Grêmio empata com Inter no Beira-Rio e encerra jejum de 20 anos
O Grêmio é campeão gaúcho de 2026. Na tarde deste domingo (9), o time sustenta o empate por 1 a 1 com o Inter no Beira-Rio e confirma o título após 20 anos.
Gre-Nal tenso, vantagem administrada e festa no Beira-Rio
O empate vale ouro porque vem sobre um 3 a 0 construído na Arena, no primeiro jogo da final. Amparado pela vantagem, o Grêmio entra no Gre-Nal 451 para sobreviver à pressão colorada e consegue. Diante de 41.251 torcedores, sendo 37.512 pagantes, o time de Luís Castro segura o resultado, faz 1 a 0 com Gustavo Martins, sofre o empate em pênalti de Alan Patrick e ergue a taça na casa do maior rival.
O cenário se desenha desde o apito inicial. O Inter precisa de ao menos três gols para levar a decisão aos pênaltis. Paulo Pezzolano, pressionado pelo peso do placar agregado, mexe até na estrutura da equipe. Sem o lateral-esquerdo Bernabei, suspenso, improvisa o meia Allex no setor. A mensagem é clara: o time vai atacar, mesmo que isso deixe espaços atrás.
O plano se confirma em campo. O Inter ocupa o campo ofensivo, empurra o Grêmio para trás e cria as melhores chances do primeiro tempo. Aos 12 minutos, Alan Patrick encontra Carbonero nas costas da zaga. O colombiano sai na cara de Weverton, finaliza firme e para em grande defesa do goleiro gremista. O lance expõe a estratégia tricolor: recuo, linhas baixas e aposta em contra-ataques esporádicos.
A pressão colorada continua. Na sequência, Victor Gabriel quase marca de cabeça após escanteio. Aos 35, Vitinho cruza rasteiro da direita, a bola atravessa a pequena área e encontra Borré atrasado, desperdiçando outra oportunidade clara. O Beira-Rio sente o nervosismo. A cada chance perdida, o título parece escorregar pelas mãos coloradas.
O clima esquenta de vez aos 42 minutos. Alan Patrick tenta finalizar dentro da área e cai após contato com Monsalve e Gustavo Martins. O árbitro Rafael Rodrigo Klein aponta o pênalti na hora. Jogadores do Grêmio cercam a arbitragem, o Inter comemora a possibilidade de renascer na disputa. Depois de revisão demorada no VAR, o juiz volta atrás e anula a penalidade. A decisão acende a revolta colorada e muda o humor do estádio.
O golpe psicológico tem efeito imediato. Em vez de ver o Inter abrir o placar, o torcedor colorado assiste ao rival se aproximar do título. Aos 53 minutos, já nos acréscimos, Gustavo Martins aparece livre no centro da área após cobrança de escanteio. O zagueiro finaliza forte, supera Rochet e faz 1 a 0. O gol amplia a vantagem no agregado para 4 a 0 e, na prática, coloca o Grêmio com as duas mãos na taça ainda antes do intervalo.
Arbitragem em debate e defesa gremista decisiva
O segundo tempo começa com caminhos distintos. Pezzolano mantém a estrutura colorada, ainda em busca de uma virada improvável. Luís Castro mexe rápido. Tira Viery, pendurado com cartão amarelo, e coloca Wagner Leonardo. Tetê entra para dar fôlego ao ataque. O Grêmio se recompõe mais sólido, com a leitura de que o relógio agora é o principal aliado.
O Inter segue insistindo. Aos 9 minutos, Mercado sobe mais alto que a defesa tricolor após escanteio e acerta a trave. A bola quica perto da linha, mas não entra. O lance resume a tarde colorada: protagonismo ofensivo, pouca efetividade. Do outro lado, o Grêmio se organiza, diminui os espaços e reduz os sustos em relação à primeira etapa.
Weverton volta a aparecer bem aos 20 minutos, ao defender cobrança de falta de Alan Patrick. O goleiro, que já salvara o time no início, sustenta a estratégia de resistência. Cada intervenção reforça a sensação de que o Inter precisará de algo além de volume de jogo para quebrar a barreira gremista.
A partida perde intensidade e o título parece definido, mas o roteiro ainda reserva tensão. Aos 32 minutos, com parte da torcida colorada já deixando o Beira-Rio, Wagner Leonardo acerta o rosto de Borré dentro da área. Após nova consulta ao VAR, Klein marca pênalti e expulsa o zagueiro gremista. O Inter ganha um jogador a mais e a chance de reacender o jogo.
Alan Patrick assume a cobrança aos 36 minutos. Bate com calma, desloca Weverton e empata: 1 a 1. O gol não muda o favoritismo no agregado, mas devolve alguma esperança ao Inter e adiciona drama aos minutos finais. O árbitro concede 10 minutos de acréscimo. O Beira-Rio empurra, o Grêmio se fecha ainda mais, sem qualquer pudor em rifar a bola quando necessário.
A defesa tricolor resiste até o apito final. A cada dividida, a rivalidade se reafirma. Colorados cercam a arbitragem, reclamam do pênalti anulado no primeiro tempo e da condução do jogo. Gremistas apontam a expulsão de Wagner Leonardo como exagerada. As decisões de Klein e do VAR, comandado por Marcello Ignacio Domingues Neto, entram de imediato no centro do debate pós-jogo.
O impacto esportivo, porém, é incontornável. O Grêmio encerra um jejum de 20 anos sem conquistar o Campeonato Gaúcho. A taça levantada no Beira-Rio pesa mais do que um título estadual comum. Reescreve o equilíbrio recente do clássico, dá respaldo ao trabalho de Luís Castro e oferece ao elenco um colchão de confiança para o restante de 2026.
Título muda o ânimo da temporada e aquece o Brasileirão
A festa gremista no gramado rival contrasta com a frustração colorada nas arquibancadas. A renda de R$ 1.017.946,50 e o público superior a 41 mil pessoas evidenciam o peso regional da decisão. O Grêmio volta para casa com o troféu e a sensação de ter cumprido o plano à risca: administrar o 3 a 0 obtido na Arena, explorar os erros do adversário e sobreviver à pressão até o apito final.
O Inter deixa o campo com mais perguntas do que respostas. A equipe cria, aperta, domina territorialmente, mas termina a final com apenas um gol em 180 minutos. As reclamações sobre a arbitragem servem de catarse para a torcida, mas não escondem a urgência de ajustes. Pezzolano terá pouco tempo para reposicionar o time até o início do Campeonato Brasileiro, em que a margem para erro é menor do que num estadual.
O Grêmio, por sua vez, entra no Brasileirão com moral elevada. A defesa que suporta 90 minutos de pressão no Beira-Rio alimenta a imagem de um time competitivo em jogos grandes. A atuação de Gustavo Martins, decisivo no gol do título e seguro na área, reforça a aposta em uma base jovem cercada de peças experientes.
A rivalidade também ganha um novo capítulo. Com o título conquistado na casa do adversário, o discurso gremista tende a dominar o ambiente local nas próximas semanas. Colorados cobram reação imediata, enquanto gremistas tratam o Gauchão como ponto de virada após anos de jejum.
As atenções agora se deslocam para o calendário nacional. O desempenho dos dois clubes no Brasileiro dirá se o título estadual é início de um ciclo consistente no Grêmio ou apenas uma sequência feliz em março. Para o Inter, a questão central é se a derrota no Gre-Nal 451 será cicatriz ou combustível para a temporada.
