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Trump diz que Cuba está “pronta para cair” e mira acordo histórico

Donald Trump afirma que Cuba está prestes a passar por uma transformação política e diz que os Estados Unidos miram um acordo “especial” com o país. A declaração é dada nesta sexta-feira (6), em entrevista por telefone à CNN, e projeta a ilha como próximo foco da Casa Branca após a guerra em curso com o Irã. O presidente indica que vê a queda do regime cubano como questão de tempo e coloca o senador Marco Rubio no centro das negociações.

Casa Branca mira Cuba após escalada com o Irã

Trump fala em tom de inevitabilidade sobre o futuro de Havana. “Cuba vai cair muito em breve”, diz, ao exaltar o que descreve como sucesso militar dos EUA em seu segundo mandato. Ele afirma que o país “quer muito fechar um acordo” e que Washington está “realmente focada nisso agora”, depois de mais de 50 anos de tensão aberta entre os dois governos.

O presidente apresenta a agenda externa em camadas. Primeiro, vencer a guerra com o Irã, conflito que reorganiza prioridades militares e diplomáticas dos Estados Unidos no Oriente Médio. Em seguida, deslocar a atenção para o Caribe, onde a Casa Branca enxerga uma janela rara para redesenhar a relação com o regime cubano, no poder desde a Revolução de 1959. “Cuba está pronta — depois de 50 anos”, afirma.

O cálculo da equipe de Trump combina desgaste interno em Cuba, pressão econômica americana e um cenário regional menos alinhado a Havana. O presidente sustenta que observa a situação há meio século, desde a juventude, e procura se colocar como protagonista de uma inflexão histórica. “Tenho observado isso por 50 anos, e caiu no meu colo por minha causa, caiu, mas, mesmo assim, caiu no meu colo. E estamos indo muito bem”, diz.

Em público, Trump evita detalhes sobre o desenho do acordo desejado. Ele sugere, porém, que o pacote envolve abertura política, garantias para cubanos que vivem no exterior e redefinição de laços econômicos. Um dia antes da entrevista, na Casa Branca, o presidente declara que é apenas uma “questão de tempo” para que cubano-americanos possam voltar ao país de origem, em um sinal de que mudanças internas em Havana são vista como condição para essa volta.

Marco Rubio ganha protagonismo nas negociações

Trump aponta o senador republicano Marco Rubio como peça central da ofensiva diplomática. “Eles querem fechar um acordo, então vou colocar Marco lá e veremos como isso funciona”, afirma, ao se referir ao parlamentar da Flórida, figura influente entre exilados cubanos e voz dura contra o regime. Em outra fala, trata Rubio como secretário de Estado e elogia sua atuação à frente de dossiês sensíveis da política externa.

Rubio já conduz investigações sobre episódios recentes em Cuba, incluindo um tiroteio sob apuração independente dos Estados Unidos. O histórico do senador, filho de cubanos, ajuda a compor a mensagem política de Trump a eleitores latinos na Flórida, estado decisivo em qualquer disputa nacional. Ao entregá-lo o comando do diálogo com Havana, o presidente sinaliza que aposta em um negociador que conhece a comunidade cubano-americana e mantém linha dura com o governo da ilha.

Trump afirma que Rubio está pronto para avançar, mas adota um discurso de prudência pública. “Ele está esperando. Mas ele diz: ‘Vamos terminar este primeiro’”, relata, em referência à guerra com o Irã. O presidente argumenta que não quer abrir várias frentes ao mesmo tempo. “Poderíamos fazer todos ao mesmo tempo, mas coisas ruins acontecem. Se você observar os países ao longo dos anos, verá que, se tudo for feito muito rápido, coisas ruins acontecem. Não vamos deixar que nada de ruim aconteça com este país”, declara.

A fala cria um roteiro claro: encerrar as operações militares no Oriente Médio, consolidar ganhos estratégicos contra Teerã e, em seguida, deslocar capital político e diplomático para o eixo Miami-Havana-Washington. No entorno de Trump, auxiliares tratam a possibilidade de uma “tomada amigável” de Cuba, expressão usada pelo próprio presidente em conversas recentes, como uma transição negociada em vez de ruptura violenta.

Impacto para cubanos, região e aliados de Havana

A aposta em uma mudança rápida em Cuba recoloca a ilha no centro da disputa de influência na América Latina. Um acordo respaldado pela Casa Branca tende a ampliar o poder de barganha dos Estados Unidos em temas como comércio, migração e cooperação em segurança. A Casa Branca mira um cenário em que empresas americanas voltem a operar com mais liberdade no país e em que parte dos cerca de 2 milhões de cubano-americanos tenha caminho aberto para retorno temporário ou definitivo.

Para o regime em Havana, a pressão cresce. Um entendimento direto com Washington pode implicar concessões em áreas antes consideradas intocáveis, como abertura política controlada, espaço maior para imprensa independente e flexibilização de regras econômicas. O governo cubano, que já enfrenta queda de receitas com turismo e remessas, veria a necessidade de equilibrar sobrevivência interna com manutenção de alguma autonomia diante da potência vizinha.

A reconfiguração da relação também afeta aliados tradicionais de Cuba. Países que mantêm cooperação econômica e militar com Havana, como Rússia e parceiros regionais alinhados à esquerda, podem reagir a uma presença americana mais intensa na ilha. Em fóruns multilaterais, de organismos regionais à ONU, a disputa por narrativas sobre soberania, sanções e direitos humanos tende a se acentuar.

No plano migratório, qualquer sinal concreto de flexibilização pode provocar novos fluxos. Cubanos que vivem há décadas nos Estados Unidos observam a perspectiva de retorno com mistura de expectativa e cautela. Um acordo mal calibrado pode incentivar saídas desordenadas da ilha, pressionar fronteiras americanas e reacender debates internos sobre política de acolhimento, endurecida nos últimos anos.

Próximos passos e incertezas no tabuleiro de Havana

As declarações de Trump abrem uma fase de especulação intensa sobre o cronograma para Cuba. O próprio presidente admite que “tem bastante tempo”, mas insiste que a ilha “está pronta” para mudar. A estratégia, por ora, é manter o foco público na guerra com o Irã, enquanto auxiliares definem até onde vão as concessões exigidas de Havana e quais garantias Washington oferece em contrapartida.

A ausência de detalhes concretos sobre formato, prazos e condições do acordo mantém líderes cubanos, exilados e governos aliados em estado de alerta. A história recente mostra que movimentos súbitos na política externa americana, sobretudo em ano de forte agenda interna, podem tanto produzir viradas históricas quanto recuos de última hora. Resta saber se a “queda” anunciada por Trump será uma transição negociada, com abertura gradual e retorno seguro de cubano-americanos, ou apenas mais um capítulo de promessas que não atravessam a fronteira entre discurso e realidade.

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