EUA monitoram possível sucessão de Mojtaba Khamenei no Irã em meio a ataques
Agências de inteligência dos Estados Unidos monitoram, em março de 2026, relatos que apontam Mojtaba Khamenei como provável novo líder supremo do Irã, após a morte do aiatolá Ali Khamenei. A disputa pela sucessão ocorre enquanto o país reage militarmente a ataques dos EUA e de Israel no Oriente Médio.
Sucessão em meio a retaliações e incerteza
A morte de Ali Khamenei, confirmada pela mídia estatal iraniana após bombardeios norte-americanos e israelenses, abre a segunda sucessão na história da República Islâmica desde 1979. O vácuo de poder surge enquanto mísseis e drones iranianos atingem bases dos Estados Unidos em Emirados Árabes Unidos, Catar, Bahrein, Kuwait, Jordânia e Iraque, escalando uma crise que já dura dias.
Em Washington, a Casa Branca admite que ainda não tem clareza sobre quem assume o posto mais poderoso do regime iraniano. “Nós também vimos esses relatos, é claro, e isso é algo que nossas agências de inteligência estão monitorando e analisando de perto. A verdade é que teremos que esperar para ver”, diz a secretária de imprensa Karoline Leavitt a repórteres.
Mojtaba Khamenei, 55 anos, filho do líder morto, aparece como favorito em análises preliminares de especialistas e diplomatas. Ele não ocupa cargos oficiais de alto escalão, mas há anos exerce influência discreta sobre o aparato de segurança e sobre a Guarda Revolucionária, a força de elite do regime. A eventual ascensão de um herdeiro direto quebraria, na prática, o discurso de que o líder supremo é escolhido por mérito religioso e político, e não por laços familiares.
A sucessão volta a expor a opacidade das estruturas de poder em Teerã. Quando o aiatolá Ruhollah Khomeini morre, em 1989, o então presidente Ali Khamenei é escolhido em poucas horas pela Assembleia de Especialistas, colegiado de clérigos encarregado de definir o líder supremo. Trinta e sete anos depois, o país enfrenta a mesma encruzilhada, mas em um cenário muito mais explosivo, com ataques cruzados e ameaças públicas de ampliação da guerra.
Impacto regional e risco de nova escalada
O confronto atual começa em 28 de março, quando Estados Unidos e Israel lançam uma onda de ataques contra alvos militares e nucleares iranianos. Os países justificam a ofensiva como resposta ao avanço do programa atômico iraniano e ao apoio de Teerã a grupos armados na região. Em menos de 48 horas, o Irã reage com mísseis contra instalações que abrigam tropas norte-americanas no Golfo Pérsico e no Iraque, atingindo ao menos seis países aliados de Washington.
No domingo seguinte, a televisão estatal iraniana anuncia que Ali Khamenei está entre as vítimas dos bombardeios. Pouco depois, o presidente Masoud Pezeshkian promete a “ofensiva mais pesada” da história da República Islâmica e define a vingança contra Israel e Estados Unidos como “direito e dever legítimo”. A declaração sinaliza que o governo pretende manter a linha dura, mesmo diante do choque político interno provocado pela morte do líder supremo.
Do lado norte-americano, o ex-presidente Donald Trump responde em tom de ameaça. “É melhor que eles não façam isso, porque se fizerem, nós os atingiremos com uma força nunca antes vista”, afirma. Na véspera, ele já havia prometido ataques “ininterruptos durante toda a semana ou pelo tempo que for necessário para alcançarmos nosso objetivo de paz em todo o Oriente Médio e, de fato, no mundo”.
Analistas veem nesse cruzamento de promessas de vingança um risco concreto de escalada rápida. Cada novo ataque alimenta a pressão por uma resposta ainda mais dura, tanto em Teerã quanto em Washington e em Jerusalém. Bases norte-americanas no Golfo operam em alerta máximo, enquanto governos da região revisam planos de evacuação de civis e reforçam defesas aéreas. A possibilidade de erro de cálculo, ou de um ataque mais letal, aumenta a cada dia.
Os mercados acompanham o avanço das hostilidades. O preço do barril de petróleo tipo Brent sobe em poucos dias e se aproxima de marcas vistas apenas em momentos de choque, pressionando projeções de inflação em economias importadoras. Companhias aéreas redirecionam rotas para evitar o espaço aéreo iraniano e de países vizinhos, alongando viagens e elevando custos. Grandes empresas de logística revêm operações em portos do Golfo, em meio ao temor de ataques a navios mercantes.
Próximos passos e o cálculo das potências
A disputa pela sucessão definirá o tom do Irã para além da crise imediata. Caso Mojtaba Khamenei consolide o comando, tende a preservar a linha ideológica do pai e o peso da Guarda Revolucionária nas decisões estratégicas. Esse cenário indica continuidade no programa nuclear, apoio a grupos aliados na região e pouca abertura a negociações amplas com Estados Unidos e Europa, ao menos no curto prazo.
Se a elite religiosa optar por outro nome, o país pode viver semanas de negociação interna e disputas silenciosas, enquanto as armas continuam falando nas fronteiras. Em qualquer hipótese, agências de inteligência ocidentais e governos árabes buscam sinais concretos: comunicados oficiais, movimentação da Assembleia de Especialistas, aparições públicas de Mojtaba ou de rivais. A Casa Branca insiste na linha de esperar para ver, mas calibra cada declaração para não fechar portas a uma eventual conversa futura.
O desenrolar da crise também coloca em xeque a capacidade de contenção dos aliados americanos na região. Emirados Árabes Unidos, Catar e Bahrein abrigam bases usadas em operações aéreas e de inteligência, e se veem agora expostos a retaliações diretas. Iraque e Jordânia enfrentam a pressão de populações críticas à presença militar dos EUA, ao mesmo tempo em que dependem do apoio de Washington para manter estabilidade interna.
Diplomatas europeus avaliam fórmulas para reduzir a tensão, mas o espaço de manobra é estreito enquanto as bombas caem e o comando supremo iraniano permanece indefinido. Sem um interlocutor claro em Teerã, qualquer tentativa de mediação corre o risco de chegar tarde ou ao endereço errado. A pergunta que se impõe, nas capitais ocidentais e nas ruas de Teerã, é se a escolha do próximo líder supremo será capaz de conter o ciclo de retaliações ou se marcará o início de uma fase ainda mais imprevisível no Oriente Médio.
