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Técnico do Flamengo é dono de quinta que produz vinho e azeite em Portugal

Leonardo Jardim, técnico do Flamengo, administra desde 2020 uma quinta de 230 mil m² no norte de Portugal, onde produz vinho e azeite. O investimento revela um lado rural e empreendedor do treinador, que divide a rotina entre o campo de futebol e as vinhas e oliveiras da propriedade.

Da beira do gramado às encostas do norte de Portugal

A cena mais conhecida de Leonardo Jardim ainda é a do treinador à beira do gramado, gesticulando à frente de um time grande. Mas, a cerca de 7.000 quilômetros do Rio de Janeiro, outra imagem ajuda a contar quem é o técnico do Flamengo hoje. Em uma área rural do norte de Portugal, ele acompanha a produção de vinho e azeite em uma quinta que ocupa 230 mil metros quadrados, adquirida em 2020.

A propriedade fica em uma região tradicional de vinhedos e olivais, em um Portugal que pouco aparece nas transmissões de futebol. Ali, o treinador investe em uvas e oliveiras que dão origem a rótulos próprios de vinho e a garrafas de azeite. O projeto começa ainda antes do retorno ao Brasil, como uma forma de fixar raízes no país de origem e diversificar o patrimônio fora dos contratos esportivos.

Jardim se envolve na gestão do negócio, ainda que à distância quando a temporada aperta. Ele acompanha relatórios de produção, cronograma de colheita e decisões sobre vendas diretas e parcerias locais. “O futebol é intenso, mas o campo também exige tempo e cuidado”, costuma dizer a pessoas próximas, em referência ao equilíbrio entre o calendário de jogos e o ciclo agrícola.

Negócio rural e imagem pública em transformação

A quinta não é apenas um investimento discreto. A existência da propriedade amplia a imagem pública de Leonardo Jardim, hoje um dos técnicos mais observados do país. Em um momento em que o Flamengo volta a mirar títulos nacionais e continentais, o treinador aparece também como empreendedor ligado a atividades tradicionais de Portugal.

A combinação ajuda a construir um perfil mais complexo do que o de um profissional restrito ao vestiário. Em um mercado em que salários milionários convivem com carreiras instáveis, a escolha por um negócio de ciclo longo, baseado em terra, água e tempo, aponta para planejamento de décadas, não apenas de temporadas. A quinta, com seus 230 mil m², torna-se um ativo de longo prazo e, ao mesmo tempo, uma vitrine de valores associados a origem, trabalho e permanência.

O movimento dialoga com uma tendência mais ampla no esporte, em que técnicos e jogadores buscam atividades paralelas em setores considerados estáveis ou sustentáveis. Vinhos e azeites portugueses, produtos com crescente valor agregado no mercado internacional, surgem como alternativa atraente para quem pode investir a partir de contratos firmados em grandes clubes. No caso de Jardim, a ligação com o norte do país reforça a narrativa de retorno às raízes e de cuidado com o território.

A repercussão entre torcedores tende a ir além da curiosidade. Ao associar sua imagem a uma pequena produção rural, o técnico se distancia da ideia de celebridade desconectada da realidade comum. O cenário de tratores, lagares e tanques de aço inox contrasta com o luxo de centros de treinamento multimilionários, e esse contraste costuma gerar empatia. Para parte da torcida, o técnico que investe em terra e cultivo parece mais próximo de valores como simplicidade e estabilidade.

Entre o futebol, a sustentabilidade e o turismo futuro

A quinta de Leonardo Jardim movimenta uma cadeia que vai além da garrafa de vinho ou do vidro de azeite. O negócio envolve agricultores locais, fornecedores de insumos, enólogos, técnicos agrícolas e pequenas estruturas de logística, num raio de poucos quilômetros em torno da propriedade. Em uma área de 230 mil m², qualquer decisão sobre plantio, irrigação ou colheita influencia diretamente o trabalho de dezenas de pessoas na região.

O potencial de desdobramento inclui ainda o turismo rural. Quinta com produção própria de vinho e azeite costuma atrair visitantes interessados em conhecer o processo, participar de colheitas e degustações e circular por paisagens típicas do interior português. Se decidir abrir a propriedade de forma estruturada ao público, o treinador pode transformar o espaço em vitrine de experiências, reforçando a marca pessoal e ampliando o alcance dos produtos.

A visibilidade que o Flamengo oferece é um ativo difícil de mensurar em números, mas decisivo. Cada jogo transmitido, entrevista coletiva ou reportagem sobre o técnico expõe, de forma direta ou indireta, a existência de um projeto rural ligado ao seu nome. O interesse crescente por consumo consciente e por produtos com origem rastreável encontra, nesse tipo de empreendimento, um argumento adicional de venda.

O futuro da quinta passa pelas próximas decisões de Jardim, dentro e fora de campo. A continuidade no comando do Flamengo pode fortalecer a ponte entre o torcedor brasileiro e um pedaço do norte de Portugal, hoje marcado por uvas, oliveiras e uma narrativa de retorno às origens. A dúvida, para os próximos anos, é até que ponto o treinador conseguirá expandir o negócio sem perder o vínculo pessoal com a terra que escolhe cultivar.

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