Cid admite constrangimento por não votar em Ciro e reafirma apoio a Elmano
O senador Cid Gomes admite sentir constrangimento por não votar no irmão, Ciro Gomes, na disputa pelo governo do Ceará. A declaração, feita nesta quarta-feira (8), vem acompanhada da reafirmação de apoio ao governador Elmano de Freitas e ao deputado Junior Mano para o Senado, e expõe, mais uma vez, o racha político da família Gomes no estado.
Relações de família sob pressão eleitoral
O movimento de Cid ocorre em 8 de abril de 2026, quando as articulações locais ganham ritmo mais intenso e as alianças começam a se cristalizar para as eleições estaduais. Ao reconhecer o desconforto pessoal de não apoiar o irmão, Cid tenta equilibrar laços de sangue e compromissos políticos, dois vetores que se cruzam há décadas na trajetória da família Gomes.
“É claro que é constrangedor não votar no meu irmão”, admite o senador, ao mesmo tempo em que reforça a opção por permanecer ao lado da atual gestão estadual. O apoio declarado a Elmano de Freitas, do PT, e ao deputado Junior Mano, seu aliado para o Senado, sinaliza que o cálculo de poder no Ceará pesa mais do que a unidade familiar. Na prática, Cid se ancora na máquina estadual e na base governista, enquanto Ciro volta a se colocar como alternativa em uma disputa que reabre antigas feridas políticas.
Impacto no tabuleiro político cearense
A postura de Cid recoloca as relações internas da família Gomes no centro do debate público no Ceará. A mesma família que, por anos, comandou o estado em bloco hoje se divide em palanques diferentes, em um cenário em que cada voto e cada gesto público tendem a ser explorados por aliados e adversários. O apoio ao governador em exercício, que chegou ao cargo em 2023 e consolida quase três anos de gestão, dá a Elmano um reforço simbólico importante, especialmente no interior, onde o sobrenome Gomes ainda pesa nas urnas.
A tensão não é inédita. Em 2022, o rompimento entre Cid e Ciro já se torna público durante a campanha ao governo e à Presidência, quando os dois divergem sobre candidaturas, alianças e o papel do PDT no estado. A partir dali, o grupo se fragmenta, e o capital político construído ao longo de pelo menos 30 anos de mandatos estaduais, prefeituras e ministérios entra em disputa. A declaração mais recente de Cid reabre esse histórico e funciona como lembrete para o eleitor de que o racha continua ativo, agora em um ciclo eleitoral em que o PT, comandando o Planalto desde 2023, busca consolidar seu espaço no Nordeste com vitórias estaduais sucessivas.
O que está em jogo nas próximas eleições
Ao reafirmar apoio a Elmano e a Junior Mano, Cid envia um recado direto ao eleitor e aos partidos da base. Ele indica que pretende permanecer no campo governista, mesmo à custa do desconforto público com Ciro. Em um estado onde o grupo dos Gomes chegou a superar 60% dos votos em disputas ao governo no início da década passada, a divisão interna pode redistribuir forças entre PT, PDT e siglas de centro e direita interessadas em ocupar o espaço deixado pelas fissuras familiares.
A movimentação abre uma janela de oportunidade para adversários que exploram o desgaste da família e a imagem de fragmentação. Também força Ciro a calibrar seu discurso: quanto mais o candidato insistir na independência em relação ao governo estadual, mais terá de explicar por que perdeu o apoio de um de seus principais fiadores históricos. O eleitor cearense, acostumado a ver os irmãos no mesmo palanque, agora acompanha um enredo em que o voto de um senador da República se torna símbolo de uma ruptura que ainda não encontrou ponto final.
