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Rayssa Leal avança à final do Mundial de Skate Street em SP

Rayssa Leal, 18, garante neste sábado (7) vaga na final do Mundial de Skate Street, em São Paulo, após apresentação segura e de alto nível na semifinal. A maranhense soma 142,52 pontos no Parque Cândido Portinari e termina a fase em segundo lugar, atrás apenas da japonesa Coco Yoshizawa.

Controle nas manobras e campeonato sob chuva

O público que lota as arquibancadas no Parque Cândido Portinari sente logo nas primeiras voltas que Rayssa entra na pista para controlar o jogo. A chuva forte que atinge São Paulo atrasa o início das baterias por vários minutos, deixa o clima de tensão no ar e aumenta o peso de cada aterrissagem. Quando o chão seca, a brasileira responde com uma das apresentações mais consistentes do dia.

Rayssa abre a segunda bateria das semifinais com uma volta limpa, sem quedas, e manobras encaixadas com precisão. O controle se mantém na segunda volta, ainda mais sólida. O desempenho rende 67,24 pontos, nota que praticamente carimba a vaga na decisão de domingo (8). Nas manobras individuais, a medalhista olímpica mantém o padrão, arranca gritos da torcida a cada acerto e leva seu somatório total a 142,52.

O topo da classificação parece garantido até a última tentativa de Coco Yoshizawa. A japonesa acerta a manobra final mais forte da bateria, vira o placar e fecha a semifinal com 146,07 pontos. Rayssa cai para a segunda posição, mas confirma a presença entre as oito melhores do mundo que voltam à pista na final.

A vaga coroa uma virada em relação à fase anterior. Na sexta-feira (6), nas quartas de final, Rayssa avança apenas em quarto lugar, com 55,63 pontos, 2,31 atrás da japonesa Ibuki Matsumoto. O desempenho deste sábado recoloca a brasileira no pelotão das principais candidatas ao título mundial em São Paulo.

O formato da competição exige regularidade e frieza. Dezesseis atletas se apresentam em duas baterias com oito skatistas cada. Cada uma tem duas voltas de 45 segundos e direito a três manobras extras. A organização soma a melhor volta com a melhor manobra para definir a pontuação final. As oito maiores notas avançam à decisão.

Skate brasileiro em alta e pressão das arquibancadas

O sábado começa com frustração para parte da torcida. Na primeira bateria, a paulista Gabi Mazetto erra a volta inicial, marca apenas 25,41 pontos e não consegue reagir. Com 102,22 no agregado, termina em 12º lugar e fica fora da final. A eliminação aumenta a expectativa sobre Rayssa, última brasileira com chance de seguir na disputa.

A resposta vem já na primeira entrada da maranhense, que se impõe com linhas fluidas e aterrissagens seguras. O público acompanha cada tentativa em pé, transforma o Parque Cândido Portinari em arquibancada de estádio e aplaude de pé a atleta. A cada acerto, fica clara a mudança de chave em relação ao início irregular do campeonato.

Aos 18 anos, Rayssa acumula status de estrela global, medalha olímpica e campanhas vitoriosas no circuito, mas ainda persegue o título mundial de street na temporada. A classificação em São Paulo reforça a condição de favorita e mantém a tradição recente do skate feminino brasileiro, que ganha espaço desde a estreia nos Jogos de Tóquio, em 2021.

O desempenho consistente também envia recado para rivais e para os organizadores. Em um campeonato marcado pela instabilidade do tempo, pela pista molhada e pelo risco de interrupções, a brasileira se apoia na segurança das execuções. As notas altas nas voltas e nas manobras mostram que, em dias de pressão, a estratégia de reduzir o erro e priorizar o controle funciona.

O impacto vai além da tabela de classificação. A presença de Rayssa na final ajuda a manter o interesse do público no evento até o último dia, tanto no parque quanto nas transmissões. Nas redes sociais, a skatista costuma mobilizar milhões de seguidores, e cada resultado relevante amplia a vitrine do skate feminino brasileiro para patrocinadores e novas competições internacionais.

Final define título e futuro do skate feminino

A decisão deste domingo (8), também no Parque Cândido Portinari, reúne as oito maiores pontuadoras da semifinal e promete disputa ponto a ponto. Rayssa chega com a segunda melhor nota geral, mas com a confiança de quem termina o sábado em curva ascendente e domina os detalhes da pista construída às margens do rio Pinheiros.

Uma eventual conquista do título mundial em casa tende a elevar ainda mais a visibilidade do skate no Brasil, especialmente entre meninas que começam a praticar a modalidade em praças e pistas públicas. Federações, escolas esportivas e projetos sociais encontram no desempenho da maranhense um argumento concreto para ampliar investimentos e abrir vagas para novas atletas.

A final, porém, não se resume ao simbolismo. O título mexe com premiações, contratos de patrocínio, convites para circuitos fechados e vagas em futuros ciclos olímpicos. O resultado em São Paulo pode influenciar o planejamento de Rayssa e de suas rivais para os próximos anos, com impacto direto no calendário de competições e no desenho das seleções nacionais.

O parque volta a receber público neste domingo com previsão de tempo instável, o que mantém a organização em alerta para novos atrasos. A pista, que hoje testemunha a recuperação de Rayssa na classificação, pode se transformar em palco de um título inédito para o skate brasileiro de street. A resposta vem na mesma base de concreto em que a maranhense, mais uma vez, se equilibra entre a pressão e a chance de fazer história.

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