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Trump diz que venceu guerra contra o Irã, mas promete seguir atacando

Donald Trump afirma ter vencido a guerra contra o Irã, mas promete manter ataques militares. O discurso ocorre nesta quarta-feira (11), em Hebron, Kentucky, em meio à escalada de violência no Oriente Médio.

Discurso triunfal em meio a contradições

O presidente dos Estados Unidos sobe ao palanque em Hebron, pequena cidade do Kentucky, e descreve a guerra com o Irã como um conflito já encerrado. Diante de apoiadores, Trump sustenta que a vitória vem logo nas primeiras horas da ofensiva e, ao mesmo tempo, garante que a campanha militar continua.

“Deixe-me dizer que vencemos. Sabe, nunca é bom dizer que vencemos muito cedo. Nós vencemos. Vencemos, na primeira hora já tinha acabado, mas vencemos”, afirma, sob aplausos. Minutos depois, ele insiste que os EUA seguirão atacando o regime iraniano e seus aliados na região, reforçando a ideia de uma guerra sem prazo claro para terminar.

O próprio presidente ajuda a alimentar a incerteza. Em diferentes momentos, ele descreve o conflito como adiantado em relação ao cronograma, fala em duração de quatro a seis semanas, sustenta que “já vencemos… mas não o suficiente” e, em outra formulação, diz que as operações foram “tanto” uma guerra quanto uma “curta incursão”. As declarações convivem com um cenário de destruição no Irã e em países vizinhos.

Da morte de Khamenei à expansão regional da guerra

A guerra começa em 28 de fevereiro de 2026, quando um ataque coordenado dos Estados Unidos e de Israel em Teerã mata o líder supremo iraniano, Ali Khamenei, e parte de sua cúpula. A ofensiva atinge instalações militares e de comando político, e inaugura uma nova fase de confronto direto entre Washington, Tel Aviv e o regime dos aiatolás.

Desde então, segundo o próprio Trump, as forças americanas e israelenses atacam mais de 5 mil alvos ligados ao Irã. O presidente afirma que os Estados Unidos destruíram 58 navios de guerra iranianos, além de sistemas de defesa aérea, aviões e outras estruturas militares. Washington trata os números como prova de superioridade militar; Teerã responde com promessas de vingança prolongada.

A resposta iraniana espalha o conflito pelo Oriente Médio. Mísseis e drones são lançados contra Emirados Árabes Unidos, Arábia Saudita, Catar, Bahrein, Kuwait, Jordânia, Iraque e Omã. As autoridades iranianas dizem mirar apenas bases, depósitos e instalações ligadas aos Estados Unidos e Israel nesses países, mas o impacto recai também sobre civis e sobre economias já pressionadas por anos de tensão regional.

O Líbano volta a se tornar um dos epicentros da disputa. O Hezbollah, grupo armado aliado de Teerã, dispara foguetes e mísseis contra o território israelense em retaliação à morte de Khamenei. Em resposta, Israel intensifica ofensivas aéreas contra o que classifica como posições do Hezbollah em áreas urbanas libanesas. Centenas de pessoas morrem no país desde o início da escalada, e o deslocamento interno cresce a cada nova onda de bombardeios.

No próprio Irã, o custo humano é elevado. A Agência de Notícias de Ativistas de Direitos Humanos, sediada nos Estados Unidos, estima mais de 1.200 civis mortos desde 28 de fevereiro. A Casa Branca admite ao menos sete militares americanos mortos em ataques iranianos. São números ainda parciais, que podem subir se o conflito seguir no ritmo atual.

Disputa de narrativas e risco de prolongamento

A morte de Ali Khamenei obriga o regime iraniano a agir com rapidez para mostrar continuidade. Um conselho de lideranças do país escolhe Mojtaba Khamenei, filho do antigo líder supremo, como novo chefe máximo. Analistas veem na escolha uma tentativa de preservar o núcleo duro do poder, sem concessões a reformas políticas ou abertura social. A avaliação majoritária é que Mojtaba representa reforço da repressão, não uma ruptura.

Trump reage com irritação ao anúncio. Chama a escolha de “grande erro” e diz que a sucessão deveria contar com sua participação direta. Em tom de desafio, afirma que Mojtaba é “inaceitável” como líder do Irã. As declarações aumentam o clima de confronto e sugerem que a Casa Branca pretende usar a sucessão como novo instrumento de pressão política e militar.

No campo, porém, o conflito avança em outra lógica. Os Estados Unidos e Israel dizem que praticamente não há mais alvos relevantes a atingir em território iraniano. O presidente fala em guerra “muito completa” e indica que o fim está próximo. Ao mesmo tempo, admite que continuará a autorizar ataques contra alvos ligados ao regime e a grupos aliados como o Hezbollah, o que sinaliza uma transição de guerra aberta para uma campanha prolongada de contenção.

Essa ambiguidade tem efeitos diretos sobre a região. Governos árabes que abrigam bases americanas se veem presos entre a pressão de Washington e o temor de retaliações iranianas. Economias dependentes de rotas de petróleo e gás convivem com o risco constante de novos ataques a portos, oleodutos e navios. Investidores internacionais tentam medir se a promessa de um fim “em breve”, feita por Trump, resistirá às dinâmicas no campo de batalha.

Para a população civil, o discurso de vitória soa distante. No Irã, famílias enterram parentes mortos em bombardeios a bairros residenciais e áreas próximas a instalações militares. No Líbano, moradores deixam cidades inteiras sob ameaça de novos ataques israelenses. Nos países do Golfo, comunidades vivem sob sirenes e alertas de mísseis, enquanto governos repetem que apenas “interesses americanos e israelenses” são alvo, em uma distinção que pouco conforta quem vê o céu cortado por drones.

Fim próximo ou nova fase da mesma guerra

O governo americano insiste que o pior já passou e que a guerra caminha para o desfecho. A própria ideia de “vitória” anunciada por Trump, porém, esbarra na realidade de ataques diários, mortes crescentes e incerteza sobre o futuro político do Irã. A combinação de discurso triunfal e continuidade dos bombardeios deixa aliados e rivais em alerta.

Os próximos dias devem mostrar se a pressão militar sobre Teerã se transforma em negociação diplomática ou se abre espaço para uma nova etapa da mesma guerra, menos intensa, mas mais longa. A escolha de Mojtaba Khamenei como líder supremo, a capacidade de o Irã reorganizar suas forças e a disposição da Casa Branca em sustentar uma presença militar ampliada na região vão definir se o anúncio de vitória em Hebron marca o início do fim do conflito ou apenas mais um capítulo de uma crise que já extrapola fronteiras e fronteiras políticas.

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