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Pesquisa mostra Cleitinho na dianteira e abre disputa por segundo lugar em MG

Levantamento do Instituto F5 Atualiza Dados divulgado neste 9 de março coloca o senador Cleitinho Azevedo (Republicanos) na liderança isolada da corrida ao governo de Minas. O estudo indica possibilidade de vitória em primeiro turno e expõe um eleitorado ainda fortemente indeciso, o que mantém o cenário em aberto.

Liderança folgada e indecisão alta no eleitorado mineiro

No principal cenário estimulado, quando o entrevistador apresenta uma lista de nomes, Cleitinho soma 39% das intenções de voto. Rodrigo Pacheco (PSD) aparece em seguida, com 11%, e o ex-prefeito de Belo Horizonte Alexandre Kalil (PDT) registra 9%, o que evidencia uma distância confortável do líder em relação aos adversários diretos.

O quadro traz ainda o vice-governador Mateus Simões (PSD), com 4%, o ex-presidente da Câmara de Belo Horizonte Gabriel Azevedo (MDB), com 2%, e Túlio Lopes (PCB), com 1%. Entre os entrevistados, 19% declaram voto em branco, nulo ou em nenhum candidato, enquanto 13% dizem não saber em quem votar ou se declaram indecisos, um contingente que pode redefinir a disputa nos próximos meses.

A pesquisa, registrada sob o protocolo MG-03731/2026, ouve 1.560 eleitores em todas as regiões de Minas entre 2 e 5 de março. O levantamento tem margem de erro de 2,5 pontos percentuais, para mais ou para menos, e nível de confiança de 95%. Os dados chegam a pouco mais de sete meses do primeiro turno e ajudam a orientar estratégias de partidos e pré-candidatos.

Os pesquisadores testam quatro cenários estimulados. No segundo, Cleitinho mantém a dianteira com 36%, seguido novamente por Pacheco, com 10%, e por Kalil, com 9%. Nesse quadro, entra em cena o presidente da Associação Mineira de Municípios, Luís Eduardo Falcão (Republicanos), com 5%. Mateus Simões tem 3%, e Gabriel Azevedo, 2%, o que reforça a pulverização do campo adversário.

No terceiro cenário, sem Rodrigo Pacheco, o senador do Republicanos alcança seu melhor desempenho: 40% das intenções de voto. Kalil sobe para 11% e Falcão aparece com 6%, enquanto Mateus Simões marca 4% e Gabriel Azevedo fica em 2%. A simulação reforça a leitura de que o espaço ocupado hoje por Pacheco não migra de forma automática para um único nome da oposição a Cleitinho.

Favoritismo em construção e busca por um nome competitivo

O quarto cenário exclui Cleitinho da disputa e revela o tamanho do vácuo em torno de um nome competitivo fora do Republicanos. Nesse quadro, a liderança passa a ser dos eleitores que declaram voto em branco, nulo ou em nenhum candidato, sinal de desorientação diante das alternativas disponíveis.

Nessa simulação sem Cleitinho, Rodrigo Pacheco aparece com 16% das intenções de voto. Kalil registra 10%, mesmo percentual do deputado federal Aécio Neves (PSDB). O secretário de Governo de Minas, Marcelo Aro (PP), soma 9%, e Falcão, 7%. Nenhum deles, porém, consegue construir uma vantagem clara sobre os demais.

Para o diretor da F5 Atualiza Dados, Domilson Coelho, o desempenho atual projeta Cleitinho como favorito. “Hoje, se mantiver da maneira como está, a chance é de Cleitinho ser eleito no primeiro turno”, afirma. O cálculo considera apenas os votos válidos do senador nos cenários em que ele aparece.

Coelho ressalta que o retrato ainda é parcial. Segundo ele, a indefinição no campo da esquerda, especialmente em torno de Pacheco, ajuda a manter o jogo aberto. O senador do PSD é cortejado pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) para ser o candidato governista em Minas, mas não oficializa a pré-candidatura e chegou a falar em aposentadoria da vida pública após o mandato no Senado. “Hoje, o cenário ainda depende da indefinição da esquerda, de quem o Lula vai apoiar, se será o Pacheco”, diz.

O analista vê também espaço para crescimento de Mateus Simões, escolhido como sucessor do governador Romeu Zema (Novo), mas que “ainda não decolou” nas pesquisas. No caso de Gabriel Azevedo, Coelho enxerga potencial de avanço sobretudo em Belo Horizonte, onde o ex-presidente da Câmara concentra seu capital político e recentemente se colocou como pré-candidato ao governo.

Sobre Kalil, o diretor avalia que o ex-prefeito mantém recall e base própria, mas ainda não se consolida como alternativa direta a Cleitinho. Ele também chama atenção para o movimento de Falcão, que aparece em cenários relevantes e ganha visibilidade ao comandar a Associação Mineira de Municípios, o que amplia seu trânsito entre prefeitos.

Eleitor volátil, alianças em disputa e próximos movimentos

Na pesquisa espontânea, quando o entrevistador não apresenta lista de nomes, a indefinição do eleitorado mineiro se torna ainda mais evidente. Mais da metade dos entrevistados, 54%, dizem não saber em quem votar ou se declaram indecisos, enquanto 30% afirmam que pretendem votar em branco ou nulo.

Nesse cenário sem indução, Cleitinho aparece com 6% das menções. O governador Romeu Zema, que está no segundo mandato e não pode concorrer novamente, registra 3%. Kalil e Pacheco surgem com 1% cada. Também são citados a prefeita de Contagem, Marília Campos (PT), pré-candidata ao Senado, e Renan Santos (Missão), pré-candidato à Presidência, ambos com 1%. Outros 3% preferem não responder.

Coelho lembra que oscilações entre uma pesquisa e outra podem ocorrer à medida que alianças se formam e candidaturas se consolidam. Segundo ele, mudanças de posição, recuos e anúncios formais tendem a mexer com as intenções de voto, sobretudo em um ambiente com tantos indecisos. “Hoje, a grande disputa é para saber quem será o segundo nome. Esse segundo colocado ainda é desconhecido”, avalia.

Para o sistema político mineiro, o avanço de Cleitinho pressiona adversários a antecipar decisões, construir palanques regionais e definir que lugar desejam ocupar em uma eventual polarização. Uma vitória em primeiro turno, hipótese já colocada na mesa pelos números atuais, reduziria o tempo de reação para forças como PSD, PDT e partidos da base federal, que ainda buscam um consenso.

A pesquisa também influencia as conversas em Brasília. Um candidato competitivo alinhado ao Planalto em Minas é peça estratégica em qualquer cálculo de poder nacional. Ao mesmo tempo, a possível consolidação de Cleitinho fortalece o Republicanos no jogo de alianças para 2026, inclusive na disputa presidencial.

Os próximos meses devem mostrar se o favoritismo do senador resiste à entrada oficial de candidaturas, à exposição em debates e à formação de chapas com vices e apoios regionais. A incógnita sobre quem ocupará o lugar de principal adversário e a força real do voto indeciso definem se a eleição mineira caminhará para a solução rápida em primeiro turno ou para um confronto prolongado até outubro.

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