Roger Machado assume o São Paulo com contrato até o fim de 2026
Roger Machado, 51, é o novo técnico do São Paulo e já inicia o trabalho nesta terça-feira (10), no CT. Ele assina contrato até 31 de dezembro de 2026.
Projeto de retomada e estreia imediata
O São Paulo aposta em um treinador experiente para tentar reorganizar a temporada e reagir no Campeonato Brasileiro e nas demais competições em 2026. O acordo, firmado nas dependências do clube nesta terça-feira, prevê um ciclo de quase 21 meses, prazo considerado longo no atual cenário do futebol brasileiro.
Roger não terá tempo para um período de transição. Ele comanda o treinamento de hoje às 16h e já estreia à beira do campo na quinta-feira (12), contra a Chapecoense, no Canindé, pela quinta rodada do Brasileirão, às 20h. O calendário apertado obriga decisões rápidas sobre escalação, ajustes táticos e gestão física do elenco ainda na primeira semana de trabalho.
O treinador chega acompanhado de uma comissão técnica completa. Estão com ele os auxiliares Roberto Ribas, James Freitas e Adaílton Bolzan, o preparador físico Paulo Paixão e o analista de desempenho Guilherme Nunes. A ideia da diretoria é entregar a Roger um ambiente estruturado para que as mudanças técnicas e físicas ocorram de forma integrada.
Em sua apresentação interna, o treinador adota um discurso de confiança, mas admite o tamanho do desafio. “Estou muito feliz e muito motivado com essa oportunidade. Sei que é um desafio muito grande e sei o tamanho do São Paulo. Chegamos muito confiantes para fazer um grande trabalho”, afirma.
Perfil, histórico e expectativas no Morumbis
A escolha de Roger é tratada como uma decisão de convicção da cúpula tricolor, após semanas de análise de desempenho e conversas de bastidor. “A chegada do Roger é fruto da nossa convicção, de tudo o que, junto da nossa diretoria de futebol, observamos e ouvimos sobre o trabalho dele. É um treinador que chega referendado por seu bom trabalho, que resultou em conquistas em diferentes clubes e em imenso respeito das pessoas que conviveram profissionalmente com ele”, diz o presidente Harry Massis Júnior.
O executivo de futebol Rui Costa reforça o discurso de aposta em um projeto de médio prazo. “O São Paulo está contratando um profissional de excelência, extremamente dedicado e que vai viver o clube intensamente. Confiamos muito na maneira como ele pensa futebol e temos certeza de que fará um extraordinário trabalho com o nosso elenco”, afirma o dirigente.
Roger chega ao Morumbis depois de um ciclo forte no Internacional, entre julho de 2024 e setembro de 2025. Em Porto Alegre, ele conduz o time a uma sequência de 16 partidas invicto no Brasileirão de 2024, recorde do clube na era dos pontos corridos, e termina o campeonato em quinto lugar, garantindo vaga na Libertadores seguinte. Em 2025, conquista o Campeonato Gaúcho de forma invicta e encerra um jejum de oito anos do Inter no Estadual.
O novo técnico são-paulino também carrega uma trajetória de peso como jogador. Nascido em Porto Alegre em 4 de março de 1975, ele disputa mais de 400 partidas pelo Grêmio, clube que o revela. No tricolor gaúcho, vence a Libertadores de 1995, o Brasileiro de 1996, três Copas do Brasil (1994, 1997 e 2001) e quatro Gauchões (1995, 1996, 1999 e 2001). Depois de passagem pelo Vissel Kobe, do Japão, retorna ao Brasil para atuar no Fluminense e erguer a Copa do Brasil de 2007, marcando o gol do título.
Desde que troca o campo pela prancheta, em 2011, Roger constrói uma carreira marcada por trabalhos em clubes de grande exposição. Depois de começar como auxiliar fixo do Grêmio, assume o Juventude em 2014 e passa por Novo Hamburgo e Grêmio novamente, onde termina o Brasileirão de 2015 em terceiro lugar. Na sequência, dirige Atlético-MG, Palmeiras, Bahia, Fluminense, volta ao Grêmio em 2022, com título gaúcho e Recopa Gaúcha, e ainda passa por Juventude e Internacional antes de chegar ao São Paulo em 2026.
Na galeria de conquistas, o treinador soma o Mineiro de 2017 pelo Atlético-MG, o Baiano de 2019 e 2020 pelo Bahia, o Gaúcho de 2022 e 2025, além da Recopa Gaúcha de 2022. Individualmente, é eleito melhor técnico do Campeonato Paulista de 2018 e do Campeonato Gaúcho de 2025, prêmios que reforçam a imagem de treinador capaz de competir em diferentes contextos.
Impacto imediato, riscos e próximos passos
A chegada de Roger redesenha o ambiente do São Paulo em campo e fora dele. A curto prazo, o trabalho se concentra no Brasileirão e nas competições nacionais e sul-americanas do ano, com foco em desempenho estável e retomada de protagonismo. Dentro do vestiário, a comissão técnica tende a mexer na rotina diária, com treinos mais detalhados, uso intensivo de análise de desempenho e maior controle da carga física.
O movimento também mira o torcedor e o mercado. Um time mais competitivo tende a aumentar presença no estádio, audiência em transmissões e interesse de patrocinadores em 2026. Se o projeto se consolida, o clube ganha previsibilidade esportiva em um cenário de constante troca de treinadores. Em caso de resultados abaixo do esperado, a diretoria será cobrada por ter apostado em um contrato até o fim de 2026, em um ambiente de forte pressão por resultados semana a semana.
Na prática, os primeiros testes de Roger serão visíveis já contra a Chapecoense, na quinta-feira. Escalação, postura em campo e escolhas de liderança dentro do elenco vão indicar o tipo de São Paulo que ele pretende construir. O relacionamento com jogadores experientes, como o goleiro Rafael, com quem divide a marca de quatro títulos de Copa do Brasil, pode ajudar na transição.
O clube projeta 2026 como um ano de reconstrução competitiva. O desempenho nas primeiras dez rodadas do Brasileirão e nas fases iniciais dos torneios de mata-mata deve determinar o grau de tranquilidade do trabalho. A temporada começa com confiança declarada, contrato longo e respaldo público. A resposta que falta, a partir desta semana, virá do gramado.
