Zema e Eduardo Leite têm pior desempenho entre governadores em pesquisa presidencial
Romeu Zema (Novo) e Eduardo Leite (PSD) aparecem com o pior desempenho entre governadores testados em cenários de primeiro turno da disputa presidencial, segundo pesquisa Genial Quaest divulgada nesta quarta-feira (11). O levantamento, feito entre 6 e 9 de março com eleitores de todo o país, mostra os dois com, no máximo, 3% das intenções de voto, bem atrás dos líderes Lula (PT) e Flávio Bolsonaro (PL).
Zema patina no primeiro turno, mas encurta distância de Lula
O governador de Minas Gerais entra em quatro cenários de primeiro turno e não rompe a barreira de um dígito. Em três simulações, Zema registra 3% das intenções de voto; em outra, cai para 2%. Os números o colocam no grupo dos presidenciáveis com menor tração nacional entre os governadores em exercício.
O desempenho só não é pior do que o de Eduardo Leite, governador do Rio Grande do Sul, que também oscila em torno de 3% quando aparece na disputa. Nos cenários em que os dois são testados, dividem o posto de lanternas entre os chefes de Executivo estaduais.
O quadro contrasta com a movimentação de Zema nos bastidores. O mineiro se prepara para deixar o Palácio Tiradentes no próximo dia 22, antes do prazo legal de desincompatibilização, para viabilizar sua pré-candidatura ao Palácio do Planalto em 2026. A saída do cargo ocorre, portanto, em meio a uma fotografia eleitoral que expõe sua fragilidade no primeiro turno.
A mesma pesquisa, porém, mostra um cenário mais competitivo para Zema em eventual segundo turno contra o presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Lula aparece com 44% das intenções de voto, enquanto o governador soma 34%. A diferença de 10 pontos indica avanço em relação a janeiro, quando o mineiro tinha 31% contra 46% do petista, um gap de 15 pontos.
Entre os governadores testados, apenas Ratinho Júnior (PSD), do Paraná, fica mais próximo de Lula em um eventual confronto direto. O paranaense está nove pontos atrás do presidente, segundo o levantamento. Em termos de viabilidade, Zema surge como o segundo nome de fora do núcleo lulista-bolsonarista com maior capacidade de encurtar a distância no segundo turno.
Liderança consolidada de Lula e Flávio Bolsonaro e espaço estreito para terceiros
Os cenários de primeiro turno reforçam a manutenção da polarização. Lula varia de 36% a 39% das intenções de voto, enquanto o senador Flávio Bolsonaro (PL) oscila entre 30% e 35%, a depender da lista de candidatos apresentada ao eleitor. Em um dos cenários, por exemplo, Lula tem 37%, Flávio Bolsonaro soma 30%, Ratinho Júnior aparece com 7% e Zema marca 3%. Renan Santos e Aldo Rebelo registram 1% cada, indecisos somam 5% e votos brancos e nulos chegam a 16%.
Em outra simulação, Lula sobe para 39%, Flávio Bolsonaro alcança 32%, Zema cai a 2% e Ronaldo Caiado (União Brasil), governador de Goiás, atinge 4%. Renan Santos e Aldo Rebelo ficam novamente com 1% cada, enquanto 5% não sabem em quem votar e 16% declaram voto branco ou nulo. Nos cenários em que Eduardo Leite entra na disputa, tanto ele quanto Zema não passam de 3%.
O melhor desempenho entre governadores cabe a Ratinho Júnior, que chega a 7% em dois cenários. Caiado aparece em seguida, com 4% também em duas simulações. A presença desses nomes não altera, porém, a liderança folgada de Lula e o patamar competitivo de Flávio Bolsonaro, que se mantém na casa dos 30%.
Os dados sugerem que o eleitor ainda enxerga a disputa nacional a partir da rivalidade entre o PT e o bolsonarismo. Pré-candidatos de centro-direita, como Zema, Leite e Caiado, enfrentam dificuldade para romper a barreira de conhecimento e preferência em escala nacional. O campo que se apresenta como alternativa à polarização segue fragmentado e com baixa densidade eleitoral.
A pesquisa também mostra estabilidade no contingente de eleitores que rejeitam as opções colocadas ou ainda não definiram o voto. Dependendo do cenário, entre 15% e 17% dizem que pretendem votar em branco ou anular, enquanto 5% se declaram indecisos. Esse grupo é visto por estrategistas como o principal alvo de candidaturas que tentam se vender como terceira via.
Estratégias em revisão e teste real a partir da saída de Zema do governo
Os números chegam às vésperas da saída de Zema do governo de Minas e funcionam como um teste de realidade para seu projeto nacional. Ao deixar o cargo no dia 22, o governador passa a depender exclusivamente de sua exposição na cena política e de alianças partidárias para ganhar densidade. O desempenho modesto no primeiro turno deve forçar ajustes na narrativa, hoje ancorada em gestão fiscal e discurso liberal.
Eduardo Leite também vê seu nome aparecer com pouca tração fora do Sul. A dificuldade em romper a faixa dos 3% coloca em xeque o espaço para mais de um governador de perfil semelhante disputar o mesmo eleitorado de centro-direita. Aliados admitem, em conversas reservadas, que a consolidação de uma candidatura alternativa pode exigir desistências e composição ainda em 2025.
A Genial Quaest realiza a pesquisa por meio de entrevistas presenciais com 2.004 eleitores, entre 6 e 9 de março. A margem de erro é de 2 pontos percentuais, para mais ou para menos, com nível de confiança de 95%. O levantamento é financiado pelo próprio instituto e está registrado no Tribunal Superior Eleitoral sob o protocolo BR-05809/2026.
Analistas políticos avaliam que, se a tendência de polarização se mantiver, governadores que aspiram à Presidência precisarão escolher entre buscar o protagonismo já em 2026 ou negociar apoio em troca de espaço em um eventual governo vencedor. A saída de Zema do comando de Minas e a insistência de Leite em se manter no tabuleiro ajudam a definir esse xadrez.
O próximo ciclo de pesquisas, previsto para o segundo semestre, vai indicar se a exposição fora dos governos e os primeiros movimentos de campanha conseguem transformar governadores em candidatos competitivos ou se a eleição de 2026 caminha para repetir, em nova versão, o duelo entre lulismo e bolsonarismo.
