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Trump critica escolha de novo líder do Irã e descarta decisão sobre tropas

Donald Trump critica publicamente, em 9 de março de 2026, a escolha de Mojtaba Khamenei como novo líder supremo do Irã e rejeita discutir envio de tropas americanas. Em entrevista ao jornal New York Post, o presidente dos Estados Unidos afirma que não está “feliz” com a sucessão em Teerã e cobra influência direta de Washington no processo.

Pressão após morte de Ali Khamenei

Trump fala em tom de desconfiança sobre Mojtaba Khamenei, filho do antigo líder Ali Khamenei, morto em uma operação conjunta dos EUA e de Israel, semanas antes. O presidente evita detalhar sua avaliação sobre o novo chefe iraniano, mas deixa clara a desaprovação. “Não vou dizer a vocês. Não vou dizer a vocês. Não estou feliz com ele”, declara ao Post, em Nova York.

A sucessão em Teerã ocorre sob forte tensão. Ali Khamenei comandava o Irã desde o fim da década de 1980 e era figura central da política regional. A morte do líder, em uma operação de alto risco que envolve diretamente os serviços de inteligência americano e israelense, abre um vácuo de poder que agora se concentra em seu herdeiro político e familiar. Trump tenta ocupar esse espaço com pressão pública.

Na semana anterior, o presidente já havia defendido abertamente que os EUA deveriam ter assento informal na escolha do novo líder supremo. Segundo ele, o envolvimento direto de Washington na morte de Ali Khamenei justificaria um papel decisivo na transição. Em declarações recentes, Trump classifica a possibilidade de Mojtaba assumir o comando como “inaceitável”. Agora, com a nomeação consumada, ele tenta elevar o custo político da decisão iraniana.

A crítica vem em meio a uma escalada verbal entre Washington e Teerã. O governo americano adota o discurso de que não aceitará qualquer acordo com o Irã que não represente, nas palavras do próprio presidente, uma “rendição incondicional”. A expressão sinaliza que a Casa Branca não cogita concessões significativas em temas como programa nuclear, mísseis balísticos e apoio a grupos armados na região.

Diplomacia dura, sem movimento militar imediato

Trump tenta equilibrar a retórica agressiva com a promessa de evitar, por ora, uma nova guerra no Oriente Médio. “Não tomamos nenhuma decisão sobre isso. Estamos longe disso”, diz, ao ser questionado pelo Post sobre o envio de soldados ao território iraniano. A frase confirma, ao mesmo tempo, a ausência de um plano militar imediato e a disposição de manter essa opção como instrumento de pressão.

O recado mira não apenas Teerã, mas também aliados dos Estados Unidos. Países europeus tentam preservar alguma forma de negociação com o Irã, enquanto governos do Golfo, como Arábia Saudita e Emirados Árabes Unidos, acompanham com cautela qualquer movimento que possa incendiar a região. A posição americana pode influenciar diretamente o preço do petróleo, que reage a cada sinal de instabilidade no Estreito de Ormuz, por onde passa cerca de 20% do petróleo comercializado no mundo.

A nomeação de Mojtaba Khamenei consolida, internamente, o poder do círculo mais próximo da antiga liderança. Analistas veem continuidade ideológica, com pouca margem para mudanças estruturais na política externa iraniana. Para Washington, esse cenário reforça a aposta em sanções econômicas, isolamento diplomático e ameaças de ações pontuais, sem assumir, por enquanto, o custo de uma invasão ou de uma campanha aérea prolongada.

As declarações de Trump também reverberam no debate doméstico americano. Parlamentares republicanos alinhados à Casa Branca defendem uma linha dura contra Teerã desde a saída dos Estados Unidos do acordo nuclear, em 2018. Setores do Partido Democrata, porém, alertam para o risco de o país ficar preso a mais um confronto aberto no Oriente Médio, menos de duas décadas após a invasão do Iraque em 2003.

Risco de escalada e próximas decisões

A combinação entre a morte de Ali Khamenei em uma operação estrangeira e a ascensão de seu filho ao cargo mais poderoso do Irã aumenta a possibilidade de respostas assimétricas. O novo líder herda um aparato militar e de inteligência com histórico de ações indiretas, por meio de milícias aliadas no Líbano, no Iraque, na Síria e no Iêmen. Qualquer aceno de Teerã nesse sentido pode levar a novos ciclos de sanções, ataques pontuais e retaliações.

O governo americano calcula o impacto dessa tensão também sobre as negociações nucleares. A exigência de “rendição incondicional” torna mais distante um entendimento tradicional, baseado em concessões graduais. Sem acordo, o Irã pode acelerar o enriquecimento de urânio, aproximando-se do limiar técnico para construir uma arma nuclear, algo que Washington e Israel prometem impedir “a qualquer custo”.

Nos próximos meses, a Casa Branca precisa decidir se transforma a pressão verbal em medidas concretas. Pacotes adicionais de sanções financeiras podem atingir bancos, empresas estatais e o setor de energia iraniano, já afetado por restrições anteriores. A resposta de Teerã, por sua vez, deve calibrar o tom do conflito, seja pela via da negociação, seja pela aposta em confrontos indiretos.

A postura de Trump nesta fase inicial do novo governo iraniano ajuda a definir o clima para os próximos anos. A pergunta que se coloca, em Washington e nas capitais da região, é se a Casa Branca conseguirá manter a combinação entre ameaça militar, endurecimento econômico e pressão diplomática sem cruzar a linha que separa a intimidação calculada de uma guerra aberta.

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