Ultimas

CPI do Crime Organizado quebra sigilo de dois investigados

A CPI do Crime Organizado aprova nesta quarta-feira (11) a quebra dos sigilos fiscal e bancário de Fabiano Zettel e Luiz Philippi Machado de Moraes Mourão. A decisão, unânime, busca destravar uma nova etapa das investigações sobre a atuação de organizações criminosas no país. Parlamentares veem na medida uma chance de mapear fluxos de dinheiro hoje fora do alcance dos investigadores.

Decisão unânime abre nova fase da investigação

Os pedidos de quebra de sigilo chegam à pauta após semanas de coleta de documentos, oitivas reservadas e análise de relatórios preliminares. Integrantes da CPI afirmam, nos bastidores, que os nomes de Zettel e Mourão aparecem de forma recorrente em movimentações ligadas a contratos suspeitos e possíveis operações de lavagem de dinheiro. A comissão não detalha os valores sob apuração, mas fala em montantes “relevantes” e operações distribuídas em diferentes instituições financeiras.

A votação ocorre em sessão tensa, porém rápida, no plenário reservado à comissão. Relator e presidente articulam o consenso ainda na véspera, para evitar manobras de obstrução e garantir o quórum mínimo. No microfone, o tom é de alinhamento. “Não há como enfrentar o crime organizado sem seguir o rastro do dinheiro”, afirma um integrante da cúpula da CPI. Outro parlamentar resume o espírito da sessão: “Ou a gente entra nas contas, ou fica só na superfície”.

Quebra de sigilo mira rastro do dinheiro e conexões ocultas

A autorização para acessar dados fiscais e bancários costuma marcar momentos decisivos em comissões de inquérito. No caso da CPI do Crime Organizado, a expectativa é abrir um mapa detalhado de recebimentos, transferências e aplicações feitos por Zettel e Mourão entre diferentes períodos, com foco especial nos últimos cinco anos. Os parlamentares querem identificar depósitos fracionados, operações em espécie, remessas ao exterior e possíveis laranjas usados para ocultar patrimônio.

Investigadores ligados ao apoio técnico do Congresso avaliam que a medida pode destravar conexões hoje apenas sugeridas por documentos públicos e relatos de delatores. Com acesso às declarações à Receita Federal e ao histórico bancário, será possível cruzar dados com empresas já mencionadas na CPI, contratos firmados com o poder público e investigações em curso no Ministério Público e nas polícias. “A comissão ganha capacidade real de ligar pontas que, até aqui, apareciam isoladas”, diz um servidor que acompanha o trabalho desde a instalação.

Efeito político, pressão por resultados e próximos passos

A quebra de sigilo chega em um momento em que a CPI sofre cobrança crescente por resultados concretos. Desde a instalação, parlamentares prometem avançar não só sobre executores do crime organizado, mas também sobre eventuais financiadores e facilitadores. A decisão unânime sobre Zettel e Mourão é lida como um gesto de unidade e como resposta à pressão de eleitores e de setores da segurança pública por ações mais duras. O acesso às contas deve alimentar relatórios intermediários já nas próximas semanas, com potencial de apontar pedidos de indiciamento e de novas diligências.

Os próximos passos incluem a requisição formal de dados à Receita Federal, ao Banco Central e a instituições financeiras, com prazos que podem chegar a 30 dias. A CPI prepara ainda uma agenda de novas oitivas, que pode incluir os próprios investigados, convocados a explicar eventuais discrepâncias entre renda declarada e movimentação real. A comissão opera contra o relógio, já que seu prazo de funcionamento é limitado, mas aposta que a radiografia das finanças dos alvos produzirá efeitos que extrapolam o relatório final. As informações levantadas devem abastecer inquéritos criminais, ações civis e novas operações de combate ao crime organizado, num processo que tende a se desdobrar muito depois de as luzes do plenário se apagarem.

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *