Ultimas

Alcolumbre manda revisar voto da CPI que quebrou sigilo de Lulinha

O presidente do Senado, Davi Alcolumbre, manda fazer uma análise detalhada da votação da CPI que quebrou o sigilo bancário e fiscal de Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha. A decisão é tomada nesta sexta-feira, 27 de fevereiro de 2026, em Brasília, e pode levar à confirmação ou à anulação do ato da comissão.

Pressão sobre o comando do Senado

Alcolumbre reage a questionamentos internos sobre a forma como a CPI aprova, em sessão tensa, o pedido de quebra de sigilo de Lulinha. Senadores contrários à medida alegam falhas de procedimento, falhas de verificação de quorum e atropelo do regimento. Aliados da CPI cobram agilidade para garantir o acesso aos dados bancários e fiscais do filho do presidente Luiz Inácio Lula da Silva.

O presidente do Senado determina que sua assessoria técnica reúna imagens da sessão, atas, relatórios e a íntegra do regimento interno. A equipe passa a checar passo a passo a condução da votação, desde o anúncio da pauta até o encerramento, para saber se houve respeito às regras básicas: presença mínima, debate prévio e registro de votos. O objetivo declarado é simples e direto, segundo interlocutores: “ou se confirma o ato, ou se anula e refaz”, resume um senador envolvido nas negociações.

Legalidade em disputa e efeito sobre a CPI

A decisão de submeter a votação a um raio-X jurídico ocorre em um momento em que a CPI depende, justamente, do acesso a dados sigilosos para avançar. A quebra de sigilo costuma ser uma das ferramentas mais poderosas de uma comissão de investigação porque permite seguir o rastro do dinheiro, cruzar operações, identificar transferências atípicas e reunir elementos que, mais tarde, podem sustentar ações do Ministério Público e da Justiça. Sem esse instrumento, o ritmo dos trabalhos desacelera.

Se a análise concluir que a deliberação é irregular, Alcolumbre pode anular o resultado. Nesse cenário, a CPI teria de repetir a votação, com novas discussões, nova chamada de senadores e atenção redobrada ao rito. Esse recomeço tende a atrasar a investigação em pelo menos algumas semanas, justamente em um momento em que integrantes da comissão falam, nos bastidores, em apresentar um primeiro relatório parcial ainda no primeiro semestre de 2026. “Qualquer atraso agora tem impacto direto no calendário da CPI”, admite um membro da base governista.

Impacto político e disputa de narrativas

A ofensiva para revisar o voto acirra o embate político dentro e fora do Senado. Grupos alinhados ao governo veem na reação de Alcolumbre uma tentativa de blindar a instituição contra acusações futuras de abuso de poder ou perseguição política. Parlamentares da oposição, por outro lado, já falam em manobra para enfraquecer a CPI e proteger o entorno do presidente. Na prática, o gesto do presidente do Senado devolve à arena política um tema até aqui tratado como assunto de ordem interna da comissão.

O debate ganha espaço nas redes sociais e em programas de rádio e TV. Analistas lembram que decisões de quebra de sigilo, em CPIs passadas, já provocaram disputas judiciais duras, com liminares, recursos e idas e vindas no Supremo Tribunal Federal. Em diferentes ocasiões, ministros da Corte reforçaram que comissões parlamentares podem determinar esse tipo de medida, desde que obedeçam ao regimento interno, apresentem justificativa clara e respeitem direitos básicos de defesa. É exatamente nesse ponto que a análise atual se concentra: se houve justificativa formal, se ela foi lida em plenário e se o texto aprovado corresponde ao que foi de fato votado.

Quem ganha, quem perde e o que está em jogo

Para a CPI, a confirmação da votação significaria manter o acesso aos dados de Lulinha, com a expectativa de começar a receber informações de instituições financeiras e da Receita Federal em prazos que variam de 15 a 30 dias. Técnicos ouvidos reservadamente lembram que bancos, em geral, demoram pelo menos duas semanas para compilar extratos completos, identificar operações suspeitas e responder a pedidos volumosos de informação. Qualquer dúvida sobre a validade do requerimento pode levar as instituições a segurar o envio de documentos, à espera de uma decisão final do Senado.

Se a votação cair, o prejuízo é duplo. A comissão perde tempo, e o governo ganha terreno para afirmar que houve “exagero” na condução das investigações. A oposição, por sua vez, deve usar a anulação como prova de que a CPI enfrenta resistência quando chega perto do núcleo político do Planalto. Em um cenário de polarização intensa, o episódio tende a alimentar narrativas opostas: a de que se tenta criminalizar a família de Lula a qualquer custo, e a de que se busca blindá-la de qualquer escrutínio mais rigoroso.

Próximos passos e incertezas

A equipe de Alcolumbre trabalha com a perspectiva de concluir a análise em poucos dias, segundo relatos de senadores próximos ao comando da Casa. O presidente do Senado quer chegar a uma decisão antes da próxima semana de esforço concentrado, quando o plenário deve votar medidas econômicas consideradas prioritárias pelo governo. Uma definição rápida evita que a CPI entre em compasso de espera indefinido e reduz o risco de judicialização imediata.

No horizonte, permanece uma dúvida central: até que ponto o Senado consegue equilibrar a pressão por apurações rigorosas com a obrigação de seguir, à risca, cada linha do regimento interno? A resposta, que passa pela caneta de Davi Alcolumbre nos próximos dias, tende a influenciar não apenas o futuro da CPI, mas também a confiança do público em investigações que envolvem figuras públicas e seus familiares em um ano politicamente sensível.

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *