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Havertz marca de pênalti no fim e Arsenal arranca empate na Alemanha

O Arsenal segura o Bayer Leverkusen e arranca um empate por 1 a 1, nesta quarta-feira (11), na BayArena, pela ida das oitavas de final da Champions. O time inglês sai atrás no início do segundo tempo e reage nos minutos finais, com pênalti convertido por Kai Havertz, ex-ídolo do clube alemão.

Pressão inglesa, susto alemão

A noite em Leverkusen começa com clima de decisão. O Arsenal chega à Alemanha com a melhor campanha da Liga dos Campeões, oito vitórias em oito jogos, e o peso de quem domina também a Premier League. Em campo, a postura confirma os números: logo no primeiro minuto, os ingleses empurram o rival para trás e ocupam o campo ofensivo.

Saka assume o protagonismo cedo. Aos dois minutos, cobra falta com perigo e erra o alvo por pouco, sinal de que o Leverkusen terá pouco tempo para respirar. Gyökeres se movimenta entre os zagueiros, puxa marcação e abre espaço para as infiltrações. Pela esquerda, Martinelli aparece como válvula de escape, ainda que menos acionado do que o habitual.

Quando a bola enfim chega aos pés do brasileiro, a chance é clara. Em bela troca de passes, ele recebe na área, ajeita o corpo e finaliza com força. A bola explode no travessão e silencia o estádio por alguns segundos. O lance resume o primeiro tempo: domínio territorial do Arsenal, volume ofensivo elevado, mas nenhuma recompensa no placar.

O Leverkusen demora a entender o jogo. Depois dos 15 minutos iniciais, a equipe de Kasper Hjulmand tenta tirar a partida do modo sufoco. Coloca a bola no chão, alonga a posse e reduz o número de erros na saída. A estratégia não rende muitas chances, mas esfria o abafa inglês e devolve um pouco de confiança às arquibancadas. Raya, goleiro do Arsenal, atravessa a primeira etapa quase como espectador.

Gol relâmpago, virada de roteiro e empate no drama

O intervalo muda a história. O Leverkusen volta dos vestiários com outra energia. A bola mal rola e a defesa inglesa já encara o primeiro susto. Em jogada rápida pela direita, Kofane testa firme, e Raya salva com uma defesa de reflexo, espalmando para escanteio. A reação da torcida mostra que o time está vivo.

Na cobrança, o castigo vem para o Arsenal. A bola viaja até a segunda trave, onde o capitão Andrich se infiltra às escondidas. Ele cabeceia forte, sem chance de resposta, e abre o placar logo no primeiro minuto da etapa final. O 1 a 0 muda o ambiente. O time alemão, tímido antes do intervalo, ganha confiança e assume o controle do jogo por alguns minutos.

Hjulmand se agita na área técnica, orienta marcação alta e pede calma com a bola. O Leverkusen adota uma postura mais agressiva, ocupa o campo ofensivo e tenta ampliar a vantagem. O Arsenal sente o golpe, mas não desmancha. O duelo ganha intensidade, com ataques alternados e espaços generosos para contra-golpes.

Com o passar do relógio, os alemães recuam alguns metros. O 1 a 0 passa a valer ouro em um mata-mata de Champions. A defesa se fecha ao redor da área, o meio-campo protege a frente da zaga e o goleiro Blaswich vira o centro de um paredão vermelho e preto. O Arsenal precisa de ideias novas para furar a barreira.

Mikel Arteta mexe no ataque. Madueke entra para abrir o campo e atacar em velocidade. Havertz, velho conhecido da BayArena, surge como arma técnica e emocional. O treinador ainda guarda Gabriel Jesus para a reta final, numa tentativa de empilhar opções ofensivas. A mensagem é clara: o empate fora de casa vale muito, e a derrota não entra no plano.

Aos 41 minutos, Madueke recebe pela direita, parte para dentro da área e cai após o contato. Os jogadores do Leverkusen acusam simulação e cercam o árbitro. A marcação do pênalti inflama o estádio. O VAR entra em ação, as imagens são revisadas, e a decisão é mantida. A pressão sobre o apito cresce, mas nada muda.

Havertz assume a bola com naturalidade. O atacante, formado no Leverkusen e vendido ao futebol inglês por cifras milionárias, respira fundo, escolhe o canto e bate com categoria aos 43 minutos. Blaswich salta, mas não alcança. O 1 a 1 se instala na BayArena sob um misto de frustração e resignação dos mandantes. Havertz não comemora. Baixa a cabeça, ergue o braço discretamente e volta para o meio-campo em respeito ao clube que o revelou.

Equilíbrio na Alemanha, vantagem emocional em Londres

O empate tem peso diferente para cada lado. O Leverkusen fica a poucos minutos de derrubar a invencibilidade perfeita do Arsenal na Champions e levar para Londres uma vantagem rara. A frustração é evidente nas arquibancadas e no banco de reservas. A equipe controla o segundo tempo, protege o resultado com linhas compactas e vê o plano ruir em um lance revisado pelo vídeo.

Para o Arsenal, o 1 a 1 soa como alívio. O líder da Premier League evita a primeira derrota continental em 2025/26, mantém a sequência positiva de resultados e reforça uma narrativa de time resiliente. Além dos 100% de aproveitamento na fase de grupos, o clube soma quatro vitórias em quatro jogos no Emirates nesta Champions, com 12 gols marcados e apenas três sofridos. Entre as vítimas, o poderoso Bayern de Munique, batido por 3 a 1, e o competitivo Atlético de Madrid, goleado por 4 a 0.

A temporada coloca o Arsenal em uma posição que o torcedor não vê há anos. O clube briga pelo título inglês com sete pontos de vantagem sobre o Manchester City, está na final da Copa da Liga contra o time de Pep Guardiola e ainda disputa as quartas da Copa da Inglaterra, contra o Southampton. A seca de taças desde a Copa da Inglaterra de 2019/20 pesa, mas também alimenta a sensação de urgência dentro do elenco.

O Leverkusen, por sua vez, tenta transformar a decepção em combustível. A atuação sólida no segundo tempo, o gol do capitão Andrich e a capacidade de controlar um dos ataques mais fortes da Europa servem de argumento interno. Hjulmand sabe que, em 90 minutos em Londres, um contragolpe bem encaixado pode mudar a história da eliminatória.

Decisão no Emirates e roteiro aberto nas quartas

A vaga nas quartas de final fica em aberto para a próxima terça-feira, no Emirates Stadium, em Londres. Quem vencer avança. Um novo empate leva a definição para a prorrogação e, se necessário, para os pênaltis, em um cenário de tensão máxima para dois clubes que veem nesta Champions uma oportunidade rara.

O Arsenal carrega a força de um estádio onde marca 12 gols em quatro jogos europeus, o embalo de uma temporada quase perfeita e a confiança de quem sobrevive a um teste duro na Alemanha. O Leverkusen leva a certeza de que pode competir em alto nível, a memória do gol de Andrich e a sensação incômoda de que deixou escapar uma chance grande demais. Resta saber se o pênalti de Havertz será lembrado como ponto de virada de uma campanha histórica ou como o início de uma eliminação dolorosa.

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