Ultimas

Prédio com lar de idosos desaba em BH e deixa ao menos um morto

Um prédio de três andares que abrigava um lar de idosos, uma residência e uma academia desaba na madrugada desta quinta-feira (5) no Bairro Jardim Vitória, na Região Nordeste de Belo Horizonte. Mais de 20 pessoas estão no imóvel no momento do colapso e ao menos uma morte é confirmada. Equipes de resgate correm contra o tempo para localizar sobreviventes sob os escombros.

Resgate em curso e bairro paralisado

O silêncio da madrugada na Rua do Jardim Vitória termina por volta das 2h, quando um estrondo desperta moradores em um raio de várias quadras. O imóvel onde funcionava a Casa de Repouso Pró-Vida, a residência do proprietário e uma academia de ginástica, além de um estúdio de bronzeamento no térreo, desaba de forma repentina. Não chove na hora do acidente e não há encostas próximas, o que aumenta a perplexidade de quem vive na região.

Vizinhos acordam com o barulho e, em poucos minutos, o cenário típico de um bairro residencial se transforma em área de desastre. “Não estranhei o barulho na hora, mas meus cachorros começaram a latir sem parar”, conta o motorista Washington Pereira, 45, que mora a cerca de cinco casas do local. “Depois começaram a chegar viaturas e fiquei sabendo que era algo grave. Não tive coragem de ir lá ver.”

De acordo com o Corpo de Bombeiros, mais de 20 pessoas estão no prédio no momento do desabamento. Nove conseguem escapar por conta própria, entre elas funcionários e moradores. Outras cinco vítimas são resgatadas com vida e levadas para o Hospital Metropolitano Odilon Behrens, na Região Noroeste da capital. A maioria é de idosos atendidos no abrigo.

As primeiras horas de trabalho são dedicadas a localizar vozes e sinais de vida sob as lajes quebradas. Bombeiros utilizam cães farejadores, equipamentos de escoramento e ferramentas de corte. A corporação estima que até 20 pessoas possam permanecer soterradas. Pelo menos uma morte é confirmada no local.

Tragédia em imóvel multifuncional levanta dúvidas sobre segurança

A rotina da Casa de Repouso Pró-Vida, que atende idosos em regime de acolhimento, se mistura à vida doméstica da família do proprietário no segundo andar e à movimentação da academia no terceiro. O padrão, cada vez mais comum em áreas adensadas de Belo Horizonte, concentra serviços diversos em uma mesma estrutura. O desabamento expõe, de forma brutal, os riscos de imóveis multifuncionais quando algo foge ao previsto.

Moradores relatam que o prédio não apresenta sinais visíveis de abandono ou rachaduras importantes. “Estrutura era boa, as vigas bem feitas e firmes. Não sei como essa casa caiu do nada”, afirma o comerciante Wagner Luiz, 37, que conhece os donos do negócio. Segundo ele, o proprietário, identificado como Renato, está entre os feridos levados ao Odilon Behrens. O filho, conhecido como Renatinho, permanece desaparecido sob os escombros.

A Guarda Municipal informa que o colapso ocorre por volta das 2h, em uma madrugada sem chuva e sem registro de ventos fortes. O prédio também não fica encostado em barrancos ou taludes, afastando, em um primeiro momento, a hipótese de deslizamento de terra. As causas do desabamento ainda são desconhecidas e serão alvo de perícia.

Especialistas em engenharia ouvidos por autoridades devem avaliar, nas próximas horas, o tipo de fundação, o histórico de reformas e a carga suportada pela estrutura. Imóveis com uso misto, que concentram atividades comerciais e residenciais, estão sujeitos a alterações internas ao longo do tempo, como abertura de vãos, inclusão de equipamentos pesados e adaptações elétricas e hidráulicas. Quando feitas sem projeto adequado e sem fiscalização, essas mudanças podem comprometer a estabilidade do prédio.

O episódio reacende o debate sobre a fiscalização de lares de idosos e de imóveis adaptados para abrigar múltiplos serviços em áreas urbanas. A cidade registra, nos últimos anos, uma proliferação de pequenas casas de repouso em bairros residenciais, muitas delas instaladas em estruturas originalmente pensadas para uso exclusivamente doméstico.

Impacto humano e pressão por respostas rápidas

Enquanto cerca de 15 viaturas do Corpo de Bombeiros, além de equipes do Samu e da Polícia Militar, se revezam nos trabalhos, a rua é totalmente interditada. Familiares de idosos atendidos na Pró-Vida chegam em seguida, muitos ainda de pijama, em busca de nomes, listas e qualquer informação. A cada movimento mais intenso de bombeiros, olhares se voltam para a área isolada, em silêncio tenso.

Os feridos resgatados com vida são encaminhados ao Hospital Odilon Behrens, referência no atendimento de trauma na capital. O fluxo de parentes se desloca também para a porta da unidade, em busca de notícias sobre o estado de saúde das vítimas. Profissionais de saúde lidam, ao mesmo tempo, com o tratamento emergencial e com a necessidade de orientar famílias abaladas.

O impacto se espalha pelo bairro, que amanhece tomado por sirenes, luzes intermitentes e equipes de imprensa. Muitos moradores relatam noite em claro, incapazes de voltar a dormir após o estrondo e a movimentação de viaturas. A sensação de vulnerabilidade é ampliada pelo fato de a tragédia atingir idosos, grupo que depende de cuidado constante e que, em teoria, deveria estar em ambiente seguro.

Autoridades municipais e estaduais acompanham o caso à distância, à espera dos primeiros laudos técnicos e da consolidação do número de vítimas. A tragédia pressiona o poder público a dar respostas rápidas sobre fiscalização, regularização de lares de idosos e condições estruturais de prédios que recebem atividades comerciais em regiões residenciais.

O episódio ocorre em um momento em que desabamentos relacionados a chuvas fortes e encostas frágeis voltam a chamar atenção em cidades de Minas, como Ubá e Juiz de Fora. Em Belo Horizonte, porém, o colapso de um prédio em noite seca, sem sinais aparentes de risco geológico, adiciona uma camada de incerteza sobre a segurança predial em contextos distintos.

Investigações, perícia e o que vem pela frente

As buscas entre os escombros seguem ao longo da manhã desta quinta-feira, com previsão de se estenderem por todo o dia. Cada laje removida é planejada para evitar novos desmoronamentos e preservar eventuais bolsões de ar, onde vítimas ainda podem estar vivas. O tempo é um fator decisivo e orienta a estratégia das equipes.

Após a fase de resgate, a Polícia Civil deve abrir inquérito para apurar as causas do desabamento. Peritos vão analisar projetos, histórico do imóvel, eventuais reformas, licenças e a situação de funcionamento da Casa de Repouso Pró-Vida. A prefeitura será cobrada a informar se o prédio tinha alvará atualizado, laudo estrutural recente e autorização específica para abrigar idosos e atividades como academia e bronzeamento.

O caso tende a reacender discussões na Câmara Municipal e na Assembleia Legislativa sobre regras de segurança para estabelecimentos que atendem população idosa. A expectativa é que entidades de engenharia e de defesa do consumidor também se manifestem, cobrando padrões mais rígidos de manutenção e inspeção periódica em estruturas com uso misto.

Famílias de vítimas e moradores do bairro, por sua vez, devem cobrar responsabilização de proprietários e do poder público, dependendo do que indicar a perícia. Mesmo antes de qualquer conclusão oficial, a imagem do prédio reduzido a entulho já provoca uma pergunta inevitável entre quem observa os trabalhos de resgate: quantas outras construções semelhantes podem estar à beira do limite sem que ninguém perceba?

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *