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EUA autorizam saída de pessoal não essencial de embaixada em Israel

Os Estados Unidos autorizam, nesta sexta-feira (27), a saída de funcionários não essenciais e familiares da embaixada em Israel, citando “riscos de segurança”. A orientação é que deixem o país enquanto ainda houver voos comerciais disponíveis.

Escalada militar pressiona diplomacia na região

A decisão ocorre em meio à maior mobilização militar americana no Oriente Médio em décadas e aumenta a sensação de que a região entra em uma fase mais instável. Washington ameaça atacar o Irã se as negociações em curso não resultarem em um acordo, enquanto reforça sua presença naval e aérea próximo ao território israelense.

No centro dessa estratégia está o USS Gerald R. Ford, maior porta-aviões do mundo, cuja chegada à costa norte de Israel está prevista para esta sexta-feira. A embarcação, com capacidade para mais de 4,500 militares e dezenas de aeronaves de combate, se torna símbolo visível da pressão militar exercida sobre Teerã.

A ordem de retirada e o clima na embaixada

Em comunicado publicado em seu site oficial, a embaixada dos EUA em Israel registra a mudança de postura de forma direta. “Em 27 de fevereiro de 2026, o Departamento de Estado autorizou a saída de funcionários americanos não essenciais e familiares de funcionários do governo americano (…) devido a riscos de segurança”, informa o texto. Na mesma nota, a representação diplomática recomenda que americanos deixem o país enquanto ainda existirem voos comerciais.

O alerta público é reforçado por mensagens internas. Segundo o jornal The New York Times, o embaixador dos EUA em Israel, Mike Huckabee, envia um e-mail ao corpo diplomático nesta sexta-feira determinando rapidez máxima. Qualquer pessoa que desejasse deixar o país deveria, segundo ele, “fazê-lo HOJE”. O embaixador instrui sua equipe a buscar passagens para qualquer destino que permita conexão posterior para Washington e insiste que a “prioridade absoluta é deixar o país rapidamente”.

O movimento em Israel replica decisões recentes em outros pontos sensíveis da região. Em Beirute, capital do Líbano, Washington também ordena a retirada de pessoal não essencial de sua embaixada, num mapeamento claro de áreas consideradas mais vulneráveis a uma escalada militar ou ataques indiretos ligados à disputa com o Irã.

Pressão sobre o Irã e risco de erro de cálculo

A retirada parcial de diplomatas ocorre enquanto EUA e Irã mantêm negociações na Suíça sob forte pressão militar e verbal. O presidente Donald Trump, que no ano passado ordena bombardeios contra alvos iranianos, volta a ameaçar novas ações caso Teerã rejeite um entendimento. O impasse gira em torno de programas militares e nucleares iranianos e do alcance de futuras sanções econômicas.

De Teerã, a resposta mistura cautela e recado político. O ministro das Relações Exteriores iraniano afirma nesta sexta-feira que, para se chegar a um entendimento, é preciso “evitar quaisquer erros de cálculo e exigências excessivas”. A frase resume o temor de uma escalada involuntária, em que um movimento mal interpretado, um ataque pontual ou um erro de inteligência desencadeariam um confronto mais amplo.

Nos bastidores, diplomatas veem a saída de familiares e de pessoal não essencial como um sinal calculado. A medida permite reduzir riscos humanos e políticos em caso de crise repentina, sem fechar a embaixada nem romper canais formais de comunicação com Israel. Ao mesmo tempo, envia ao Irã e a aliados regionais a mensagem de que Washington leva a sério a possibilidade de deterioração rápida do cenário.

Impacto imediato e efeito cascata

Para os funcionários americanos em Israel, a autorização de saída muda a rotina em questão de horas. Famílias organizam malas, revisam documentos, buscam voos com decolagem ainda nesta sexta-feira e calculam rotas alternativas via Europa ou outros hubs do Oriente Médio. A recomendação de embarcar enquanto houver voos comerciais indica que Washington considera um cenário em que companhias aéreas suspendam operações ou reduzam frequências em questão de dias.

A medida tende a influenciar outros países que mantêm representação diplomática em Israel e na região. Governos europeus e aliados da Otan monitoram os passos americanos e podem revisar seus próprios planos de contingência. Qualquer sinal de fechamento parcial de embaixadas ou retirada de dependentes costuma ser interpretado por empresas e organizações internacionais como alerta antecipado para riscos maiores.

Investidores acompanham com atenção movimentos desse tipo, que costumam pressionar preços do petróleo e ativos ligados ao setor de energia. Uma escalada entre EUA e Irã envolve rotas estratégicas como o Estreito de Ormuz, por onde passa cerca de um quinto do petróleo comercializado no mundo. O envio do USS Gerald R. Ford para perto de Israel reforça a percepção de que Washington está disposto a projetar poder além da retórica.

O que está em jogo e os próximos passos

A aposta americana combina diplomacia e demonstração de força num equilíbrio delicado. Ao mesmo tempo em que mantém a mesa de negociações na Suíça, a Casa Branca sinaliza que não descarta uma ação militar, seja pontual, seja mais ampla. A retirada do pessoal não essencial em Israel e no Líbano entra nesse tabuleiro como peça de proteção e de pressão.

Nas próximas semanas, o curso dos acontecimentos depende de três variáveis principais: a capacidade de EUA e Irã de encontrarem um texto comum para um acordo, o comportamento de grupos aliados a Teerã na região e a reação do governo israelense à presença reforçada de meios militares americanos em seu entorno. A dúvida que permanece é se os sinais enviados hoje ainda funcionam como barreira para a guerra ou se já são, na prática, preparação para um conflito que muitos tentam evitar.

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