e quente e ganhar força sobre o oceano, especialmente entre o fim do outono e o inverno. A frequência e a intensidade de alguns eventos recentes reacendem o debate sobre a adaptação das cidades costeiras às mudanças climáticas e à elevação lenta, mas contínua, do nível do mar.

Com o afastamento do ciclone previsto para o fim da semana, a atenção se volta à próxima frente fria e a novos sistemas de baixa pressão que possam se organizar no Atlântico Sul. A temporada de mar agitado e ressacas ainda está no começo, e as próximas semanas devem indicar se o litoral brasileiro está mais preparado para enfrentar a força do oceano ou se a cada nova tempestade a faixa de areia continuará a recuar.

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