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Flamengo inicia 2026 em queda e revive fantasmas esportivos de 2023

O Flamengo inicia 2026 sob desconfiança após repetir um começo de temporada irregular, com cinco derrotas em dez jogos do time titular e vices na Supercopa e na Recopa. O desempenho contrasta com o ano mágico anterior e reacende comparações incômodas com 2023.

Início turbulento expõe contraste com ano anterior

O calendário mal vira e o clube volta a conviver com a palavra crise. Em pouco mais de dois meses, o Flamengo perde decisões nacionais e continentais, vê a performance oscilar e assiste à confiança da torcida se esvair. O roteiro lembra o de três anos atrás, quando um início vacilante contaminou a temporada inteira.

A sequência de cinco derrotas em dez partidas oficiais com a equipe principal, em 2026, pesa mais do que os números sugerem. As quedas acontecem em jogos de peso, valendo taça, e diante de rivais diretos em competições que o clube trata como prioridade esportiva e financeira. No Maracanã e fora dele, o sentimento é de que o time volta a desperdiçar capital técnico e econômico construído em 2025.

Pressão sobe em campo, no vestiário e na direção

Os vices na Supercopa do Brasil e na Recopa Sul-Americana funcionam como gatilho. A diretoria planeja 2026 apoiada em premiações, bilheteria e exposição internacional, mas o projeto já começa sob revisão. O peso simbólico das derrotas, em jogos únicos ou decisões em dois confrontos, interfere no ambiente antes mesmo do início das fases mais duras da Libertadores e do Brasileiro.

Nos bastidores, conselheiros e dirigentes admitem preocupação com a queda de desempenho. Um integrante da alta cúpula resume o clima em conversas reservadas: “O torcedor cobra porque sabe o tamanho do elenco. Ninguém aqui considera aceitável perder duas taças em sequência”. A frase ecoa a leitura de parte da arquibancada, que enxerga um time caro, mas irregular.

O elenco sente o impacto. Jogadores experientes passam a ser alvo de vaias a cada erro simples. Jovens da base, que vivem a primeira grande pressão no profissional, tentam se proteger. A comissão técnica busca respostas rápidas: ajustes táticos, mudanças de sistema, alterações de escalação. A sensação é de urgência permanente em fevereiro, mês em que, em tese, a equipe ainda deveria estar em construção.

O fantasma de 2023 ronda o Ninho do Urubu. Naquele ano, o Flamengo perde três decisões em sequência e se arrasta por toda a temporada. O clube reage com trocas de técnicos, reformas de elenco e mudanças no departamento de futebol, mas custa a encontrar estabilidade. Em 2025, a combinação de acertos em contratações, preparação física e gestão de vestiário devolve competitividade. O torcedor chega a 2026 esperando continuidade. Recebe, por enquanto, repetição dos erros que imaginava superados.

Resultados negativos cobram preço esportivo e financeiro

O impacto imediato aparece na tabela e no caixa. Ao perder a Supercopa, o Flamengo deixa escapar uma premiação relevante e um troféu que conta pontos na disputa por protagonismo nacional. Na Recopa, a queda diante do campeão da Sul-Americana reduz o peso internacional da marca e retira do clube a chance de somar mais uma taça continental em curto intervalo de tempo.

O efeito esportivo se mistura à percepção do mercado. Empresários e agentes observam um clube que oscila, mesmo com orçamento entre os maiores do continente. Jogadores em fim de contrato avaliam se o projeto esportivo permanece atraente. Patrocinadores medem exposição em finais perdidas e a repercussão negativa nas redes. A cada derrota em jogo decisivo, a narrativa de potência incontestável cede espaço a perguntas sobre planejamento.

A torcida ocupa o centro dessa cobrança. Em entrevistas na saída do estádio, o tom é de impaciência. “Ninguém esquece o que o time fez em 2025, mas isso não dá salvo-conduto”, diz um torcedor que acompanha o clube há mais de 30 anos. Nas redes sociais, pedidos por mudanças ganham volume. O alvo não é apenas a comissão técnica. A direção de futebol e o presidente também entram na linha de frente.

Os departamentos internos passam a ser vasculhados. A preparação física é questionada diante da queda de intensidade no segundo tempo de partidas decisivas. Analistas de desempenho são cobrados por soluções mais rápidas contra rivais que estudam o Flamengo em detalhes. O planejamento de pré-temporada, com amistosos, viagens e minutagem de titulares, volta à pauta em reuniões que se tornam quase diárias.

Clube encara encruzilhada e risco de efeito cascata na temporada

A direção avalia cenários. Uma mudança na comissão técnica, neste momento, não está descartada. A experiência de 2023 pesa. Trocas em série desorganizam o trabalho, mas a inércia também cobra preço. Nomes de treinadores com passagem recente pelo futebol brasileiro voltam a circular em grupos de mensagem de conselheiros e em programas esportivos, mesmo sem qualquer sinal público de negociação.

O elenco também entra no radar para ajustes. Jogadores com salários altos e pouco protagonismo podem ser oferecidos ao mercado em janelas futuras. A busca por reforços pontuais, sobretudo em setores onde o desempenho cai de forma mais visível, ganha força. A diretoria de futebol sabe que cada contratação errada pesa nas contas e no campo. A margem de erro, depois de um início tão exposto, fica menor.

A temporada ainda oferece margem para recuperação. O Campeonato Brasileiro se estende até dezembro, a Libertadores está em fase inicial e a Copa do Brasil só entra no estágio mais duro no meio do ano. Um mês de alta performance pode reescrever o clima. O risco, no entanto, é o de um efeito cascata: nova derrota em confronto mata-mata ou sequência de tropeços em casa pode cristalizar a ideia de que 2026 repete o roteiro de 2023.

O Flamengo entra nos próximos jogos sob exame constante. A resposta em campo, mais do que discursos de vestiário ou entrevistas de dirigentes, dirá se o clube apenas tropeça em janeiro e fevereiro ou se vive o prólogo de outra temporada perdida. A pergunta que ecoa nas arquibancadas e nas salas de reunião é direta: o time de 2026 consegue reencontrar, em tempo, a consistência que fez de 2025 um ano tão distante da realidade atual?

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