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EUA dizem que novo líder do Irã está ferido, desfigurado e escondido

O secretário de Guerra dos Estados Unidos, Pete Hegseth, afirma nesta sexta-feira (13/3) que o aiatolá Mojtaba Khamenei, novo líder supremo do Irã, está ferido, provavelmente desfigurado, e escondido em bunkers subterrâneos. A declaração aprofunda a incerteza sobre o comando em Teerã e eleva a tensão em um Oriente Médio já em chamas.

Liderança sob suspeita em meio à guerra

Hegseth faz o ataque mais direto à cúpula iraniana desde o início da atual escalada militar. Em coletiva nos Estados Unidos, ele descreve um regime encurralado, com baixa capacidade de combate e um líder invisível ao próprio país. O alvo é Mojtaba Khamenei, sucessor de Ali Khamenei, que assume em meio a bombardeios, protestos e colapso econômico.

As acusações surgem um dia depois do primeiro pronunciamento oficial do novo líder, transmitido na quinta-feira (12/3) pela TV estatal. A emissora exibe apenas um comunicado lido por um locutor, sem imagem nem áudio do aiatolá. Para Washington, o silêncio visual é a principal pista de que Mojtaba está gravemente ferido. “Foi um pronunciamento fraco, sem voz nem vídeo”, diz o secretário. “O Irã tem várias câmeras e microfones, por que um pronunciamento escrito? Acho que vocês sabem o porquê.”

Hegseth afirma ter recebido relatos de que o líder está “ferido e provavelmente desfigurado”, abrigado em instalações subterrâneas construídas para resistir a ataques aéreos. Sem apresentar provas públicas, ele aposta na imagem de um governo recolhido ao subsolo para sustentar a narrativa de um regime à beira da ruptura. “A situação da liderança iraniana não está nada melhor: desesperados, eles foram para o subterrâneo para se esconder. É o que ratos fazem”, dispara.

Capacidade militar em xeque e risco de escalada

As declarações também miram o coração do aparato militar iraniano. Segundo Hegseth, a força aérea do Irã “não é mais funcional” e a Marinha está “no fundo do Golfo Pérsico”, após sucessivas ofensivas. Ele diz que a capacidade de lançamento de mísseis diminui a cada semana, sob pressão de ataques a depósitos, radares e centros de comando. Ao pintar esse quadro de fragilidade, Washington tenta mostrar que a capacidade de resposta de Teerã é limitada, mesmo com o aumento das ameaças.

Do lado iraniano, a mensagem é outra. No texto lido na TV, Mojtaba Khamenei promete manter os ataques contra bases americanas no Oriente Médio e assegurar o fechamento do Estreito de Ormuz, gargalo por onde passam até 20% das exportações globais de petróleo. Uma autoridade de Teerã admite, sob anonimato, que alguns navios recebem autorização para cruzar o estreito, sem detalhar quais países são favorecidos. O recado é que o regime ainda controla um dos principais botões de pressão sobre a economia mundial.

O estreito se torna novamente um termômetro da crise. Desde o início da ofensiva, analistas acompanham a movimentação de navios petroleiros, comboios militares e rotas alternativas traçadas por grandes traders de energia. O histórico da região mostra como qualquer interrupção prolongada pode empurrar o preço do barril para patamares recordes. Em conflitos anteriores, cortes parciais já foram suficientes para elevar as cotações em dezenas de dólares em poucos dias.

Hegseth tenta acalmar aliados e mercados. “O Irã demonstra desespero puro no Estreito de Ormuz. Estamos lidando com isso, não há com o que se preocupar”, afirma. O discurso contrasta com o temor de diplomatas europeus e asiáticos, que veem risco de incidentes envolvendo navios civis e de ataques indiretos a infraestruturas de energia na região, como oleodutos, terminais portuários e refinarias.

Crise interna, legitimidade abalada e próximos passos

As dúvidas sobre o estado de saúde e a visibilidade pública de Mojtaba Khamenei se somam a uma crise doméstica profunda. Nos últimos meses, protestos em dezenas de cidades resultam na morte de “dezenas de milhares de manifestantes”, segundo a própria narrativa de Hegseth. O novo líder pede unidade nacional depois do banho de sangue, mas faz isso por escrito, sem se expor nem por alguns segundos à câmera estatal.

Para Washington, o contraste é revelador. “Ele está com medo, ferido e escondido, e não tem legitimidade. A situação está uma bagunça. Quem está no comando? Nem o Irã sabe”, provoca o secretário. A frase resume o cálculo político americano: ao enfraquecer a imagem do líder, a Casa Branca tenta acelerar fissuras internas no regime e reduzir o espaço de manobra de Teerã nas frentes militar e diplomática.

Especialistas em Irã lembram que momentos de transição na liderança religiosa e política costumam abrir disputas silenciosas entre Guardas Revolucionários, clérigos e tecnocratas. A ausência de aparições públicas de Mojtaba, somada ao peso dos ataques israelenses e americanos desde o fim de fevereiro, alimenta especulações sobre rearranjos de poder em Teerã. Um cenário de disputa interna pode tanto conter quanto ampliar o ímpeto por retaliações regionais.

O governo americano, por sua vez, insiste que não busca uma guerra aberta com o Irã e descarta, por ora, expansão formal do conflito. Hegseth repete que as forças dos EUA “estão preparadas para tudo o que o Irã tem feito na região do estreito”, enquanto critica setores da imprensa doméstica por suposto alarmismo. Nos bastidores, aliados europeus pressionam por canais de diálogo que evitem erros de cálculo, sobretudo em áreas onde militares dos dois lados operam a poucos quilômetros de distância.

A noite desta sexta-feira termina com mais perguntas do que respostas sobre o real estado de Mojtaba Khamenei. Se o líder está, de fato, ferido e escondido, o regime enfrenta um teste de sobrevivência raro em mais de quatro décadas. Se Washington exagera o quadro para provocar fissuras internas, arrisca empurrar Teerã para ações imprevisíveis. A próxima aparição — ou ausência — do aiatolá pode dizer tanto sobre o futuro do Irã quanto sobre o rumo da crise no Oriente Médio.

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