EUA oferecem até US$ 10 mi por informações sobre cúpula da Guarda iraniana
O governo dos Estados Unidos oferece até US$ 10 milhões por informações sobre líderes da Guarda Revolucionária Islâmica do Irã. O anúncio é feito nesta sexta-feira (13), em meio à escalada do conflito no Oriente Médio.
Recompensa mira Mojtaba Khamenei e núcleo do poder iraniano
A oferta de recompensa inclui integrantes da cúpula da Guarda Revolucionária e alcança o líder supremo iraniano, Mojtaba Khamenei, que assume o comando do país após a morte do pai no início da guerra. O cartaz é divulgado pela conta oficial do programa Rewards for Justice, do Departamento de Estado americano, que tradicionalmente remunera informações ligadas a terrorismo e ameaças à segurança dos EUA.
O material afirma que os alvos da recompensa comandam ou coordenam elementos da Guarda Revolucionária, organização que Washington acusa de planejar e executar ataques em diferentes continentes. A peça associa diretamente o núcleo civil e militar em torno de Khamenei à estratégia de confronto regional, com impacto direto na guerra em curso e na segurança de rotas energéticas globais.
Segundo o texto divulgado, Mojtaba Khamenei “segue conduzindo a estratégia iraniana no conflito” e mantém a orientação de pressão militar sobre Israel e seus aliados. Em declaração recente, ele promete sustentar ataques contra o território israelense e manter o fechamento do Estreito de Ormuz, por onde passa cerca de 20% do petróleo negociado no mundo. O bloqueio prolongado dessa passagem estratégica pressiona preços globais de energia e alimenta o temor de recessão em economias dependentes de importação.
O secretário de Guerra dos EUA, Pete Hegseth, afirma que o líder iraniano pode ter ficado ferido e “possivelmente desfigurado” no início da guerra, embora não apresente provas públicas. A declaração alimenta especulações sobre o real estado de saúde de Khamenei e o grau de controle direto que ele exerce hoje sobre as operações militares e de inteligência iranianas.
Entre os nomes citados no cartaz aparece Ali Larijani, descrito como assessor do líder supremo e secretário do Conselho Supremo de Segurança Nacional do Irã. O órgão funciona como um dos centros de decisão mais sensíveis do regime, responsável por articular política externa, defesa e segurança interna. A inclusão de Larijani indica que Washington mira não apenas a estrutura formal da Guarda, mas também a rede política que sustenta o aparelho militar.
Também constam no material Ali Asghar Hejazi, vice-chefe de gabinete do escritório do líder supremo, e Yahya Rahim Safavi, assessor militar próximo a Khamenei. O cartaz menciona ainda outros integrantes em posições ligadas à cadeia de comando da Guarda Revolucionária, numa tentativa de mapear publicamente o círculo de decisão do regime em meio à guerra.
Pressão máxima em meio à escalada no Oriente Médio
A ofensiva americana ocorre enquanto o conflito no Oriente Médio entra em uma fase mais imprevisível. A combinação de ataques diretos entre Irã e Israel, a ameaça contínua ao Estreito de Ormuz e a atuação de grupos aliados de Teerã em países vizinhos recria o cenário de um confronto regional ampliado. Ao oferecer até US$ 10 milhões por informações, Washington aposta em fissuras internas no sistema de segurança iraniano e em possíveis dissidentes dentro da máquina estatal.
O programa Rewards for Justice informa que denúncias podem ser enviadas por canais criptografados, como um endereço na rede Tor e o aplicativo Signal, ferramentas conhecidas pelo alto grau de proteção de dados. O governo americano promete confidencialidade, possibilidade de realocação para outros países e compensação financeira significativa a quem colaborar. Essa combinação tenta atrair militares, funcionários públicos e intermediários com acesso a informações sensíveis, mesmo em um ambiente de vigilância rígida.
Desde a Revolução Islâmica de 1979, a Guarda Revolucionária se consolida como um dos pilares do regime, com influência militar, política e econômica. A corporação controla unidades de elite, comandos externos e parte relevante do setor de infraestrutura e energia do país. Ao mirar o topo dessa estrutura, os EUA tentam enfraquecer o cérebro operacional da estratégia iraniana, que inclui apoio a grupos armados na região e operações clandestinas fora do Oriente Médio.
Especialistas em segurança ouvidos por veículos internacionais apontam que recompensas desse porte costumam ter efeito lento, mas podem desestabilizar redes de confiança dentro de regimes fechados. Ao aumentar o custo de manter segredos, Washington pressiona o círculo interno do poder iraniano e sinaliza que pretende manter a estratégia de “pressão máxima” mesmo durante a guerra.
Para aliados dos EUA no Oriente Médio, a medida é um recado político de que Washington não abandona o terreno de inteligência, mesmo diante de críticas internas ao envolvimento na região. Para Teerã, o cartaz exposto em redes sociais é visto como tentativa de humilhação pública da liderança do regime e uma forma indireta de encorajar traições entre oficiais da Guarda.
Riscos de reação iraniana e incertezas à frente
A nova rodada de pressão aumenta o risco de retaliação iraniana, seja no campo diplomático, seja por meio de ações militares e cibernéticas. O regime pode responder com prisões de suspeitos de colaborar com potências estrangeiras, endurecimento de leis de segurança interna e novos testes de mísseis como demonstração de força. A narrativa oficial tende a classificar a recompensa como prova de hostilidade americana e ingerência em assuntos internos.
A oferta milionária também cria um ambiente mais perigoso para eventuais informantes. Redes de contrainteligência iranianas ampliam o monitoramento de comunicações e deslocamentos, enquanto grupos rivais dentro do próprio regime tentam usar a suspeita mútua a seu favor. O uso de canais criptografados, como Tor e Signal, mostra a preocupação de Washington em proteger fontes, mas não elimina o risco de rastreamento por serviços de segurança experientes.
No cenário internacional, a iniciativa deve acentuar a divisão entre países alinhados aos EUA e governos que defendem uma saída negociada e criticam sanções e ações unilaterais. Estados europeus e asiáticos, dependentes do petróleo que cruza o Estreito de Ormuz, acompanham com atenção qualquer movimento que possa prolongar o bloqueio ou provocar um choque de oferta no mercado energético.
Diplomatas veem pouca margem imediata para um recuo rápido de Teerã diante da pressão. Ao mesmo tempo, avaliam que o cerco econômico e militar, somado a medidas como a recompensa por informações sobre Mojtaba Khamenei e sua cúpula, pode abrir espaço para negociações mais adiante, se o custo interno da guerra se tornar insustentável. Até lá, a disputa por informação e influência dentro da Guarda Revolucionária tende a se intensificar, com impacto direto na estabilidade do Oriente Médio e nos preços da energia ao redor do mundo.
