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Trump diz que só “motivo muito bom” justificaria tropas dos EUA no Irã

Donald Trump afirma neste sábado (7), a bordo do Air Force One, que só enviará tropas terrestres ao Irã por um “motivo muito bom”. O ex-presidente mantém a estratégia de ataques aéreos e sabotagens contra instalações iranianas, sem presença em solo por enquanto.

EUA intensificam ataques enquanto evitam guerra em solo

A declaração ocorre em meio à escalada da guerra envolvendo Estados Unidos, Irã e Israel, e expõe o limite, ainda flexível, da intervenção americana. Em público, Trump repete que o objetivo central é impedir que Teerã obtenha uma arma nuclear. Em privado, segundo assessores, ele tenta equilibrar pressão militar, impacto econômico e custo político de uma nova guerra aberta no Oriente Médio.

A bordo do avião presidencial, o republicano recusa responder de forma direta se considera iminente o uso de tropas em solo iraniano. “Eu nem quero falar sobre isso agora. Não acho que seja uma pergunta apropriada; sabe, eu não vou respondê-la”, afirma a repórteres que o acompanham. Em seguida, abre uma brecha: “Poderia haver um motivo? Possivelmente, por um motivo muito bom, teria que haver um motivo muito bom”.

Trump descreve a ofensiva atual como uma campanha de desgaste à distância. Ele fala em “ataques aéreos” e “sabotagem” contra instalações ligadas ao programa nuclear e à infraestrutura militar iraniana. “Eu diria que, se algum dia fizéssemos isso, eles estariam tão dizimados que não seriam capazes de lutar em terra”, afirma, ao projetar um eventual cenário de invasão.

Questionado se pretende usar tropas terrestres para garantir o controle sobre o enriquecimento de urânio no país persa, Trump admite que essa opção está sobre a mesa, mas não no curto prazo. “Vamos descobrir. Não conversamos sobre isso. Foi uma aniquilação total. Eles não conseguiram chegar lá. E talvez em algum momento consigamos. Seria ótimo, mas agora estamos apenas dizimando-os, mas ainda não fomos atrás”, diz.

O ex-presidente insiste em apresentar o momento como fase intermediária da campanha militar. “É algo que poderíamos fazer mais tarde. Não faríamos agora”, completa. O recado, dirigido tanto a Teerã quanto ao público interno americano, tenta preservar margem de manobra e evitar assumir, por escrito ou em vídeo, um compromisso definitivo com ou contra uma invasão.

Pressão nuclear, tensão regional e impacto econômico

Parte crucial da narrativa de Trump desde o início da guerra é a promessa de impedir que o Irã produza uma bomba nuclear. Teerã nega a intenção de construir o artefato e sustenta que o programa tem fins civis, mas relatórios de agências internacionais, ao longo da última década, apontam violações de limites de enriquecimento de urânio. Em 2015, um acordo internacional tenta conter o avanço iraniano. Em 2018, Trump retira os EUA do pacto e volta a impor sanções pesadas.

O conflito atual nasce desse impasse e se agrava com ataques cruzados na região. Israel, aliado histórico de Washington, mira depósitos de petróleo e infraestrutura estratégica iraniana, segundo fontes militares. Nas últimas semanas, ataques próximos ao Estreito de Ormuz, por onde passa cerca de 20% do petróleo comercializado no mundo, elevam o risco de interrupções no abastecimento global.

O preço do barril tipo Brent oscila acima de US$ 90 em alguns pregões recentes, impulsionado pelo medo de uma ruptura prolongada na oferta. Cada nova declaração de Trump sobre a possibilidade de ampliar a guerra é monitorada por governos, bancos centrais e grandes empresas de energia. Um conflito prolongado, com tropas americanas em solo iraniano, tende a pressionar ainda mais combustíveis, inflação e juros em várias economias.

Dentro dos Estados Unidos, a perspectiva de outra intervenção de grande porte no Oriente Médio aprofunda divisões políticas. Parlamentares democratas cobram limites claros para a atuação militar e exigem consulta formal ao Congresso em caso de envio de tropas. Parte dos republicanos apoia a linha dura, mas teme desgaste junto ao eleitorado cansado de campanhas longas, como as do Iraque e do Afeganistão, que somam quase duas décadas de presença militar e centenas de bilhões de dólares em custos.

No tabuleiro internacional, países europeus tentam preservar algum espaço para negociação diplomática, temendo uma ruptura definitiva do regime de não proliferação nuclear. Rússia e China exploram o desgaste americano para reforçar sua presença na região, oferecendo apoio político e econômico ao Irã e buscando contratos de energia de longo prazo com descontos agressivos.

Risco de escalada e incerteza sobre próximos passos

Trump evita traçar linhas vermelhas públicas, mas repete que não permitirá que o Irã alcance capacidade nuclear militar. Assessores falam, reservadamente, em uma janela de meses para que a combinação de ataques aéreos, sanções e isolamento diplomático produza resultados concretos. Caso contrário, cresce a pressão de alas militares e de aliados regionais por medidas mais drásticas.

Analistas ouvidos por governos europeus calculam que uma decisão de enviar, por exemplo, 50 mil a 100 mil soldados americanos para o Oriente Médio exigiria mobilização logística em larga escala, voto no Congresso e custo político elevado em ano eleitoral. Esse cenário, por enquanto, permanece hipotético, mas não é descartado pelos formuladores de política externa em Washington nem pelos estrategistas em Teerã.

As próximas semanas devem ser marcadas por novos ataques pontuais a alvos militares iranianos, reforço de sanções financeiras e pressão nos bastidores por alguma abertura de diálogo. Em público, Trump insiste no tom de força e evita qualquer sinal de recuo, enquanto líderes iranianos prometem responder “na mesma moeda” a cada ação americana ou israelense.

Entre o discurso de “aniquilação total” e a cautela diante de uma guerra em solo estrangeiro, a Casa Branca precisa definir até onde está disposta a ir para travar o programa nuclear iraniano. A resposta, quando vier, tende a redesenhar não só o equilíbrio de poder no Oriente Médio, mas também o papel dos Estados Unidos na segurança global nas próximas décadas.

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