Esportes

Jardim deve lançar Paquetá como titular em jogo com o Cruzeiro

O técnico Leonardo Jardim deve promover Lucas Paquetá ao time titular do Flamengo nesta quarta-feira (11), contra o Cruzeiro, no Maracanã. A decisão integra a estratégia de rodar o elenco em meio à sequência pesada de jogos pelo Brasileirão e manter o time em alta intensidade física e técnica.

Flamengo ajusta rota em meio a calendário apertado

O Flamengo chega à quinta rodada do Campeonato Brasileiro pressionado a reagir na tabela. Com quatro pontos em três partidas, o time ocupa a 11ª posição e tenta se aproximar do pelotão de frente ainda em março, quando o calendário já impõe viagens, decisões e pouco tempo de treino.

O Cruzeiro, adversário desta quarta, vive cenário oposto na tabela, mas igualmente tenso. A equipe mineira ainda não vence no torneio, soma dois pontos em quatro jogos e aparece como vice-lanterna da Série A. Um tropeço no Maracanã tende a aumentar a cobrança sobre o time celeste, enquanto uma vitória rubro-negra recoloca o Flamengo na parte de cima da classificação.

Leonardo Jardim estreia no Brasileirão após um início simbólico. No domingo (8), ele levanta o troféu estadual na decisão do Campeonato Carioca contra o Fluminense, mantendo a base montada por Filipe Luís. A conquista traz tranquilidade imediata, mas o português deixa claro, ainda no gramado, que não pretende repetir escalações a qualquer custo. O recado é direto: o foco agora é a maratona nacional.

O treinador assume um elenco acostumado a decisões sucessivas e sob alta exigência física. Para reduzir o desgaste, retoma práticas que já vinham sendo usadas por seu antecessor. O grupo volta a se concentrar no Ninho do Urubu na véspera dos jogos no Rio, rotina que busca controlar sono, alimentação e recuperação. Em partidas noturnas, como esta contra o Cruzeiro, o elenco realiza um trabalho de ativação muscular pela manhã, em sessões curtas que preparam o corpo sem exageros.

Paquetá ganha espaço e muda desenho do meio-campo

Lucas Paquetá entra nesse contexto como peça-chave da rotação. Reserva na final do Carioca, o meia é apontado internamente como um dos jogadores que ainda precisam ganhar sequência para atingir o nível físico ideal. Entre comissão técnica e dirigentes, há a leitura de que o desempenho inicial do reforço está abaixo do esperado, um dos piores índices entre os jogadores contratados recentemente, mas a aposta segue alta.

Jardim indica que pretende explorar a versatilidade do camisa 8. O português sinaliza que pode usar Paquetá em diferentes funções, inclusive ao lado de Arrascaeta, para ampliar a presença criativa no meio-campo e aproximar o time da área adversária. A ideia é oferecer mais linhas de passe, atacar por dentro e diminuir a dependência de arrancadas pelos lados.

A provável formação tem Rossi; Varela, Léo Ortiz, Léo Pereira e Alex Sandro; Erick Pulgar, Jorginho ou Evertton Araújo e Arrascaeta; Paquetá ou Carrascal, Lino e Pedro. O desenho mantém o eixo defensivo que sustentou a campanha recente, mas abre espaço para ajustes na zona de criação conforme o comportamento do jogo.

O treinador também lida com ausências importantes. Saúl segue fora, em recuperação de cirurgia, e não tem data certa para retorno. Bruno Henrique, que trata uma pubalgia, não participa do treino com o elenco na terça-feira (10) e permanece como dúvida. O departamento médico e a comissão discutem caso a caso, justamente para evitar que um jogador retorne antes da hora e acabe fora por um período maior na sequência da temporada.

No vestiário, a opção por Paquetá é lida como um gesto de confiança. O meio-campista chega como nome de peso e, mesmo em fase de adaptação, é visto como capaz de alterar a dinâmica ofensiva. A presença ao lado de Arrascaeta pode aumentar a qualidade do último passe, algo que o Flamengo busca consolidar para transformar domínio em gols, sobretudo em casa.

Impacto na briga pelo topo e na gestão do elenco

A aposta em mudanças pontuais não se limita ao jogo desta quarta. Jardim tenta estabelecer um padrão de gestão de grupo para uma temporada em que o Flamengo deve disputar mais de 60 partidas somando Estadual, Brasileiro, Copa do Brasil e competições continentais. Em cenários assim, a linha entre time titular e reservas tende a ficar mais flexível, com o técnico privilegiando estados físico e mental acima de hierarquias fixas.

A escalação de Paquetá ajuda a reforçar essa mensagem. Jogadores que ainda não se firmam veem um espaço real para ganhar minutos e sequência. Titulares habituais entendem que descansos pontuais fazem parte do plano e não significam perda de prestígio. Em um elenco que reúne medalhões, jovens da base e reforços recentes, essa comunicação pesa tanto quanto o treino tático.

Em termos de tabela, o jogo contra o Cruzeiro funciona como divisor de ambiente. Se vence e chega a sete pontos em quatro compromissos, o Flamengo encurta a distância para os líderes e confirma a transição tranquila entre comissões técnicas. Se tropeça em casa diante de um time que ainda não ganha no campeonato, volta a conviver com desconfiança externa e ruído nas arquibancadas.

O Cruzeiro, por sua vez, encontra um Flamengo que tenta se equilibrar entre desempenho e preservação. O time mineiro sabe que o adversário não entra completo em termos de força máxima contínua, mas enfrenta um elenco que, mesmo com rotações, mantém padrão alto de qualidade. A leitura tática passa também por identificar zonas do campo onde eventuais trocas possam gerar desequilíbrios defensivos.

Próximos passos e dúvidas em aberto

Jardim usa esta primeira sequência de jogos no comando para testar limites do elenco. A volta à concentração no Ninho, os treinos de ativação em dias de partida e a rotação planejada de titulares formam o esqueleto de um modelo que deve ser mantido ao longo do Brasileirão. O jogo desta quarta oferece o primeiro recorte mais claro de como esse plano se comporta em meio à pressão de resultados.

A atuação de Paquetá, caso confirmado entre os 11, tende a ser observada com lupa pela torcida e pela direção. Uma boa exibição fortalece a ideia de que o Flamengo pode sustentar alto nível mesmo mexendo na equipe de um jogo para o outro. Um desempenho discreto prolonga o debate sobre sua adaptação e sobre a melhor forma de aproveitá-lo.

No curto prazo, o clube mede cada passo com um olho na tabela e outro no departamento médico. Entre preservar jogadores e repetir formações para ganhar entrosamento, a comissão técnica caminha num fio estreito. As próximas rodadas vão indicar se a estratégia de rotação com protagonismo para nomes como Paquetá consegue manter o Flamengo competitivo do início ao fim do campeonato ou se ajustes mais profundos serão necessários.

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *