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Cleitinho lidera disputa em MG, mas enfrenta maior rejeição

O senador Cleitinho (Republicanos) lidera todos os cenários em que aparece como candidato ao governo de Minas Gerais, indica pesquisa Real Time Big Data divulgada nesta sexta-feira 13. O levantamento, feito com 2 mil eleitores entre 11 e 12 de março, mostra Rodrigo Pacheco (PSD/União Brasil) em segundo lugar e expõe um quadro de disputa aberta, marcado por alta rejeição ao favorito.

Cenário eleitoral ainda em formação

O novo retrato do eleitor mineiro chega em um momento de arrumação de palanques e negociação de alianças. A oito meses das eleições estaduais, partidos testam nomes e discursos para medir fôlego e rejeição em um estado decisivo para qualquer projeto nacional. A pesquisa foi registrada no Tribunal Superior Eleitoral sob o código MG-06562/2026 e tem margem de erro de dois pontos percentuais, para mais ou para menos.

Cleitinho aparece à frente em todas as simulações em que seu nome é apresentado, sempre seguido por Rodrigo Pacheco. O presidente do Senado, hoje no PSD e em processo de migração para o União Brasil, surge como principal adversário do colega de plenário e como aposta preferencial do presidente Luiz Inácio Lula da Silva para a sucessão mineira. Nos cenários em que Cleitinho não é opção, Pacheco assume a liderança e consolida a posição de polo alternativo.

Um terceiro eixo se forma em torno do ex-prefeito de Belo Horizonte Alexandre Kalil (PDT). Em cenário sem a presença dos dois senadores, Kalil lidera a corrida pelo Palácio Tiradentes e confirma que mantém capital político relevante na Grande BH e em parte do interior. Seu desempenho sinaliza que o eleitorado mineiro ainda reserva espaço para um nome identificado com a gestão municipal e com o campo progressista, mesmo após a derrota na disputa estadual de 2022.

Liderança acompanhada de alta rejeição

O dado que chama mais atenção, porém, é a combinação entre força eleitoral e resistência ao nome de Cleitinho. O senador lidera a intenção de voto, mas também é o mais citado quando os entrevistados apontam em quem não votariam para o governo. Alexandre Kalil vem logo atrás nesse ranking de rejeição, em situação de empate técnico, o que reforça o grau de polarização em torno dos dois.

Essa sobreposição de liderança e rejeição coloca Cleitinho diante de um desafio estratégico. O potencial de crescimento depende da capacidade de reduzir resistências fora de sua base fiel, hoje concentrada em segmentos conservadores do eleitorado urbano e do interior. A campanha terá de equilibrar o discurso crítico à política tradicional com acenos a setores moderados que ainda veem o senador com desconfiança.

Rodrigo Pacheco tenta ocupar exatamente esse espaço intermediário. À frente do Senado desde 2021, o mineiro constrói uma imagem de articulador institucional e aposta no apoio do governo Lula para ampliar sua competitividade, sobretudo em regiões em que o petismo é mais forte. A eventual migração para o União Brasil, partido com maior tempo de TV e estrutura nacional, é parte dessa estratégia de expansão.

Senado abre espaço para avanço do PT

O Real Time Big Data também mede o humor do eleitor mineiro na disputa pelas duas vagas ao Senado que se abrem em 2026. No único cenário testado, quem aparece na frente é a prefeita de Contagem, Marília Campos (PT). A petista, que administra o terceiro maior município da região metropolitana de Belo Horizonte, desponta como nome competitivo para a Câmara Alta e reforça a presença do partido em Minas.

A pesquisa aponta um pelotão embolado na briga pela segunda vaga, com quatro pré-candidatos tecnicamente empatados dentro da margem de erro de dois pontos. O resultado expõe um cenário fragmentado, em que o desempenho regional, a força das máquinas municipais e a capacidade de alianças devem pesar tanto quanto a exposição em campanhas nas redes e no horário eleitoral.

A liderança de Marília tem leitura imediata em Brasília. O PT, que há anos tenta reconstruir sua musculatura em Minas após derrotas em disputas ao governo e ao Senado, vê na prefeita uma ponte com segmentos populares da região metropolitana. O bom desempenho em um primeiro teste estadual fortalece a sigla nas negociações por palanques cruzados e apoios para a eleição de governador.

Partidos ajustam estratégias para uma disputa em aberto

Os números divulgados nesta sexta-feira funcionam como mapa preliminar para as próximas rodadas de negociação. No campo de Cleitinho, o desafio é transformar a liderança em intenção de voto em uma candidatura sólida, capaz de enfrentar o peso da rejeição. A resposta passa pela escolha de aliados regionais, pela montagem de chapas proporcionais competitivas e por uma comunicação menos restrita à base mais radicalizada.

Rodrigo Pacheco entra na fase decisiva de sua transição partidária. A definição sobre a filiação ao União Brasil e a formalização do apoio de Lula tendem a redesenhar alianças em municípios-chave, especialmente na Grande BH e no Triângulo. A pesquisa de agora oferece um ponto de partida para medir o efeito dessas movimentações ao longo do primeiro semestre.

Alexandre Kalil observa de perto a movimentação dos dois senadores. O desempenho à frente em cenário sem eles indica que ainda há demanda por um nome já testado nas urnas e identificado com gestão local. A decisão sobre entrar ou não na corrida estadual, ou mirar uma vaga ao Senado, deve considerar esse espaço configurado pelo levantamento.

Em Contagem, Marília Campos ganha fôlego para negociar de outra posição com a direção nacional do PT e com partidos aliados. A prefeita passa a ser vista não apenas como liderança municipal, mas como peça relevante no tabuleiro estadual. A dúvida que se coloca, a partir de agora, é se o quadro de hoje resistirá à entrada oficial das campanhas, ao escrutínio mais intenso sobre os candidatos e ao impacto de novas pesquisas que inevitavelmente virão.

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