Conselho de Segurança da ONU exige que Irã pare ataques no Golfo
O Conselho de Segurança da ONU aprova nesta quarta-feira (11) uma resolução que exige o fim imediato dos ataques do Irã contra países do Golfo. O texto, aprovado em Nova York com 13 votos a favor e nenhuma objeção, condena “nos termos mais veementes” as ofensivas iranianas e pede a interrupção das hostilidades para conter o risco de uma guerra regional.
Pressão inédita sobre Teerã após morte de Khamenei
A resolução, proposta pelo Bahrein, mira diretamente a escalada de violência que começa em 28 de fevereiro, quando um ataque conjunto dos Estados Unidos e de Israel mata o líder supremo Ali Khamenei em Teerã. Desde então, o Irã dispara mísseis e drones contra países do Golfo e contra alvos ligados aos americanos e aos israelenses em todo o Oriente Médio.
O texto cita, nominalmente, Bahrein, Kuwait, Omã, Catar, Arábia Saudita, Emirados Árabes Unidos e Jordânia como alvos de ataques “flagrantes”. Moscou e Pequim se abstêm, mas não bloqueiam a medida, sinal de que a pressão diplomática sobre Teerã atinge um raro consenso entre rivais geopolíticos. A mensagem central é clara: o Conselho cobra que o Irã encerre de imediato as operações ofensivas que ameaçam a segurança do Golfo Pérsico, por onde passa cerca de 20% do petróleo mundial.
Guerra se espalha e expõe fragilidade da segurança energética
O conflito atual começa com a operação que elimina Ali Khamenei e parte importante da cúpula militar e política do regime. Washington afirma ter destruído dezenas de navios iranianos, incluindo ao menos 28 embarcações lançadoras de minas, além de sistemas de defesa aérea, aviões e depósitos militares. A ofensiva busca conter a capacidade de Teerã de fechar o Estreito de Ormuz, ponto de estrangulamento do comércio global de energia.
Teerã reage atacando bases, portos e instalações ligadas aos interesses americanos e israelenses em Emirados Árabes Unidos, Arábia Saudita, Catar, Bahrein, Kuwait, Jordânia, Iraque e Omã. As autoridades iranianas insistem que miram apenas “infraestruturas inimigas”, mas os impactos ultrapassam alvos militares e atingem civis em diferentes países. No próprio Irã, mais de 1.200 civis morrem desde o início da guerra, segundo a Agência de Notícias de Ativistas de Direitos Humanos, com sede nos Estados Unidos.
O custo humano se espalha pelo mapa. O Hezbollah, grupo armado apoiado pelo Irã, abre uma frente de combate a partir do Líbano, disparando foguetes e mísseis contra Israel em retaliação à morte de Khamenei. Israel responde com bombardeios aéreos intensos sobre o território libanês, alegando atingir posições do Hezbollah. Centenas de pessoas morrem no Líbano, em um cenário de deslocamento em massa e destruição de infraestrutura básica.
Em Washington, a Casa Branca contabiliza ao menos sete soldados americanos mortos em ataques diretamente ligados à reação iraniana. Em paralelo, o governo de Donald Trump afirma que as ações militares contra o Irã e seus aliados são necessárias para “restaurar a dissuasão” e evitar que Teerã consolide influência armada sobre as rotas de petróleo do Golfo.
O Conselho de Segurança tenta intervir nesse tabuleiro antes que a guerra atravesse um ponto de não retorno. Ao condenar explicitamente os ataques iranianos e pedir o fim das hostilidades, a resolução busca reduzir o risco de interrupções prolongadas no fornecimento de energia e de um choque de preços como o dos anos 1970. A preocupação com barris acima de US$ 150 ou mesmo US$ 200 circula abertamente em bancos e consultorias, que veem o Golfo como epicentro da incerteza.
Risco de novas sanções e guerra longa
A aprovação do texto em 11 de março abre espaço para uma segunda rodada de medidas no Conselho, desta vez com foco em sanções adicionais ao Irã, se as ofensivas continuarem. Diplomatas em Nova York avaliam que a abstenção da Rússia e da China, e não o veto, indica uma margem para negociações, mas ninguém projeta uma mudança rápida na postura de Teerã.
O novo líder supremo iraniano, Mojtaba Khamenei, filho de Ali Khamenei, surge como figura de continuidade. Analistas ouvidos por chancelerias ocidentais dizem que ele mantém a estrutura repressiva interna e o apoio a grupos aliados, como o Hezbollah, sem sinal de abertura política. Esse cenário alimenta a percepção de que o Irã continuará usando ataques de mísseis, drones e ações navais como instrumentos centrais de pressão.
Donald Trump reage com irritação à escolha do novo líder. Em declarações recentes, ele chama a decisão de “grande erro” e afirma que Mojtaba é “inaceitável” para o comando do país. O comentário reforça a distância entre Washington e Teerã e reduz as chances de qualquer canal de diálogo direto no curto prazo.
Países do Golfo monitoram a crise com atenção redobrada. Economias como as de Emirados Árabes Unidos, Catar e Arábia Saudita dependem da confiança dos mercados de energia e do fluxo de navios cargueiros pelo Estreito de Ormuz. Cada novo ataque ameaça contratos, encarece seguros marítimos e afasta investimentos em setores como turismo, logística e finanças.
Empresas globais de petróleo e gás ajustam planos de produção e rotas de transporte. Em relatórios internos, que circulam entre governos e grandes fundos, executivos alertam para o risco de atrasos em entregas, aumento de prêmios de risco e adiamento de projetos de expansão. A resolução da ONU tenta sinalizar alguma previsibilidade, mas o efeito prático depende da disposição do Irã de recuar.
Conflito entra em fase decisiva
Nas próximas semanas, o foco recai sobre dois movimentos: a intensidade dos ataques iranianos e a resposta de Washington e de aliados árabes. Se Teerã ignora a resolução e mantém a ofensiva, cresce a chance de uma coalizão militar mais ampla no Golfo, com participação direta de marinhas europeias e reforço de bases americanas na região.
Se o Irã reduz o ritmo dos ataques, abre-se espaço para tentativas de mediação por países como Catar, Omã e Turquia, tradicionais canais de conversas discretas entre Teerã e o Ocidente. Mesmo nesse cenário, a escolha de Mojtaba Khamenei como líder supremo indica que a confrontação ideológica e militar com Estados Unidos e Israel permanece. A dúvida, agora, é se a advertência unificada do Conselho de Segurança basta para frear uma guerra que já ultrapassa fronteiras e ameaça, mais uma vez, a estabilidade do mercado de energia e da própria ordem internacional.
