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Desgaste afasta Neymar de jogo do Santos e ameaça volta à Seleção

Neymar fica fora da partida do Santos contra o Mirassol, nesta terça-feira (11), por desgaste físico, e vê ameaçada a convocação para os amistosos da seleção brasileira em março. A decisão preventiva do clube frustra os planos de Carlo Ancelotti, que viaja para observá-lo e exige atletas plenamente recuperados na reta final antes da Copa do Mundo.

Decisão do Santos surpreende comissão da Seleção

O departamento de futebol do Santos opta por cortar Neymar da viagem a Mirassol poucas horas antes da partida. O clube informa que age por precaução, diante de um quadro de desgaste físico acumulado, para evitar novas lesões em um jogador que passa mais de um ano tentando se reconstruir fisicamente.

A ausência cai como um balde de água fria na seleção brasileira. Ancelotti organiza uma viagem do Rio de Janeiro ao interior paulista justamente para assistir ao camisa 10 em campo e medir, com os próprios olhos, até onde vai a recuperação. Fontes ligadas à Confederação Brasileira de Futebol dizem à agência Reuters que a notícia causa surpresa e frustração na entidade e na comissão técnica.

A programação, porém, não muda. Ancelotti mantém a ida a Mirassol para acompanhar a partida, ainda que sem Neymar. A decisão também busca preservar a imagem do treinador e da seleção, para evitar a leitura de que o deslocamento teria como único objetivo monitorar o atacante santista em um momento delicado de sua carreira.

Dentro da CBF, o entendimento é claro. A partida desta terça funcionaria como um teste relevante para definir se Neymar entra ou não na lista do dia 16 de março, quando a comissão divulga os convocados para enfrentar França e Croácia, nos dias 26 e 31 do mesmo mês. “Ancelotti queria ver como ele reage em campo, em jogo grande, com intensidade”, diz uma das fontes ouvidas pela Reuters. “Sem esse jogo, fica mais difícil assumir o risco.”

Neymar corre contra o relógio a três meses da Copa

Neymar não veste a camisa da seleção desde outubro de 2023. Naquele período, sofre grave lesão nos ligamentos do joelho e passa por uma longa recuperação, que atravessa a passagem pelo futebol da Arábia Saudita e o retorno ao Santos em janeiro de 2025. A volta à Vila Belmiro reacende memórias de brilho e cria uma expectativa que, por enquanto, o corpo ainda não acompanha por inteiro.

Em pouco mais de um ano, o camisa 10 alterna lampejos de talento com interrupções constantes. O desgaste que agora o tira do jogo em Mirassol simboliza esse processo. O Santos tenta administrar minutos, viagens e treinos para evitar uma recaída às vésperas do mata-mata dos estaduais e da convocação final para a Copa, prevista para maio.

Na seleção, o cenário é diferente daquele que Neymar encontra em 2014 ou 2018. O time de Ancelotti dispõe de um arsenal ofensivo em boa fase. Vinícius Júnior vive sequência sólida na Europa e consolida protagonismo. Estêvão desponta como promessa em ascensão. Raphinha mantém regularidade e entrega intensidade que agrada à comissão técnica. Outros nomes, como João Pedro, Gabriel Martinelli, Endrick, Igor Jesus e Matheus Cunha, alimentam uma concorrência que não existia com essa força em ciclos anteriores.

Ancelotti deixa claro, em conversas internas, que pretende convocar apenas jogadores “totalmente recuperados” para a reta final de preparação. O objetivo é montar um grupo capaz de suportar o ritmo físico da Copa do Mundo, marcada para ocorrer entre 11 de junho e 19 de julho, em Canadá, México e Estados Unidos. Nesse cenário, qualquer sinal de desgaste em Neymar pesa mais do que o histórico de 79 gols em 128 partidas pela seleção.

A ausência em Mirassol, a menos de três meses do torneio, não representa apenas um jogo perdido. Representa também um teste que deixa de acontecer justamente quando o atacante tenta provar que pode competir em alto nível com regularidade. O cronômetro da Copa passa a correr mais rápido do que o tempo de recuperação do corpo.

Clássico, amistosos e uma vaga em disputa

O corte no interior paulista não encerra a avaliação sobre Neymar, mas reduz a margem de erro. O próximo capítulo acontece no domingo, dia 15, na Vila Belmiro, no clássico contra o Corinthians. A expectativa no Santos é de que o camisa 10 esteja em condições de jogo. A comissão técnica da seleção planeja acompanhar a partida in loco, em mais uma etapa da análise sobre o atacante.

No mesmo dia, Ancelotti segue no Rio de Janeiro para assistir a Botafogo x Flamengo, no estádio Nilton Santos. O calendário aperta. Entre o clássico na Vila, os amistosos contra França e Croácia, e a convocação final em maio, cada atuação pesa na balança. Para Neymar, qualquer sinal de limitação física pode significar a perda de espaço em um ataque que se renova em ritmo acelerado.

A decisão de preservá-lo agora abre espaço para interpretações distintas. Para o Santos, trata-se de cuidado médico e estratégia de longo prazo com seu principal ativo esportivo e comercial. Para a seleção, é um alerta de que o jogador talvez ainda não esteja pronto para suportar a carga de treinos e jogos que um Mundial impõe.

O roteiro a partir de agora depende de fatores que vão além da técnica. Neymar precisa mostrar, em poucas semanas, que responde bem a uma sequência de partidas, sem novos cortes por desgaste ou dores. A comissão de Ancelotti, por sua vez, precisa decidir se vale apostar em um veterano de 34 anos com histórico recente de lesões ou consolidar a aposta em uma geração que chega sem as mesmas cicatrizes, mas também sem a mesma experiência.

A próxima lista de convocados, no dia 16 de março, começa a desenhar a resposta. Se o nome de Neymar não aparecer entre os relacionados para encarar França e Croácia, a preparação para a Copa seguirá sem o maior artilheiro da história da seleção brasileira. Resta saber se o futebol ainda reservará a ele uma última grande convocação ou se o corte em Mirassol entrará para a memória como o ponto de inflexão definitivo de sua trajetória com a camisa amarelinha.

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