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CPI do INSS convoca ex-noiva e cunhado de Vorcaro para depoimento

A CPI do INSS marca para 12 de março de 2026 os depoimentos da modelo e empresária Martha Graeff e de Fabiano Zettel, cunhado do ex-banqueiro Daniel Vorcaro. Os dois são chamados a explicar suspeitas de participação na rede de influência e nos bastidores das fraudes ligadas ao Banco Master, que já movimentam bilhões e colocam autoridades do topo do poder sob escrutínio.

Congresso mira rede de influência do caso Banco Master

A convocação de Martha e Zettel, aprovada na CPI instalada no Congresso Nacional, em Brasília, abre uma nova frente na investigação sobre fraudes que atingem o INSS e o sistema financeiro. Os parlamentares querem entender como a estrutura em torno de Vorcaro, dono do Banco Master, articula encontros, eventos e acessos privilegiados a autoridades, enquanto o patrimônio do ex-banqueiro cresce em escala bilionária em pouco tempo.

O pedido de convocação de Martha parte do deputado federal Kim Kataguiri (União Brasil-SP), que atribui à ex-noiva de Vorcaro um papel-chave na intermediação de contatos com ministros de cortes superiores. O parlamentar cita diálogos obtidos pela Polícia Federal em operações anteriores, nos quais Vorcaro relata encontros com o ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal, e demonstra orgulho por discursar para ministros do STF e do Superior Tribunal de Justiça em evento patrocinado por ele em Londres.

Essas conversas surgem a partir de material apreendido pela PF em inquéritos que já revelam um avanço meteórico no patrimônio de Vorcaro, estimado em R$ 1,2 bilhão em apenas um ano. Investigadores veem nesse salto um dos indícios de que a engrenagem financeira do Banco Master se apoia em operações irregulares, algumas com impacto direto sobre benefícios e contratos ligados ao INSS.

Eventos, jatinhos e suspeita de blindagem política

Os deputados buscam respostas para uma pergunta central: de que forma a vitrine social de Martha e a atuação de Fabiano Zettel, apontado como operador próximo ao ex-banqueiro, ajudam a sustentar a blindagem política e jurídica de Vorcaro. Em requerimento, Kataguiri afirma que a oitiva da modelo é “indispensável para confirmar a identidade das pessoas presentes no ambiente privado do investigado e o contexto das interações ali ocorridas”.

O parlamentar quer que Martha detalhe a organização de viagens e eventos patrocinados por Vorcaro, dentro e fora do país, nos quais ministros do STF e do STJ são convidados de honra. A CPI pretende rastrear se jatinhos registrados em nome de empresas ligadas ao Banco Master, ou outros ativos hoje sob investigação, financiam a logística desses encontros. A dúvida é se o luxo à disposição do círculo do ex-banqueiro vem de recursos lícitos ou de dinheiro desviado de operações com fundos de previdência e contratos com órgãos públicos.

Fabiano Zettel, cunhado de Vorcaro, também é chamado a explicar sua participação na operação das supostas fraudes. Em investigações paralelas, ele surge como figura de confiança do ex-banqueiro, com trânsito entre contas, empresas de fachada e interlocutores em Brasília. A CPI vê na presença de Zettel um elo entre o núcleo financeiro do esquema e a frente política que tentaria suavizar investigações e decisões de reguladores.

O ex-diretor do Banco Master Luiz Antonio Bull completa o trio de convocados. Ele é suspeito de atuar na estrutura interna das operações contestadas, oferecendo conhecimento técnico e institucional para manobras que agora estão sob lupa. A presença de um ex-dirigente no painel de depoentes ajuda a CPI a confrontar versões e a reconstruir a linha do tempo das decisões que precipitam a crise do banco e a liquidação posterior determinada pelo Banco Central.

Fraudes no INSS, crise de confiança e efeitos políticos

As fraudes que a CPI tenta detalhar envolvem o uso de operações financeiras complexas para drenar recursos ligados à previdência, empurrando perdas para fundos públicos e investidores. O caso atinge aposentados, pensionistas e contribuintes que dependem da solidez do INSS e do sistema de fiscalização estatal. Cada novo capítulo da investigação pressiona o Congresso a rever brechas regulatórias que permitem que bancos médios acumulem riscos sem transparência adequada.

O escândalo extrapola fronteiras ao misturar jatos particulares, festas internacionais, influenciadores, ministros de tribunais superiores e cifras bilionárias. A imagem do sistema financeiro brasileiro sofre desgaste, enquanto investidores estrangeiros e agências de risco acompanham, com atenção redobrada, a capacidade do país de punir abusos e reforçar mecanismos de controle. No plano interno, o caso alimenta o discurso de adversários políticos que apontam uma promiscuidade histórica entre dinheiro de bancos, campanhas eleitorais e decisões de cúpula em Brasília.

A vida pessoal de Martha também entra em cena, ainda que à margem dos autos. Pessoas próximas ao ex-casal afirmam que ela rompe a relação em novembro do ano anterior, após a primeira prisão de Vorcaro. O pai da modelo, o designer Tomas Graeff, publica mensagem emocionada no Dia da Mulher para defender a filha do que chama de “injustiça, ódio e violência sistêmica”. A reação ilustra a disputa de narrativa em torno da ex-noiva: para parte da opinião pública, ela é peça de um tabuleiro de poder; para a família, alvo colateral de um escândalo que não controla.

Depoimentos podem redefinir investigação e cenário político

Os depoimentos de 12 de março ocorrem em um momento em que a CPI acumula documentos da Polícia Federal, dados bancários e relatos sigilosos de ex-funcionários do Banco Master. A estratégia dos parlamentares é confrontar o que já está no papel com a versão dos convocados, para medir contradições e avançar na responsabilização criminal. As falas de Martha, Zettel e Bull podem subsidiar novos pedidos de prisão, denúncias ao Ministério Público e devassas adicionais em outras instituições financeiras com perfil semelhante ao Master.

O impacto político também é direto. Se ficar comprovado que jatinhos, eventos de luxo e patrocínios internacionais servem como moeda de influência sobre autoridades, o Congresso será pressionado a apertar regras de transparência para bancos, fundos de previdência e relações com agentes públicos. A CPI do INSS, que começa voltada para fraudes técnicas, pode terminar com propostas de mudanças estruturais na fiscalização do sistema financeiro e na governança da própria previdência. A forma como Martha, Zettel e Bull escolhem responder, silenciar ou negociar colaborações ajudará a definir se o caso se encerra com alguns nomes isolados ou se abre uma nova temporada de investigações sobre a relação entre poder econômico e decisões do Estado.

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