EUA dizem que novo líder do Irã está ferido, escondido e isolado
O secretário de Guerra dos Estados Unidos, Pete Hegseth, afirma nesta sexta-feira (13/3) que o novo líder supremo do Irã, aiatolá Mojtaba Khamenei, está ferido, escondido e “provavelmente desfigurado”. A declaração, feita em entrevista coletiva, reforça o quadro de fragilidade militar e política do regime iraniano em meio à escalada de tensão no Oriente Médio.
Liderança sob pressão e silêncio em Teerã
Hegseth descreve uma liderança “desesperada e escondida em bunkers em áreas civis”, sem aparecer em público nem mesmo em momentos-chave. O novo guia supremo do Irã assume o posto há poucas semanas, em meio a protestos internos e à intensificação dos confrontos com os Estados Unidos na região. Desde então, não fala em vídeo nem em áudio com a população.
O secretário usa esse silêncio como principal evidência para sustentar a tese de que Mojtaba Khamenei está gravemente ferido. “Foi um pronunciamento fraco, sem voz nem vídeo. Ele pediu unidade após matar dezenas de milhares de manifestantes. O Irã tem várias câmeras e microfones, por que um pronunciamento escrito? Acho que vocês sabem o porquê”, afirma. Na quinta-feira (12/3), a TV estatal iraniana transmite apenas um comunicado lido por um apresentador, sem qualquer imagem recente do aiatolá.
Militares enfraquecidos e risco no Estreito de Ormuz
Hegseth traça um retrato de colapso gradual da máquina de guerra iraniana. Ele diz que o país “não tem mais força aérea funcional”, que a Marinha está “no fundo do Golfo Pérsico” e que a capacidade de mísseis “está diminuindo”. Essas afirmações miram diretamente o coração da estratégia de dissuasão de Teerã, construída ao longo de décadas em torno de foguetes, drones e embarcações rápidas em áreas sensíveis, como o Estreito de Ormuz.
O Estreito concentra cerca de 20% do comércio marítimo global de petróleo, segundo estimativas da Agência Internacional de Energia nos últimos anos. Khamenei afirma, em comunicado divulgado na quinta, que o Irã não interrompe os ataques contra bases dos EUA no Oriente Médio e mantém o Estreito fechado. Uma autoridade iraniana, ouvida pela Agência France-Presse, admite a possibilidade de liberar a passagem de “alguns navios”, sem detalhar quais bandeiras teriam prioridade. O recado mantém o mercado em alerta e pressiona países asiáticos e europeus dependentes do petróleo que cruza diariamente aquele gargalo.
Disputa de narrativas e incerteza sobre o comando em Teerã
Enquanto busca descrever a liderança iraniana como acuada, Hegseth endurece o tom político. Ele chama os dirigentes do regime de “ratos” e insiste que a cúpula se esconde em estruturas subterrâneas próximas a áreas civis, o que, na avaliação americana, aumenta o risco para a população em caso de novos bombardeios. “É o que ratos fazem. Ouvimos que o ‘não tão’ supremo líder deles está ferido e provavelmente desfigurado”, afirma.
O secretário também tenta afastar o temor de um conflito regional fora de controle. Diz que as forças dos EUA “estão preparadas para tudo o que o Irã tem feito na região do estreito” e afirma que “não há com o que se preocupar”. Ele nega que Teerã tenha sido pego de surpresa pelas recentes retaliações americanas, insistindo que qualquer escalada é calculada. Ao mesmo tempo, critica veículos de imprensa dos Estados Unidos, que, segundo ele, exageram o risco de uma guerra ampla.
Fragilidade do regime e possíveis efeitos internos
A ausência de Mojtaba Khamenei em vídeos e discursos ao vivo alimenta dúvidas sobre quem comanda o país. Hegseth verbaliza essa incerteza ao perguntar, na coletiva, “quem está no comando? Nem o Irã sabe”. O comentário ecoa análises de bastidores de diplomatas ocidentais, que apontam para uma disputa silenciosa entre facções da Guarda Revolucionária, do clero e da velha burocracia ligada ao falecido aiatolá Ali Khamenei.
O novo líder assume o posto em um momento em que o regime enfrenta sanções econômicas profundas, inflação alta e uma sociedade marcada por ciclos sucessivos de protestos desde 2019. A repressão recente, que deixa dezenas de milhares de mortos segundo Hegseth, cria um ambiente de medo, mas também de ressentimento. Em situações assim, a imagem física do líder — saudável, presente, capaz de falar diretamente ao público — torna-se peça central para sustentar a ideia de continuidade do poder.
Mercado de petróleo, diplomacia e o que pode vir a seguir
A combinação de um comando iraniano sob questionamento e de uma postura agressiva no Estreito de Ormuz tende a manter a volatilidade do petróleo nas próximas semanas. Investidores monitoram cada sinal de mudança na postura de Teerã ou de Washington, atentos a qualquer gesto que indique abertura de negociação ou risco de fechamento prolongado da rota marítima. Um bloqueio duradouro pode encarecer o barril em dezenas de dólares, com impacto direto sobre inflação e juros em várias economias.
No tabuleiro diplomático, aliados americanos no Golfo pressionam por garantias de proteção, enquanto potências como China e Rússia buscam explorar o desgaste de Teerã com o Ocidente. Dentro do Irã, a narrativa de um líder ferido e desfigurado pode ser usada tanto para mobilizar sentimento nacionalista contra os EUA quanto para expor fissuras internas na elite política. A dúvida sobre a real condição de Mojtaba Khamenei e sobre a capacidade militar do país permanece sem resposta pública. Em um cenário em que voz e imagem valem tanto quanto mísseis, a próxima aparição — ou a ausência dela — ajuda a definir o rumo da crise.
