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Flamengo estreia na Libertadores com meio-campo remodelado em Cusco

O Flamengo estreia na Libertadores 2026 nesta quarta-feira (8), às 21h30, em Cusco, com um meio de campo praticamente novo. Sob comando de Leonardo Jardim, o time encara o Cusco, a mais de 3 mil metros de altitude, obrigado a mexer na base da equipe campeã por causa de lesões e do desgaste físico.

Altitude, desfalques e a defesa do título

O Estádio Garcilaso de la Veja vira palco da primeira defesa do título continental rubro-negro. A cidade peruana está a cerca de 3 mil metros acima do nível do mar, cenário que muda o planejamento de jogo, a preparação física e até a forma de rodar o elenco. Leonardo Jardim desembarca no Peru sem cinco jogadores: Alex Sandro, Saúl, Jorginho, Erick Pulgar e Everton Cebolinha se recuperam de lesão e ficam no departamento médico.

O coração do time é o setor mais atingido. A ausência de Pulgar, referência na proteção da defesa, força uma reorganização do meio. A sequência de jogos recentes também pesa. Nomes como Pedro e Arrascaeta, decisivos na campanha do título, chegam com desgaste acumulado e podem começar no banco para evitar risco maior logo na largada da fase de grupos, que vai até maio.

Jardim redesenha o meio e calcula o desgaste

Rossi deve ser o titular no gol, amparado por uma defesa já entrosada com Varela, Léo Ortiz, Léo Pereira e Ayrton Lucas. A principal ruptura está um degrau à frente, onde Jardim redesenha o setor que dita o ritmo da equipe. A formação provável tem Evertton Araújo, De La Cruz e Arrascaeta, com Lucas Paquetá como alternativa imediata para a função de articulador. No ataque, Carrascal disputa vaga com Luiz Araújo, enquanto Samuel Lino tende a ser mantido pelos lados. No comando ofensivo, Pedro pode dar lugar a Plata, em uma escolha que equilibra profundidade e fôlego em altitude.

Nos bastidores, a estratégia é clara: controlar a intensidade, reduzir a quantidade de piques longos e evitar um jogo de trocação em alta velocidade, no qual a altitude costuma punir mais o visitante. A possibilidade de preservar Arrascaeta e Pedro desde o início faz parte desse plano. A comissão técnica trata a estreia como um jogo de 90 minutos dividido em blocos, com atenção especial ao segundo tempo, quando o desgaste costuma se impor.

Grupo A equilibrado e margem curta para erro

O Grupo A reúne, além de Flamengo e Cusco, Estudiantes, da Argentina, e Independiente Medellín, da Colômbia. A tabela até a pausa para a Copa do Mundo comprime viagens longas e jogos decisivos em pouco mais de dois meses. Uma estreia positiva fora de casa, em um dos ambientes mais hostis da chave, pode aliviar a pressão sobre Jardim e dar margem para administrar melhor o elenco nas rodadas seguintes.

O histórico recente da Libertadores mostra como um tropeço na primeira rodada pesa. Em edições anteriores, times que perderam na estreia em altitude precisaram vencer praticamente todos os jogos em casa para avançar. A leitura da comissão é que um empate não é descartado como resultado aceitável, mas a prioridade é trazer três pontos do Peru. O ajuste no meio de campo busca manter o equilíbrio tático, mesmo sem a espinha dorsal completa.

Cobrança alta e olhos voltados para Jardim

A temporada de 2026 coloca o Flamengo novamente sob holofotes máximos. A defesa do título continental acontece em meio a um calendário que também prevê disputas fortes no Brasileirão e na Copa do Brasil. Cada escolha de Jardim passa por escrutínio. A opção por um meio mais leve e móvel, com Evertton Araújo e De La Cruz sustentando a criação, indica um time menos dependente de arrancadas individuais e mais focado na troca rápida de passes curtos.

O comportamento da equipe em Cusco deve influenciar a escalação das próximas rodadas. Se o desenho com meio remodelado funcionar em alta altitude, Jardim ganha uma alternativa real para jogos fora de casa mais físicos ou em gramados irregulares. Caso o time sofra para controlar o adversário, a tendência é de retorno à formação clássica assim que o departamento médico liberar os titulares. Até lá, o Flamengo testa, sob o ar rarefeito dos Andes, até onde consegue ir com um novo coração no time que quer seguir mandando na América.

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