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Irã e Hezbollah lançam ataque coordenado com mais de 50 alvos em Israel

A Guarda Revolucionária do Irã e o Hezbollah realizam, nesta fase da guerra iniciada em 28 de fevereiro de 2026, um ataque coordenado contra mais de 50 alvos militares em Israel. A ofensiva combina mísseis balísticos, drones e foguetes e mira bases de norte a sul do território israelense, em represália à morte do aiatolá Ali Khamenei e a bombardeios anteriores de Estados Unidos e Israel.

Irã projeta força após morte de Khamenei

Os disparos partem de diferentes frentes. A Guarda Revolucionária afirma lançar uma série de mísseis balísticos em direção ao que chama de “todos os territórios ocupados”. Quase ao mesmo tempo, o Hezbollah anuncia o emprego de drones de ataque em larga escala e salvas de foguetes contra bases israelenses.

Os alvos se concentram em instalações militares em Haifa, no norte, na região de Tel Aviv, no centro do país, e em Beersheba, no sul, além de outras posições sob controle israelense. Em comunicado, os iranianos descrevem a operação como um ataque “coordenado e integrado” que teria infligido “golpes dolorosos” às capacidades militares de Israel.

O Exército israelense confirma que enfrenta um “ataque coordenado com mísseis” envolvendo o Irã e o Hezbollah, com foco no centro do país. Autoridades militares evitam detalhar danos, mas admitem sobrecarga dos sistemas de defesa aérea diante da combinação de mísseis de longo alcance, drones de baixa altitude e foguetes lançados do Líbano.

O ataque ocorre menos de duas semanas depois da morte do líder supremo iraniano Ali Khamenei em Teerã. Ele é morto em 28 de fevereiro, em uma ofensiva conjunta de Estados Unidos e Israel, que também atinge diversas autoridades do alto escalão do regime e destrói, segundo Washington, dezenas de navios, sistemas de defesa aérea, aviões e outras estruturas militares iranianas.

Guerra se espalha e aprofunda desgaste regional

Desde o início do conflito, o Irã responde com ataques contra Emirados Árabes Unidos, Arábia Saudita, Catar, Bahrein, Kuwait, Jordânia, Iraque e Omã. Teerã afirma mirar apenas bases e interesses de Estados Unidos e Israel nesses países, mas o efeito é mais amplo. A rotina de aeroportos, portos e instalações de energia sofre interrupções, e governos locais reforçam a presença militar em áreas sensíveis.

Organizações de direitos humanos falam em custo humano crescente. A Agência de Notícias de Ativistas de Direitos Humanos, com sede nos EUA, contabiliza mais de 1.200 civis mortos no Irã desde o fim de fevereiro. A Casa Branca relata ao menos sete militares americanos mortos em ataques diretamente ligados à ofensiva iraniana, número que não inclui feridos e desaparecidos.

No Líbano, a entrada plena do Hezbollah no conflito aprofunda um cenário já frágil. O grupo, apoiado e armado por Teerã, intensifica o disparo de foguetes e drones contra o território israelense em resposta à morte de Khamenei. Israel reage com ondas sucessivas de bombardeios a alvos que classifica como infraestrutura militar do Hezbollah. Centenas de pessoas morrem em solo libanês, segundo autoridades locais, entre combatentes e civis de áreas densamente povoadas.

Analistas veem a ação desta semana como o momento em que Teerã testa, de forma mais explícita, sua capacidade de articular ataques simultâneos com aliados regionais. A coordenação com o Hezbollah coloca pressão adicional sobre os sistemas de defesa israelenses e sinaliza a disposição do Irã de manter a escalada em vários tabuleiros ao mesmo tempo.

Impacto militar e risco de escalada global

A ofensiva contra mais de 50 alvos militares expõe vulnerabilidades em bases estratégicas israelenses. Haifa concentra um dos principais portos do país e instalações navais sensíveis; a região de Tel Aviv abriga centros de comando das Forças de Defesa de Israel; Beersheba é um polo logístico e abriga unidades ligadas à defesa antimísseis.

Fontes militares ocidentais, sob reserva, apontam para danos relevantes em depósitos de munição, pistas auxiliares e radares, embora o grosso da infraestrutura continue operacional. A avaliação é que o Irã busca mostrar que pode causar prejuízos concretos ao aparato militar israelense, mesmo sob sanções e sob constante vigilância de serviços de inteligência estrangeiros.

O custo econômico da guerra cresce em paralelo. O governo americano estima que a campanha militar contra o Irã já ultrapassa US$ 11 bilhões em apenas seis dias de operações intensas, valor que tende a aumentar com a necessidade de reposição de mísseis interceptores, bombas guiadas e manutenção de navios e aeronaves mobilizados na região.

Empresas do setor de energia e de transporte marítimo revisam projeções de risco para o Oriente Médio. A lembrança de crises anteriores, como a guerra Irã-Iraque e as duas guerras do Golfo, volta a pesar nas decisões de investimento. A escalada atual, alimentada por ataques diretos entre Estados Unidos, Israel, Irã e atores aliados, reduz o espaço para negociações discretas que vinham sendo testadas nos últimos anos.

A ascensão de Mojtaba Khamenei ao posto de líder supremo, após a morte do pai, reforça a percepção de continuidade. Conselhos internos do regime o escolhem para o cargo, e especialistas em política iraniana apontam que ele não sinaliza reformas estruturais nem abertura política. A expectativa é de manutenção da linha dura, com repressão interna e uso da projeção militar externa como instrumento de coesão doméstica.

Próximos passos e incertezas no tabuleiro regional

Governos na região e potências globais pressionam por algum tipo de contenção, mas a margem de manobra parece estreita. Washington mantém apoio militar e político a Israel e insiste que continuará a atingir alvos iranianos considerados ameaças diretas. Teerã, por sua vez, promete retaliar cada novo bombardeio e ameaça ampliar o raio de ação contra bases americanas no Oriente Médio.

No campo diplomático, chancelerias europeias discutem novas sanções e tentam reativar canais de diálogo com mediadores regionais. A morte de mais de 1.200 civis no Irã, a destruição em cidades libanesas e o impacto sobre populações que vivem perto de bases americanas e israelenses alimentam pressão de organizações internacionais por cessar-fogo parcial ou corredores humanitários.

Mojtaba Khamenei assume o comando sob expectativa de que preserve a mesma arquitetura de poder construída pelo pai, sem concessões substantivas. Donald Trump, figura central da política americana e crítico constante de Teerã, chama a escolha de um “grande erro” e afirma que Mojtaba é “inaceitável” para liderar o país, ampliando a polarização em torno de qualquer tentativa de negociação.

A combinação de ataques coordenados, danos militares significativos e liderança iraniana recém-entronizada deixa em aberto o rumo da guerra. A capacidade de Irã, Israel e Estados Unidos de impor limites à própria escalada decide não apenas o futuro imediato do conflito, mas também o equilíbrio de poder no Oriente Médio pelos próximos anos.

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