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Lucas Veríssimo ainda treina à parte e adia estreia pelo Santos

Contratado no fim da janela para ser referência na zaga, Lucas Veríssimo ainda treina com limitações físicas e não tem data para estrear pelo Santos em 2026.

Santos espera solução para defesa, mas estreia segue sem previsão

O retorno de Lucas Veríssimo à Vila Belmiro, confirmado no dia 3 de março, nasce como aposta pesada do Santos para consertar um setor em crise. A equipe de Juan Pablo Vojvoda sofre com falhas defensivas desde o início da temporada e vê no zagueiro revelado na casa um líder capaz de reorganizar a linha de trás.

O plano, porém, esbarra no calendário e nas condições físicas do jogador. Apresentado apenas na semana do dia 12, depois de atrasos de voo causados pelo cenário instável no Catar, Lucas passa por uma bateria de avaliações e treina de forma isolada no CT. Ele está no campo, mas ainda não participa de atividades com contato ou trabalhos táticos com o elenco principal.

O jornalista Lucas Musetti informa que o defensor cumpre uma rotina específica, desenhada pelo departamento médico e pela preparação física, para ajustar a carga de treinos e reduzir riscos de lesão. O clube evita falar em prazo público, enquanto a comissão técnica mede cada passo para não transformar uma solução em novo problema.

Na chegada ao Aeroporto de Guarulhos, na quinta-feira, 12 de março, Lucas adota um discurso otimista. “Feliz que as coisas acabaram acontecendo. Agora é uma nova história que vamos fazer. Vinha jogando, estava com ritmo de jogo. Nesse período recente acabei treinando separado, sozinho, mas não perdi ritmo, nada. Vamos deixar eles verem com calma”, afirma o zagueiro, já com a camisa alvinegra nas mãos.

O Santos, pressionado por resultados e desempenho, tenta acelerar o processo sem atropelar as etapas técnicas. Entre os departamentos de futebol, saúde e comissão técnica, a ordem é clara: o defensor só estreia quando estiver pronto para atuar em alto nível, sem limitações físicas.

Defesa em xeque, técnico pressionado e expectativa na Vila Belmiro

A urgência por Lucas Veríssimo nasce de um contexto duro. A equipe sofre gols em série e convive com falhas de posicionamento, bolas aéreas mal defendidas e desatenções em momentos decisivos. O empate por 2 a 2 com o Mirassol, com dois gols de Gabigol, ilustra o quadro: o ataque reage, mas a defesa segue vazando em jogos que poderiam ser controlados.

Juan Pablo Vojvoda, contratado com status de aposta ofensiva e moderna, entra na mira interna e externa. O custo estimado de sua passagem pelo clube, na casa de R$ 12 milhões, amplia a cobrança por respostas em campo. Cada gol sofrido pressiona a diretoria, que investe em nomes de peso para estancar a sangria e se afastar de uma nova crise esportiva e financeira.

Lucas volta ao Santos em um patamar diferente daquele jovem zagueiro promovido ao profissional em 2015. Entre 2015 e 2021, ele se firma como titular, disputa grandes jogos, vai ao Benfica e retorna ao Brasil em 2023 para defender o Corinthians. A passagem recente pelo futebol do Catar adiciona experiência internacional, mas também um desafio de readaptação ao ritmo intenso do calendário brasileiro.

Na Vila Belmiro, dirigentes e comissão veem no defensor alguém capaz de organizar a linha, orientar jovens, ajustar posicionamento e dar segurança a um time que ataca com muitos jogadores. A contratação “no apagar das luzes” da janela mostra a disposição da diretoria em buscar solução imediata, mesmo em um mercado inflacionado e restrito.

O elenco sente a movimentação. A simples presença de Lucas no CT eleva a disputa por posição e mexe na hierarquia do vestiário. Zagueiros que vinham atuando sabem que um erro em clássico pode custar vaga quando o reforço estiver pronto. Ao mesmo tempo, a chegada de um nome identificado com o clube tende a fortalecer o discurso de reconstrução diante da torcida.

Clássico contra o Corinthians e o que muda com a estreia

O próximo capítulo dessa história passa pelo clássico contra o Corinthians, marcado para domingo, 15 de março, às 16h, na Vila Belmiro. O Santos deve ir a campo com Gabriel Brazão; Igor Vinícius, Adonis Frías, Luan Peres e Vinicius Lira; Willian Arão, João Schmidt e Neymar; Barreal, Rony e Gabigol. Lucas Veríssimo, salvo mudança de última hora, ainda observa de fora.

A ausência do reforço de impacto obriga Vojvoda a insistir em uma base que ainda não convence defensivamente. Uma boa atuação contra o rival, sem sofrer tanto atrás, pode aliviar a pressão e dar tempo para que o zagueiro seja integrado com mais calma. Uma nova partida insegura, porém, tende a aumentar o clamor das arquibancadas por uma estreia imediata.

A médio prazo, a expectativa interna é que Lucas se torne titular absoluto e referência técnica. O clube aposta que, com ele em campo, o número de gols sofridos caia de forma sensível e o time consiga transformar empates e derrotas apertadas em vitórias. Cada ponto faz diferença em uma temporada que não permite novos erros de planejamento.

Dirigentes tratam a adaptação física como etapa final de um processo que começou ainda em fevereiro, nas negociações com o jogador e com seu clube no Catar. A instabilidade regional atrasou o voo, mas não derrubou o acordo. A partir de agora, a disputa deixa os bastidores e se concentra no gramado da Vila.

O torcedor santista, acostumado a ver Lucas Veríssimo crescer de promessa a protagonista antes da ida para a Europa, volta a olhar para o número 3 como símbolo de uma defesa mais sólida. Resta saber se o corpo do zagueiro acompanha a expectativa do clube e da arquibancada ou se a estreia seguirá adiada em uma temporada que cobra pressa a cada rodada.

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