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CPI do INSS chama ex-noiva e aliados de Vorcaro para depor

A CPI do INSS aprova, nesta quinta-feira (12), a convocação de Martha Graeff, ex-noiva de Daniel Vorcaro, para depor em Brasília. Também são chamados o cunhado do ex-banqueiro, Fabiano Zettel, e o ex-diretor do Banco Master, Luiz Antonio Bull, todos ligados ao esquema de fraudes financeiras sob investigação.

CPI mira rede de influência de Daniel Vorcaro

Os três nomes entram no foco da CPI que apura fraudes bilionárias envolvendo benefícios do INSS e operações do grupo ligado ao Banco Master. A convocação ocorre em sessão realizada em 12 de março de 2026 e expõe um novo eixo da investigação: não apenas as manobras financeiras, mas também a rede de influência que cerca o ex-banqueiro.

O pedido para ouvir Martha parte do deputado federal Kim Kataguiri (União Brasil-SP) e se apoia em mensagens e diálogos apreendidos pela Polícia Federal. No material, Vorcaro relata encontros com autoridades do Judiciário e descreve a ex-noiva como peça de confiança em sua rotina social e profissional. Para a CPI, entender esse bastidor ajuda a montar o quebra-cabeça de eventuais facilidades em contratos públicos e na blindagem jurídica do grupo.

Kataguiri afirma, em despacho oficial à comissão, que a oitiva da modelo e empresária é “indispensável para confirmar a identidade das pessoas presentes no ambiente privado do investigado e o contexto das interações ali ocorridas”. O parlamentar cita episódios em que Vorcaro se gaba de ter discursado para ministros do Supremo Tribunal Federal (STF) e do Superior Tribunal de Justiça (STJ) em um evento em Londres patrocinado por ele. A CPI quer saber quem organiza esses encontros, quem participa deles e com que dinheiro eles são financiados.

Martha e Vorcaro ficam noivos em um cenário cinematográfico, na Vila Adriana, em Roma, em um momento em que o patrimônio do ex-banqueiro dispara. Em apenas um ano, a fortuna de Vorcaro aumenta cerca de R$ 1,2 bilhão, segundo dados já apresentados em outras frentes de investigação. Poucos meses depois, vêm a primeira prisão, o desgaste público e a separação do casal, em novembro do ano passado, de acordo com pessoas próximas aos dois.

Eventos, jatinhos e a fronteira entre negócios e poder

A CPI busca mapear como encontros sociais, viagens e eventos de alto padrão se conectam com a operação financeira suspeita. Investigadores querem saber se jatinhos e outros bens ligados a empresas de Vorcaro, hoje sob suspeita, servem para transportar autoridades e convidados para reuniões em Brasília e no exterior. A dúvida central é se esses recursos têm origem em operações ilícitas com benefícios do INSS e fundos ligados ao sistema previdenciário.

Em diálogos mencionados por Kataguiri, Vorcaro detalha viagens e reuniões com ministros de cortes superiores, incluindo o ministro Alexandre de Moraes, do STF. Não há, até agora, prova de irregularidade por parte das autoridades citadas, mas a CPI deseja verificar se a aparente intimidade relatada nas conversas se traduz em influência concreta sobre processos e decisões que envolvem o Banco Master e seus sócios.

Nesse tabuleiro, Martha entra como testemunha-chave da rotina social do ex-banqueiro. Na visão do deputado, “na condição de pessoa de extrema confiança de Daniel Vorcaro, a Sra. Martha Graeff pode fornecer detalhes essenciais sobre a rotina, os contatos e a rede de influência que o Banco Master mantinha em Brasília”. A frase resume o foco da comissão: cruzar a vida privada do casal com as datas, as decisões e as movimentações financeiras sob suspeita.

Ao lado dela, Zettel e Bull chegam à CPI como peças mais diretamente ligadas às operações financeiras. O cunhado do ex-banqueiro é apontado como um dos articuladores internos do grupo, enquanto o ex-diretor do Master é investigado por dar suporte técnico e institucional às fraudes. A comissão quer entender como as engrenagens se encaixam: quem executa, quem assina, quem abre portas políticas e quem tenta blindar juridicamente o esquema.

Fora do Congresso, a família de Martha tenta conter o desgaste público. Em 8 de março, Dia Internacional da Mulher, o designer Tomas Graeff, pai da modelo, publica um texto em sua conta no Instagram. Ele fala em “injustiça, ódio e violência sistêmica” contra a filha e afirma que “as lágrimas derramadas” pela situação “irão regar as flores mais bonitas da Terra”. O relato expõe o custo pessoal de uma investigação que mistura finanças, poder e vida íntima.

Depoimentos podem abrir nova fase da investigação

A convocação de Martha, Zettel e Bull tem potencial para reorientar o rumo da CPI do INSS. Até aqui, os trabalhos se concentram em rastrear contratos, fundos e operações que explicam o salto no patrimônio de Vorcaro e de empresas ligadas ao Banco Master. Com os novos depoimentos, os deputados passam a mirar também a dimensão política do caso, algo que pode alcançar autoridades de alto escalão e influenciar a confiança da opinião pública nas instituições.

Se confirmada a utilização de recursos suspeitos para financiar eventos com ministros e autoridades em Londres, Brasília e outras capitais, a CPI deve sugerir novos indiciamentos e pedidos de quebra de sigilo. O uso de jatinhos, hospedagens de luxo e patrocínios de conferências vira linha de investigação prioritária, com impacto direto sobre o sistema financeiro, o mercado de crédito e a relação entre bancos médios e o poder público.

As oitivas também podem pressionar outros personagens do entorno de Vorcaro a colaborar com a comissão, em troca de acordos judiciais ou benefícios em eventuais ações penais. Para o Congresso, o caso alimenta o debate sobre a fiscalização de fundos que lidam com recursos previdenciários e sobre como evitar que estruturas de influência política funcionem como escudo para fraudes de grande porte.

A CPI ainda define a data exata dos depoimentos, que devem ocorrer nas próximas semanas, em Brasília. Nos bastidores, parlamentares já admitem que o caso Vorcaro se torna um teste para a capacidade do Legislativo de enfrentar a mistura de dinheiro fácil, prestígio social e acesso a autoridades que marca parte do sistema financeiro brasileiro. A resposta da comissão, e o que vier à tona com as oitivas, dirá até onde o Congresso está disposto a ir para expor essa engrenagem.

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