Streamer zera 27 jogos de Resident Evil em ultramaratona de 55 horas
Às vésperas do lançamento de Resident Evil Requiem, o streamer brasileiro Maxylobes completa uma ultramaratona de 27 jogos da franquia em cerca de 55 horas. O desafio, batizado de “Resident Evil Anthology”, percorre três décadas de história da série e mobiliza a comunidade em torno do novo capítulo.
Maratona em contagem regressiva para Requiem
Pouco antes de março de 2026, quando Resident Evil Requiem chega ao mercado, a rotina de lançamentos é interrompida por uma transmissão incomum. Em vez de análises fragmentadas e reações rápidas, o público acompanha uma imersão contínua na história da franquia da Capcom. Em uma semana de lives, Maxylobes decide revisitar praticamente toda a saga, do primeiro Resident Evil, de 1996, até Village, lançado em 2021.
A proposta parece simples no anúncio, mas o tamanho do projeto logo fica claro. O streamer se compromete a concluir as campanhas principais de 27 jogos, sem conteúdo adicional nem expansões paralelas. O cronômetro registra 54 horas, 53 minutos e 59 segundos de gameplay bruto, somando apenas o tempo efetivo de jogo, distribuído em blocos de transmissão com pausas para descanso e para resolver problemas técnicos inevitáveis em uma maratona dessa escala.
Na live final, após derrotar Mother Miranda em Resident Evil Village, Maxylobes encara a tela de créditos com visível exaustão, mas sem abrir mão de transparência. Ele conta que se atrapalha algumas vezes com o relógio da run e que precisa reiniciar a contagem em certos pontos. Ainda assim, recusa qualquer ajuste posterior. “Não vamos adicionar nem subtrair nada. Esse é o tempo que levou para zerar os 27 jogos”, afirma ao encerrar o projeto.
O recorte inclui praticamente todas as vertentes da série. Passa pelos clássicos de câmera fixa dos anos 90, pelos experimentos em primeira pessoa e pelos remakes recentes que recontam a saga de Raccoon City para um público novo. A lista vai de Resident Evil, Resident Evil 2 e Resident Evil 3 aos spin-offs pouco lembrados, como Gaiden e The Mercenaries 3D, além de títulos como Gun Survivor, Outbreak e Umbrella Corps. Remakes de Resident Evil 2, 3 e 4 entram na fila, assim como Resident Evil 7 e Village, que aproximam a franquia do horror em primeira pessoa.
Comunidade engajada e saga em evidência
A “Resident Evil Anthology” nasce como celebração pessoal, mas rapidamente ultrapassa o círculo de seguidores fiéis do canal. O número de espectadores simultâneos cresce a cada nova etapa, impulsionado por cortes de momentos decisivos que circulam em redes sociais e fóruns dedicados à série. A maratona funciona como maratona de recap: quem se perdeu em algum jogo ou ficou longe da franquia por anos volta a acompanhar os personagens em tempo real, em uma espécie de linha do tempo ao vivo.
O feito também dialoga com a cultura do speedrunning, em que jogadores tentam terminar jogos no menor tempo possível. A diferença aqui está no formato. Em vez de buscar recordes individuais, Maxylobes assume um desafio de resistência, mais próximo de uma ultramaratona esportiva do que de uma corrida curta. O ritmo é calculado para ser sustentável ao longo de sete dias, com pausas programadas e foco em consistência, não apenas em segundos economizados.
Quando alguém sugere que o desafio seja feito sem pausas, em uma única transmissão contínua, o streamer recusa de imediato. Ele reforça que a linha entre dedicação e imprudência fica tênue em projetos de longo prazo. “Ninguém deveria comprometer a própria saúde por algo assim”, comenta em uma das lives, ao explicar a decisão de dividir a run em blocos. A postura ecoa debates recentes sobre burnout entre criadores de conteúdo e pressões de manter a audiência sempre ativa.
Para a comunidade de Resident Evil, a sequência de transmissões funciona como rito de passagem. Fãs mais antigos revisitam jogos como Code Veronica X e os capítulos da fase PlayStation 2, como Resident Evil 4 original e os Chronicles, que recontam trechos da história em formato de tiro sobre trilhos. Jogadores mais novos conhecem pela primeira vez títulos que nunca chegam a plataformas modernas, caso de Gaiden e dos Gun Survivor, que hoje sobrevivem principalmente em vídeos e emuladores.
Hype turbinado e legado em disputa
O impacto prático da maratona aparece em duas frentes principais. De um lado, o nome de Maxylobes se fortalece como referência em conteúdo focado na franquia, ampliando sua base de seguidores e abrindo espaço para parcerias futuras. De outro, a própria Capcom colhe um efeito indireto: o catálogo histórico da série volta a circular nas conversas online justamente quando Resident Evil Requiem estreia nas lojas.
Lives longas e desafiadoras viram também ferramenta de marketing espontâneo. Cada jogo concluído reacende debates sobre design, narrativa e mudanças de rumo da série, que já flerta com ação desenfreada em Resident Evil 6 e retorna ao terror psicológico em Resident Evil 7. A linha do tempo que se desenrola em 54 horas de gameplay lembra o público de que a marca atravessa quase 30 anos, com gerações de fãs que vão do PlayStation original ao PC de hoje.
O formato, apoiado em streaming contínuo e interação direta com o chat, reforça a força da comunidade gamer em movimentar interesse por franquias consolidadas sem grandes campanhas pagas. Comentários ao vivo, piadas internas e reações coletivas a chefes difíceis ajudam a transformar o desafio em evento coletivo, não apenas em uma conquista individual de um speedrunner experiente.
O caso tende a inspirar tentativas semelhantes em outras séries de longa duração, de Final Fantasy a The Legend of Zelda. A diferença estará no equilíbrio entre ambição e responsabilidade. A recusa de Maxylobes em fazer a maratona sem descanso cria um precedente simbólico em um ambiente em que jornadas de 24 horas ainda são tratadas como mérito puro. A discussão sobre limites volta ao centro da conversa.
Depois da ultramaratona, o que vem a seguir
Com Resident Evil Requiem já disponível, a “Resident Evil Anthology” se consolida como um prólogo extraoficial para o nono jogo numerado. Quem acompanha toda a maratona chega ao novo título com o enredo fresco na memória, consciente de como a série evolui desde as mansões estreitas infestadas de zumbis até as aldeias góticas cheias de experimentos biológicos.
O feito não encerra a relação entre Maxylobes e a franquia. A experiência acumulada em 27 campanhas concluídas em sequência tende a alimentar novos conteúdos, análises comparativas e, possivelmente, novos desafios em formatos diferentes. A comunidade, agora reaquecida, cobra respostas: a Capcom vai incorporar esse tipo de maratona em ações oficiais? Outros streamers vão conseguir superar as quase 55 horas registradas nessa primeira grande “antologia” ao vivo? Por enquanto, a única certeza é que a saga de Resident Evil continua rendendo histórias também fora dos jogos.
