Savarino brilha sem gol e ganha força no Fluminense de Zubeldía
Savarino assume a vaga de titular, participa diretamente da construção ofensiva e se torna protagonista na vitória do Fluminense por 2 a 0 sobre o Remo, nesta quinta-feira (quinta rodada do Brasileiro), no Mangueirão, em Belém. O atacante de 29 anos não marca, mas dita o ritmo do time, se entende com Lucho Acosta e sai de campo sob elogios de torcedores nas redes sociais.
Atuação que muda o jogo, mesmo sem balançar a rede
O placar registra os gols de John Kennedy e Canobbio, mas a atuação de Savarino ocupa o centro da conversa tricolor após a partida. Escalado por Luis Zubeldía desde o início, o venezuelano se movimenta por todo o setor ofensivo, abre espaços, puxa contra-ataques e estabelece conexão rápida com Lucho Acosta, outro destaque da noite no Pará.
A cada ataque, o desenho se repete. Savarino se aproxima da bola, oferece opção de passe, arrasta a marcação e cria condições para que os companheiros finalizem. O entendimento com Acosta aparece cedo: tabelas curtas, inversões de lado e trocas de posição confundem a defesa do Remo, que sofre para acompanhar o ritmo imposto pelo Fluminense.
O comportamento em campo ajuda a explicar o volume de jogo tricolor no Mangueirão. O time controla a posse, acelera quando precisa e diminui a velocidade para administrar a vantagem construída. Savarino participa da origem de diversas investidas, seja recebendo ainda no meio, seja atacando a última linha rival, sempre com disposição para recompor e pressionar a saída adversária.
Nas redes sociais, a repercussão é imediata. No X, antigos posts de desconfiança dão lugar a mensagens de aprovação. Torcedores chamam o venezuelano de “craque” e tratam sua inclusão entre os titulares como “acerto” de Zubeldía. A boa atuação reforça a sensação de que o atacante, contratado em janeiro, finalmente entra em sintonia com o modelo de jogo tricolor.
Do Botafogo ao Mangueirão: a consolidação de uma aposta longa
A noite em Belém é apenas o oitavo jogo de Savarino com a camisa do Fluminense na temporada 2024. Até aqui, o atacante soma um gol marcado e quatro aparições como titular sob o comando de Luis Zubeldía. O número ainda é modesto no papel, mas ganha outra dimensão quando se observa o impacto coletivo em campo.
A chegada ao clube, no início do ano, ocorre em meio a desconfiança e curiosidade. O Fluminense convence o Botafogo a liberar o jogador em uma negociação que envolve a ida do volante Wallace Davi para o rival. A diretoria tricolor oferece um contrato longo, até dezembro de 2029, sinal claro de que enxerga no venezuelano uma peça de projeto, não apenas de ocasião.
O cenário interno ajuda Savarino. Zubeldía busca ampliar o repertório ofensivo da equipe, reduzir a dependência de um único articulador e acelerar as transições entre meio-campo e ataque. O venezuelano se encaixa nesse plano. Tem velocidade, visão para passes curtos e leitura para ocupar espaços livres entre as linhas, algo que aparece com nitidez contra o Remo.
O entendimento com Lucho Acosta surge como novidade animadora. Os dois se aproximam da bola, trocam posições e dividem a responsabilidade de pensar o jogo. Em vários momentos, Savarino recua até a intermediária para iniciar a jogada, enquanto Acosta aparece mais adiantado, quase como um segundo atacante. O vai e vem desconcerta a marcação e abre caminho para que John Kennedy e Canobbio finalizem.
Internamente, a leitura é de que o Fluminense ganha um novo eixo criativo sem perder profundidade pelos lados. A presença de Savarino permite que o time varie entre o toque curto pelo centro e a bola longa em velocidade. Contra o Remo, essa alternância mantém o adversário em alerta e reduz as brechas para contra-ataques.
Impacto imediato na campanha e disputa por titularidade
A vitória por 2 a 0 consolida o bom momento tricolor no Campeonato Brasileiro e mantém o time competitivo na parte de cima da tabela neste início de maio de 2024. Os três pontos somados em Belém sustentam a sequência positiva construída desde o início da competição e aliviam a pressão natural de um calendário que ainda reserva Libertadores, Copa do Brasil e compromissos regionais ao longo do ano.
No elenco, a atuação de Savarino mexe com hierarquias e força a disputa por posição. O venezuelano entra no time em um setor com concorrência alta, que inclui nomes acostumados a decisões e gols importantes. O espaço conquistado no Mangueirão reforça sua candidatura a vaga fixa entre os 11 de Zubeldía nas próximas rodadas.
O impacto não se resume ao campo. O engajamento da torcida cresce depois do jogo, com publicação de vídeos, análises e comparações com os primeiros compromissos do atacante com a camisa tricolor. A percepção de evolução técnica e física alimenta a expectativa de que o investimento feito em um vínculo até 2029 se justifique também nos números de gols e assistências ao longo da temporada.
Para o clube, o desempenho de um jogador com contrato de cinco anos e meio tem efeito direto no valor de mercado do elenco. Um Savarino consolidado como titular em 2024 amplia o leque de opções esportivas e financeiras: ajuda na briga por títulos nacionais e continentais e, em um segundo momento, pode render negociação vantajosa com o exterior.
Domingo no Maracanã e uma vaga em jogo
O calendário não oferece muito tempo para celebração. No domingo, o Fluminense recebe o Athletico-PR no Maracanã, pela sexta rodada do Campeonato Brasileiro. Em sequência, na quarta-feira seguinte, o time encara o Vasco em clássico que promete arquibancadas cheias e clima de decisão já em início de campeonato.
A tendência é que Savarino comece novamente entre os titulares, sustentado pelo desempenho em Belém e pelo entrosamento com Lucho Acosta. Zubeldía ganha o argumento prático de uma atuação sólida fora de casa, com influência direta do venezuelano na dinâmica coletiva. A resposta do treinador nas próximas escalações indica até que ponto a boa noite no Mangueirão se transforma em status definitivo.
A disputa pela vaga, entretanto, não se encerra em uma partida. A maratona de jogos, combinada às exigências físicas do calendário nacional e continental, cobra regularidade e resistência. A missão de Savarino a partir de agora é repetir, no Maracanã lotado, o protagonismo silencioso que encantou a torcida na quinta-feira paraense. O lugar dele no time de 2024, e possivelmente dos próximos anos, passa por essas próximas noventa minutos.
