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Organizadas cobram elenco do Corinthians em reunião no CT

Líderes das principais torcidas organizadas do Corinthians cobram elenco e diretoria em reunião no CT Dr. Joaquim Grava, na tarde desta sexta-feira (13), após quatro jogos sem vitória. Jogadores admitem má fase, pedem desculpas e prometem mudança imediata de postura às vésperas do clássico contra o Santos pelo Brasileirão.

Pressão cresce após sequência de resultados ruins

O encontro ocorre dois dias depois da derrota por 2 a 0 para o Coritiba, na Neo Química Arena, pela quinta rodada do Campeonato Brasileiro. O revés amplia para quatro o número de partidas sem vitória em 2026 e expõe um início de temporada abaixo das expectativas para um elenco montado para brigar na parte de cima da tabela.

A diretoria abre as portas do CT e autoriza a presença de representantes de Gaviões da Fiel, Camisa 12, Pavilhão 9, Estopim da Fiel, Coringão Chopp e Fiel Macabra. O gesto, incomum em momentos de maior tensão, busca canalizar a insatisfação das arquibancadas para uma conversa controlada, depois dos protestos ruidosos ouvidos na noite de quarta-feira em Itaquera.

No comunicado divulgado pelas torcidas poucas horas após a reunião, a crítica é direta. O texto fala em “apatia e falta de entrega” e afirma que esse comportamento não combina com a história do clube. A cobrança recai sobre elenco e comissão técnica, mas também respinga na gestão do presidente Osmar Stabile e do executivo de futebol Marcelo Paz, que acompanham todo o encontro.

O mote da carta é simples e contundente: o torcedor aceita derrota, mas não tolera time apático. O contraste com o discurso do início da temporada, que projetava briga por títulos e manutenção do protagonismo regional após o título paulista de 2025, aumenta o peso político da manifestação.

Reconhecimento de erros e promessa de reação imediata

Durante a conversa, jogadores reconhecem o desempenho abaixo do esperado contra o Coritiba e em outros jogos recentes. Memphis Depay e Rodrigo Garro, dois dos principais nomes do elenco, admitem diante dos torcedores que vivem um momento técnico ruim em 2026 e prometem reação. A postura contrasta com a irritação vista no pós-jogo de quarta-feira, quando parte do grupo deixa o gramado sob vaias.

O lateral-esquerdo Matheus Bidu tem uma conversa à parte com os líderes das organizadas. Ele pede desculpas por declarações dadas na zona mista da Neo Química Arena, quando pede que a torcida “não esqueça” o desempenho do Corinthians em 2025. A fala cai mal em um estádio já impaciente com o rendimento atual. No texto das torcidas, Bidu é citado como alguém que “prontamente reconheceu o seu erro” e renovou o compromisso de honrar a camisa.

As organizadas também convidam o técnico Dorival Júnior para participar da reunião. O treinador, porém, deixa o CT mais cedo por “motivos pessoais” e não acompanha o encontro. A ausência alimenta discussões nas redes sociais, mas, por ora, não há indicação de mudança na comissão técnica. O foco, segundo o comunicado, recai sobre a postura coletiva do elenco.

A eliminação para o Novorizontino na semifinal do Campeonato Paulista, ainda em disputa de pênaltis, segue como ferida aberta. A queda impede o bicampeonato estadual e expõe fragilidades que a pausa para treinamentos não consegue corrigir. A classificação dramática contra a Portuguesa, também nos pênaltis, e a sequência negativa no início do Brasileirão reforçam a sensação de que o time não evolui.

No documento, as torcidas relatam que os atletas se comprometem a apresentar “mais entrega, dedicação e responsabilidade” já na próxima partida. A frase ecoa um discurso conhecido no futebol, mas ganha outro peso quando vem acompanhada da presença física dos torcedores no ambiente de trabalho dos jogadores e da diretoria.

Clássico contra o Santos vira teste imediato de resposta

O calendário não oferece tempo para digestão longa. No domingo (15), às 16h, o Corinthians visita o Santos pelo Brasileirão e encara o primeiro grande teste após a cobrança no CT. O último encontro entre os rivais, pela fase de liga do Paulistão, termina empatado na Vila Belmiro. Agora, o contexto é diferente: o Corinthians entra pressionado por desempenho e resultado.

Uma vitória no clássico pode aliviar a temperatura nas arquibancadas, reduzir a pressão sobre Dorival e dar fôlego a jogadores contestados. Um novo tropeço, sobretudo se vier acompanhado de atuação apática, tende a ampliar o ruído político no clube e a fortalecer grupos internos que cobram mudanças mais profundas, inclusive na condução do departamento de futebol.

A influência das torcidas organizadas volta ao centro do debate. A presença dentro do CT expõe o grau de engajamento, mas também reacende a discussão sobre os limites dessa proximidade. Para parte dos torcedores, a cobrança direta preserva a identidade de um clube que nasce da mobilização popular. Para outros, o gesto ultrapassa a fronteira do aceitável e pressiona além da conta um elenco que já mostra fragilidade emocional.

A diretoria tenta equilibrar essas forças. Ao abrir as portas do CT, o clube assume o risco calculado de transformar uma crise difusa em um evento controlado, com atas, comunicados e promessas públicas. Se o time reage em campo, o encontro desta sexta-feira entra no arquivo como ponto de virada da temporada. Se a apatia persiste, a mesma reunião será lembrada como mais um capítulo de um processo de desgaste que o Corinthians conhece bem em sua história recente.

Os próximos 90 minutos, na Vila Belmiro, valem mais do que três pontos. Servem como termômetro da relação entre arquibancada, elenco e direção em 2026. A pergunta que paira sobre o CT Dr. Joaquim Grava é simples e decisiva: a promessa feita diante das organizadas vai, enfim, aparecer dentro de campo?

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