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Vasco vira sobre Palmeiras, vence a primeira e quebra dois tabus

O Vasco vence o Palmeiras por 2 a 1 em São Januário, na noite de 12 de março de 2026, e conquista a primeira vitória no Brasileirão. De virada, o time de Renato Gaúcho quebra dois tabus históricos e deixa a zona de rebaixamento.

Estreia com virada, fim de jejum e São Januário em ebulição

Renato Gaúcho estreia no comando vascaíno com o tipo de jogo que muda ambiente de clube. A equipe sai atrás, reage no segundo tempo e derruba um Palmeiras que chega ao Rio como líder e ainda invicto. O 2 a 1 não é apenas um resultado expressivo diante de um dos elencos mais fortes do país. Representa o fim de um incômodo jejum de 11 anos sem vitória sobre o Palmeiras e de 14 anos sem superar o rival em São Januário.

O roteiro ajuda a explicar o peso da noite em São Cristóvão. O Palmeiras sofre com desfalques importantes, como Vitor Roque, Murilo e Mauricio, e aposta na força de um sistema já conhecido. O Vasco, pressionado pela sequência ruim e pela presença na zona de rebaixamento, tenta se apoiar na chegada de Renato e na força de um estádio lotado. A relação entre arquibancada e campo volta a se estreitar à medida que o time ganha coragem com a bola.

O primeiro tempo, porém, expõe velhas inseguranças. O Palmeiras controla melhor os espaços, mesmo sem criar em série, e encontra o gol em lance individual. Aos 33 minutos, Flaco López recebe pela direita, parte para cima de Lucas Piton, dribla com facilidade e acerta um chute com efeito no ângulo, sem chance para Léo Jardim. O argentino, em grande fase desde 2025, celebra com uma nova comemoração, com gestos para a câmera, e silencia o estádio por alguns segundos.

O Vasco não se entrega, mas esbarra na própria ansiedade. Andrés Gómez é o principal escape ofensivo, explora a velocidade pelos lados, cria boa chance logo no início e finaliza com perigo em outro lance. Falta, porém, alguém para definir as jogadas na área. O intervalo chega com vaias pontuais, dirigidas sobretudo a Piton, envolvido no gol palmeirense.

Ajustes de Renato mudam o jogo e recolocam o Vasco na briga

Renato volta do vestiário com uma decisão que marca a partida. Ele retira Lucas Piton, alvo da torcida, e coloca Cuiabano, lateral que conhece bem dos tempos de Grêmio. A mexida devolve confiança ao time e reorganiza o lado esquerdo, antes frágil na marcação e tímido no ataque. O efeito prático aparece em poucos minutos: o Vasco ganha profundidade pelos dois lados e passa a atacar com mais gente.

O treinador não para por aí. Aos 12 minutos do segundo tempo, coloca Adson e Rojas, aumenta a velocidade dos contra-ataques e empurra o Palmeiras para o próprio campo. O time paulista, com a vantagem, adota um jogo mais burocrático, roda a bola sem profundidade e oferece ao rival aquilo que Renato mais gosta: espaço para acelerar. São Januário percebe a mudança de cenário e volta a pressionar.

O empate sai aos 18 minutos, em jogada que traduz a nova hierarquia do elenco. Thiago Mendes, recém-nomeado capitão, assume o protagonismo. Ele tabela com David na entrada da área, invade em velocidade e finaliza rasteiro, cruzado. Carlos Miguel toca na bola, mas não evita o 1 a 1. O volante comemora com os punhos cerrados, cercado pelos companheiros. É o primeiro gol dele com a camisa vascaína.

O gol transforma o jogo e a atmosfera. O Palmeiras tenta responder, mas segue previsível. Flaco López, isolado, volta para buscar o jogo e perde presença de área. Sem alternativas no banco do mesmo nível, o time não encontra soluções para furar a defesa vascaína, que ganha confiança a cada dividida vencida. O Vasco, ao contrário, sente o cheiro da virada e avança as linhas.

Cuiabano vira personagem central. Primeiro, arrisca um chute forte de fora da área e obriga Carlos Miguel a grande defesa, à queima-roupa. A jogada acorda ainda mais a torcida na reta final da partida. Aos 29 minutos do segundo tempo, o lateral volta a aparecer. Ele recebe pela esquerda, parte em diagonal, encontra Paulo Henrique infiltrado na área e segue a jogada. O lateral-direito devolve de primeira, e Cuiabano só empurra para o gol vazio. É a virada, o primeiro gol dele pelo clube e o início de uma festa que ganha contornos de redenção.

Classificação, tabus derrubados e um novo enredo para o campeonato

O resultado mexe de forma direta com a tabela. O Vasco chega a quatro pontos, deixa a lanterna e assume a 15ª posição do Brasileirão. Botafogo, rival histórico, cai para a zona de rebaixamento, hoje o Z4 da competição. O Palmeiras estaciona nos 10 pontos, perde a invencibilidade e vê o São Paulo assumir a liderança, aproveitando o tropeço do time de Abel Ferreira.

Os tabus quebrados ajudam a dimensionar a noite. O Vasco não vence o Palmeiras desde 2015, em sequência que soma 11 anos sem triunfos no confronto. Em São Januário, o jejum é ainda mais incômodo: 14 anos sem vitória diante do mesmo adversário. O 2 a 1 encerra uma era de derrotas e empates e devolve ao estádio a sensação de que o time pode, de novo, competir com os principais protagonistas do país.

A vitória também reposiciona o próprio Renato Gaúcho no debate do futebol brasileiro. O treinador volta ao Rio em um contexto de desconfiança, depois de passagens recentes com altos e baixos. A resposta em campo, porém, melhora a percepção imediata. A leitura rápida do jogo, as trocas cirúrgicas no intervalo e a escolha por reforçar o lado mental da equipe recolocam seu nome no centro da discussão. O elenco, em especial os recém-chegados, ganha lastro para trabalhar com menos ruído externo.

No Palmeiras, o impacto é diferente. A primeira derrota no campeonato aumenta a pressão sobre a comissão técnica e expõe a dependência de algumas peças, como Flaco López. O clube ainda lida com a necessidade de rodar o elenco em meio a um calendário apertado, com competições simultâneas. A queda para o segundo lugar não é dramática em termos de pontuação, mas altera o clima em um time acostumado a ditar o ritmo do campeonato desde o início.

Próximos desafios e o teste de consistência para os dois lados

O calendário não dá muito tempo para celebrações ou lamentações. O Vasco volta a campo no domingo, 15 de março, às 20h30, contra o Cruzeiro, no Mineirão. O adversário é o atual último colocado do Brasileirão, o que transforma o jogo em novo teste de maturidade. Um tropeço recoloca a equipe na parte mais pressionada da tabela. Uma vitória, fora de casa, consolida o movimento de recuperação e reforça o discurso de que a arrancada começa ainda em março.

O Palmeiras também tem compromisso no domingo, às 18h30, diante do Mirassol, no Allianz Parque. A partida marca o retorno ao estádio após a troca do gramado sintético, ponto que costuma influenciar o estilo de jogo do time. A reação imediata em casa pode conter o início de ruído externo e manter o clube na perseguição à liderança. O Brasileirão ainda está no começo, mas a virada em São Januário já redesenha enredos. Resta saber se o jogo desta quinta-feira será lembrado como um ponto fora da curva ou como o capítulo inaugural de um Vasco de novo competitivo.

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