Ciencia e Tecnologia

Lua Crescente de 75% antecipa Lua Cheia de março neste sábado

A Lua entra neste sábado (28) na etapa mais expressiva da fase Crescente, com cerca de 75% de sua face iluminada visível da Terra. O satélite avança em direção à Lua Cheia prevista para daqui a quatro dias, completando o ciclo lunar de março de 2026, monitorado pelo Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet).

Um sábado de Lua em crescimento no céu

Quem olha para o céu neste fim de março percebe uma Lua quase cheia, mas ainda em crescimento. A porção iluminada ocupa três quartos do disco, um desenho inconfundível para observadores mesmo sem telescópio. Em qualquer região com céu limpo, o brilho mais intenso se destaca já no início da noite.

O calendário de fases lunares de março, elaborado a partir de dados do Inmet e explicado ao público pelo jornalista Lucas Soares, editor de Ciência e Espaço do Olhar Digital, mostra a Lua exatamente nesse ponto de transição. A fase Crescente domina o céu e empurra o mês para sua etapa de maior luminosidade noturna. “Quando a Lua atinge algo em torno de 75% iluminada, o público costuma confundir com a Lua Cheia, mas ainda faltam alguns dias de crescimento”, explica Soares.

Março tem ciclo lunar bem marcado

O mês de março de 2026 começa com um marco importante: a Lua Cheia aparece logo no dia 3, às 8h39. A partir dali, o satélite inicia a perda gradual de brilho até chegar à Lua Minguante em 11 de março, às 6h41. O ciclo segue até a Lua Nova em 18 de março, às 22h16, quando o lado iluminado se volta para o Sol e praticamente desaparece do céu noturno.

O caminho de volta à luminosidade plena recomeça com a Lua Crescente, registrada em 25 de março, às 16h19. Três dias depois, neste sábado, a Lua já exibe 75% de sua superfície voltada para nós banhada de luz solar, o que os astrônomos chamam de fase gibosa crescente, uma espécie de ante-sala da Lua Cheia. Cada uma dessas etapas integra uma lunação, ciclo entre duas Luas Novas que dura, em média, 29,5 dias.

Ao longo desse período, o satélite passa pelas quatro fases principais — nova, crescente, cheia e minguante —, cada uma com cerca de sete dias. Entre elas, surgem as chamadas interfases, como o quarto crescente, o quarto minguante e as fases gibosas, momentos intermediários que ajudam a explicar por que a aparência da Lua muda um pouco a cada noite.

Do invisível ao brilho máximo

Na Lua Nova, quando o ciclo começa, o satélite se posiciona entre a Terra e o Sol. O lado iluminado fica voltado para a estrela, e a face escura, para nós. A consequência é direta: a Lua praticamente desaparece do céu noturno. Esse ponto marca o início de uma nova contagem e costuma ser associado a começos e planejamento, até hoje considerado em calendários agrícolas e em práticas culturais diversas.

Com o avanço dos dias, a luz surge primeiro como um fio fino no horizonte oeste, logo após o pôr do sol. A fase Crescente se instala e ganha corpo noite após noite. Quando metade do disco aparece iluminada, ocorre o quarto crescente. “É a fase que costuma despertar mais curiosidade, porque a mudança é visível de um dia para o outro”, diz Lucas Soares, formado em Jornalismo pela Universidade Presbiteriana Mackenzie e especialista em cobertura de ciência e espaço.

Na Lua Cheia, o arranjo se inverte: a Terra fica entre o Sol e a Lua, e o lado iluminado aponta diretamente para nós. O resultado é o disco completo, claro e dominante, surgindo no horizonte no exato momento em que o Sol se põe. É a fase mais luminosa do ciclo, ligada a festividades, rituais e, na prática, a noites mais claras para agricultura, pesca e atividades ao ar livre.

Quando a Lua passa do auge, o brilho começa a diminuir. A fase Minguante toma conta do céu, reduzindo a quantidade de luz visível a cada madrugada. No quarto minguante, de novo apenas metade do disco aparece iluminada, agora em processo de retração. O satélite segue minguando até reencontrar a Lua Nova e reabrir o ciclo.

Impacto no calendário, na cultura e no cotidiano

As mudanças visíveis neste sábado não se limitam ao espetáculo visual. As fases da Lua ainda orientam calendários tradicionais e influenciam decisões práticas no campo, na pesca e em atividades ligadas à observação do céu. Em muitos interiores do Brasil, agricultores seguem plantando e colhendo com base em tabelas lunares, associando a Lua Crescente ao crescimento de lavouras e a Lua Minguante a períodos de poda e colheita.

Pescadores também olham para a Lua antes de sair. A variação da luz noturna e das marés, mais intensas em períodos de Lua Cheia e Lua Nova, altera o comportamento de cardumes e a logística das saídas ao mar ou a rios. Embora o conhecimento científico sobre o tema tenha avançado, esse saber prático segue vivo e dialoga com os dados oficiais divulgados por órgãos como o Inmet.

Para astrônomos amadores, a noite de hoje oferece condições equilibradas. A Lua está suficientemente iluminada para revelar detalhes de crateras, mares e relevos, mas ainda não ofusca completamente o céu, o que permite identificar algumas estrelas e planetas mais brilhantes. A observação se torna um convite à curiosidade científica e à aproximação do público com a astronomia básica.

Próximos dias de brilho e um novo ciclo no horizonte

O calendário lunar de março entra na reta final com a Lua Caminhando para a fase Cheia, prevista para daqui a quatro dias, fechando um mês que começou com o satélite em máxima luminosidade logo no dia 3. A passagem pela Lua Crescente de 25 de março, consolidada neste sábado com 75% de área iluminada, prepara o terreno para mais uma noite de disco completo no céu.

Os próximos dias trazem uma oportunidade rara de acompanhar, quase em tempo real, a progressão das fases. Quem observar a Lua hoje e repetir o hábito a cada noite poderá perceber mudanças claras no desenho do disco. A sequência ajuda a entender, na prática, o que os números do Inmet e as explicações de especialistas como Lucas Soares traduzem em termos científicos. A questão que permanece para o público é se essa janela de curiosidade se transforma em hábito: olhar para cima, com mais frequência, para acompanhar um dos ciclos mais antigos e regulares da natureza.

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