Endrick é alvo de críticas após empate do Lyon com Paris FC na Ligue 1
Endrick volta ao banco, entra no segundo tempo e deixa o campo como um dos principais alvos de críticas após o empate do Lyon com o Paris FC, neste sábado (7), no Groupama Stadium. A atuação irregular do atacante brasileiro, de 19 anos, intensifica dúvidas sobre seu momento no clube às vésperas da estreia na fase eliminatória da Europa League.
Lyon tropeça em casa e vê pressão crescer sobre jovem astro
O empate em 1 a 1 pela 25ª rodada da Ligue 1 frustra um estádio que espera reação imediata. O Lyon domina o primeiro tempo, finaliza mais, controla a posse, mas não transforma superioridade em vantagem no placar. Quem sai na frente é o Paris FC, aos 18 minutos da segunda etapa, em jogada que expõe a fragilidade defensiva dos donos da casa.
Rudy Matondo avança pela direita, bate forte, e o goleiro Dominik Freig espalma. Marshal Munetsi aparece livre na pequena área e empurra para o gol. O lance passa por revisão do árbitro de vídeo e é confirmado, aumentando o clima de impaciência nas arquibancadas. O Lyon, que briga na parte de cima da tabela, vê um rival de zona intermediária se impor em pleno Groupama Stadium.
A reação vem em um lance de pênalti. Em cruzamento para a área, a bola desvia no braço de Alimani Gory. Após checagem, o árbitro marca a infração. Corentin Tolisso assume a cobrança e bate firme, de perna direita, no ângulo, para empatar. O gol mantém o Lyon vivo no jogo e na disputa direta pelo topo da Ligue 1, mas não evita a sensação de desperdício em um momento decisivo da temporada.
Entrada no segundo tempo não livra Endrick de cobrança pesada
Endrick começa no banco depois de três partidas seguidas como titular, todas com 90 minutos em campo. A decisão do técnico Paulo Fonseca surpreende parte da torcida, mas é explicada pelo contexto físico do elenco e pela maratona de jogos. O atacante entra aos 20 minutos do segundo tempo, na vaga de Adam Karabec, encarregado de dar profundidade pelo lado direito.
O brasileiro se posiciona aberto, busca a linha de fundo, tenta cruzamentos e arrisca jogadas individuais. Na chance mais clara, aos 45 minutos, recebe na entrada da área e finaliza forte, obrigando Kevin Trapp a espalmar para escanteio. O lampejo, porém, não basta para mudar o placar nem a percepção de parte da torcida, já irritada com a sequência de resultados.
Nas redes sociais, o tom contra o camisa 9 endurece. Um torcedor escreve que é “tão difícil, Endrick”, e afirma que o atacante “errou absolutamente tudo contra o Lens e hoje à noite contra o PFC”, classificando o desempenho como uma “grande desvantagem para a equipe” diante do alto número de tentativas. O mesmo comentário lembra que, “apesar de seu talento excepcional, ele continua sendo um jogador jovem de 19 anos” e diz que foi “muito irrealista esperar que ele fosse o ‘salvador’ do ataque do OL”.
Outro comentário define a participação como “catastrófica” e acusa o brasileiro de tomar “decisões egoístas” que “vão contra o jogo coletivo”. Há quem defenda a ousadia, mas reclame de excesso: “Com suas chances de sucesso, sou totalmente a favor de incentivar a tomada de riscos. Mas pare de exagerar, primo”. As mensagens mais duras questionam abertamente seu nível: “O Endrick não está cansado de ser um jogador ruim?”; outra crava que a boa fase durou “três semanas” e conclui: “Agora entendo por que ele não vai se firmar no Real Madrid”.
A mudança de clima contrasta com o início meteórico do atacante no clube francês, quando gols e assistências o colocam rapidamente no centro do projeto esportivo. A sequência recente, porém, coincide com a queda de rendimento coletiva. O Lyon chega a 46 pontos, com 14 vitórias, quatro empates e sete derrotas, e cai para a quarta posição após 25 rodadas, somando 49 gols marcados e 27 sofridos. São três jogos sem vitória na Ligue 1, somados à eliminação para o Lens na Copa da França, resultado que intensifica o ruído em torno do elenco.
Pressão esportiva e gestão de desgaste definem próximos capítulos
O treinador Paulo Fonseca tenta reduzir o foco sobre o jovem brasileiro e deslocar a discussão para o planejamento físico da equipe. Na entrevista coletiva, ele cita o histórico recente do jogador e o risco de sobrecarga muscular em plena reta final de temporada. “Não podemos esquecer que o Endrick esteve afastado durante um ano, só agora começou a jogar com mais frequência. O último jogo foi muito intenso e foi impossível para os jogadores recuperarem”, afirma.
Fonseca detalha a escolha de preservá-lo no início da partida. “Se ele tivesse começado hoje, correríamos o risco de outra lesão. Não queremos correr riscos e ter mais jogadores lesionados. Estou preocupado? Sim, mas espero que tenhamos mais jogadores disponíveis depois da pausa”, completa. O discurso busca enquadrar o caso como um ajuste de carga, e não como perda de confiança no talento que o Lyon trouxe com status de protagonista.
A situação esportiva pressiona o clube a acelerar respostas. O empate em casa deixa o Paris FC, hoje 13º colocado com 27 pontos, seis vitórias, nove empates e dez derrotas, ainda ameaçado pela parte de baixo da tabela, mas com um resultado simbólico fora de casa. No Lyon, o tropeço alimenta debates internos sobre estratégia, montagem do ataque e uso de jovens em cenários de alta cobrança.
A próxima partida amplia a responsabilidade sobre Endrick. Na quinta-feira (12), às 17h (de Brasília), o Lyon visita o Celta de Vigo, no Estadio Abanca Balaídos, pelo jogo de ida das oitavas de final da Europa League. Será a estreia do brasileiro na competição continental, já que ele não pôde ser inscrito na fase de liga por regra do torneio.
A expectativa é que o atacante volte a ser titular e tenha papel central no plano de jogo fora de casa. Cada minuto em campo tende a ser observado como um termômetro de sua capacidade de responder à pressão e sustentar o rótulo de promessa que atravessa fronteiras. A dúvida, para o clube e para o jogador, é se a turbulência atual será apenas uma curva natural de adaptação ou o início de um novo tipo de cobrança permanente em Lyon.
