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Neto detona Corinthians após 0x2 para Coritiba e cobra elenco

O ex-meia Neto, ídolo do Corinthians e hoje comentarista, detona a atuação do time na derrota por 2 a 0 para o Coritiba, na última quarta-feira, na Neo Química Arena. A análise dura, feita em seu programa na Rádio Craque Neto, mistura indignação com alerta sobre o momento do clube na temporada.

Neto vê Corinthians “engolido” em casa e tabu quebrado

O clima na Arena muda de festa para frustração em 90 minutos. Diante de quase 40 mil torcedores, o Corinthians não reage à organização do Coritiba e sofre um revés que entra para a história: é a primeira vitória do Coxa no estádio corintiano desde a inauguração, em 2014. O resultado não pesa só na tabela, pesa na simbologia de um time que sempre transforma Itaquera em escudo.

Neto acompanha tudo à distância, mas fala como se ainda estivesse em campo. No microfone da Rádio Craque Neto, ele não poupa o clube que ajudou a marcar uma geração. “O Corinthians foi engolido pelo Coritiba. O Coritiba dá um show de marcação, um show tático, um show de finalização. Chega duas vezes ao gol e faz os dois gols. Ganha o jogo de maneira tranquila”, dispara o ex-meia, logo após o apito final.

O jogo confirma a leitura do comentarista. O Coritiba se fecha bem, sobe a marcação quando precisa e controla o ritmo. No primeiro tempo, o zagueiro Jacy aparece na área, aproveita a desatenção da defesa corintiana e abre o placar. Na etapa final, Lucas Ronier amplia, em jogada que expõe novamente o desarranjo defensivo do time da casa.

O Corinthians até chega ao ataque, mas erra na última bola. Finaliza mal, cruza sem direção, perde divididas no meio-campo. Neto, acostumado a ver a Arena como trunfo, enxerga um cenário oposto. Para ele, o adversário se sente confortável onde, nos últimos dez anos, muitos rivais sucumbiram à pressão da torcida.

Críticas ao elenco e pressão crescente no clube

A bronca de Neto ultrapassa o aspecto coletivo e mira jogadores específicos. Sem filtrar o vocabulário, ele aponta atletas que, na visão dele, não sustentam o peso da camisa. “Hoje eu posso escolher o Memphis como um pé de rato. O André como pé de rato. O Garro como grande pé de rato. É inadmissível um time como o Corinthians perder em casa, com quase 40 mil pessoas, para a equipe do Coritiba, com todo o respeito, campeão brasileiro de 85, time que veio da segunda para a primeira divisão agora, e perdeu o último jogo em casa”, afirma.

A escolha de palavras incomoda parte do público, mas revela o grau de impaciência de um dos maiores símbolos do clube. Quando um ídolo histórico abandona o tom conciliador e adota a linha dura, o recado atinge não só o elenco, mas também a direção e a comissão técnica. A crítica escancara falhas táticas, problemas na montagem do time e uma sensação de descompromisso em campo.

Dentro das quatro linhas, o contraste é nítido. O Coritiba joga com linhas compactas, reduz espaços, força o Corinthians a cruzar bolas na área e aproveita, com frieza, as chances que cria. Chega duas vezes com real perigo e transforma as duas oportunidades em gols, um índice de aproveitamento que qualquer treinador sonha em alcançar. O Corinthians, ao contrário, acumula decisões erradas nos momentos-chave e entrega ao adversário a chance de administrar o placar.

O efeito imediato aparece na tabela do Brasileirão. Com a vitória, o Coxa salta para a quinta colocação e se aproxima da parte alta, ganhando fôlego para brigar por vaga em competições continentais. O Corinthians vive o movimento inverso: vê a zona de rebaixamento rondar e sente o peso de um começo de campeonato irregular, em que tropeços em casa deixam de ser exceção.

Histórica vitória do Coxa e um Corinthians sob desconfiança

O triunfo em Itaquera é mais do que três pontos para o Coritiba. O time paranaense derruba um tabu de quase uma década na Neo Química Arena e reforça a imagem de equipe competitiva, mesmo recém-chegada da Série B. A vitória por 2 a 0, com gols de um zagueiro e de um jovem atacante, simboliza um grupo que alia disciplina defensiva e ousadia na frente.

A atuação segura projeta confiança para a sequência imediata. No próximo domingo, dia 15, às 18h30, o Coritiba volta a campo para enfrentar o Remo, no Couto Pereira. Com a quinta colocação garantida nesta rodada, o clube enxerga a chance de consolidar a boa fase diante da própria torcida e transformar um resultado histórico em ponto de virada no campeonato.

O Corinthians encara o outro lado da moeda. A derrota em casa aumenta a pressão sobre o elenco e a comissão técnica, coloca em debate eventuais mudanças no time titular e reacende a discussão sobre reforços. A fala de Neto cai como combustível nesse ambiente tenso e ecoa entre torcedores que já lotam redes sociais com cobranças à diretoria.

A temporada avança e o clube se vê diante de um dilema conhecido: reage rápido, com ajustes táticos e decisões firmes, ou corre o risco de transformar um início irregular em crise prolongada. A voz de um ídolo, neste cenário, funciona como termômetro da paciência da arquibancada e como aviso de que a tolerância com atuações “inadmissíveis”, como definiu Neto, está perto do limite.

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