Paraná Pesquisas mostra empate técnico entre Lula e Flávio em 2026
Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e Flávio Bolsonaro (PL) chegam tecnicamente empatados na disputa presidencial de 2026, segundo pesquisa presencial do instituto Paraná Pesquisas. O levantamento, feito entre 22 e 25 de fevereiro com 2.080 eleitores e margem de erro de 2,2 pontos percentuais, aponta equilíbrio tanto no primeiro quanto no segundo turno.
Cenário de disputa acirrada desde a largada
No principal cenário de primeiro turno, Lula registra 39,6% das intenções de voto, e Flávio Bolsonaro alcança 35,3%. A diferença de 4,3 pontos fica dentro da margem de erro de 2,2 pontos para mais ou para menos, o que coloca os dois em empate técnico e reforça a polarização que marca a política nacional desde 2018.
Os demais nomes aparecem distantes. Ratinho Jr. (PSD), governador do Paraná, soma 7,6%. Romeu Zema (Novo), governador de Minas Gerais, tem 3,8%. Renan Santos (Missão) atinge 1,5%, e Aldo Rebelo (DC) marca 0,5%. Entre os entrevistados, 5% dizem não saber em quem votar, e 6,7% afirmam que pretendem votar em branco, nulo ou rejeitar todos os nomes apresentados.
Um segundo cenário de primeiro turno troca Ratinho Jr. pelo governador de Goiás, Ronaldo Caiado (PSD). Lula sobe ligeiramente e chega a 40,5%, enquanto Flávio Bolsonaro vai a 36,6%. Zema passa a 4,3%, e Caiado aparece com 3,7%, em posições ainda distantes do pelotão principal. A diferença entre Lula e Flávio continua dentro da margem de erro, mantendo o quadro de empate técnico na cabeça da disputa.
A pesquisa está registrada no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) e tem nível de confiança de 95%, porcentual que indica a chance de os resultados refletirem o humor do eleitorado dentro da margem de erro. O desenho da disputa, porém, vai além dos números do dia e expõe um país ainda dividido entre o campo lulista e o bolsonarismo, agora representado pelo filho mais velho do ex-presidente Jair Bolsonaro.
Flávio aparece à frente no segundo turno, mas dentro da margem
Nas simulações de segundo turno, o equilíbrio continua. No confronto direto entre Lula e Flávio Bolsonaro, o senador aparece numericamente à frente, com 44,4% das intenções de voto, contra 43,8% do presidente. A diferença de apenas 0,6 ponto é menor que a margem de erro e, na prática, mantém o cenário de empate técnico.
O desempenho dos dois repete o padrão observado em rodadas anteriores do Paraná Pesquisas, nas quais nenhum dos lados consegue se descolar de forma consistente. O instituto descreve o quadro como uma corrida ponto a ponto, em que movimentos pequenos de opinião podem decidir a eleição nas últimas semanas de campanha.
Em outros cenários testados, Lula enfrenta possíveis adversários do campo de centro-direita e direita. Contra Ratinho Jr., o presidente aparece com 43,6%, diante de 39,7% do governador paranaense, diferença que também se encaixa na margem de erro e é considerada empate técnico. Quando o oponente é Ronaldo Caiado, Lula abre a vantagem mais confortável medida até aqui: 45,3% contra 36,2%. Nesse caso, a distância supera a margem de erro e indica um favoritismo mais nítido do petista.
Os números sugerem que o nome da família Bolsonaro continua sendo o adversário mais competitivo para Lula, mesmo após a derrota de Jair Bolsonaro em 2022 e o desgaste acumulado por investigações e crises políticas. A transferência de capital político para Flávio, senador pelo Rio de Janeiro, opera como tentativa de preservar o espaço eleitoral do bolsonarismo em 2026.
A pesquisa também mede o sentimento do eleitor sobre a reeleição de Lula. Para 52,2% dos entrevistados, o presidente não merece ser reconduzido ao cargo. Outros 43,9% defendem que ele seja reeleito, enquanto 3,9% não sabem ou preferem não opinar. A divisão ajuda a explicar por que o petista lidera numericamente na largada, mas encontra maior resistência quando o cenário se afunila.
Polarização, campanha antecipada e incerteza até 2026
O levantamento confirma que a polarização segue como força central da política brasileira. Lula e Flávio Bolsonaro somam mais de 70% das intenções de voto no primeiro turno e dominam as simulações de segundo turno, deixando pouco espaço para nomes alternativos. A presença de governadores como Ratinho Jr., Zema e Caiado indica tentativas de abertura de uma terceira via, mas, até agora, sem tração suficiente para romper a disputa entre petistas e bolsonaristas.
Em termos práticos, o cenário pressiona os partidos a antecipar decisões. O PT precisa lidar com a combinação de liderança numérica e rejeição elevada ao projeto de reeleição. Já o PL e aliados do bolsonarismo testam a musculatura de Flávio, que carrega o sobrenome do pai, mas ainda não é tão conhecido nacionalmente quanto Jair Bolsonaro. A depender da evolução das investigações que cercam o ex-presidente, o senador pode se consolidar como principal herdeiro político do grupo.
Economia, segurança pública e programas sociais tendem a dominar a campanha, já que a disputa tão apertada obriga os candidatos a falar com o eleitor de centro, que rejeita extremos, mas ainda não se identifica com alternativas fora desse eixo. A parcela de 11,7% que hoje declara voto branco, nulo ou indeciso no principal cenário de primeiro turno pode ser decisiva em 2026, especialmente em estados-chave como São Paulo, Minas Gerais e Rio de Janeiro.
A margem estreita entre os dois líderes também aumenta a importância de debates, do horário eleitoral e de eventos imprevistos até a reta final. Episódios de crise econômica, escândalos de corrupção ou avanços em políticas sociais podem deslocar poucos pontos percentuais, suficientes para definir o resultado em uma eleição tão parelha.
Até aqui, o recado do eleitor é de cautela. Lula mantém força significativa, mas enfrenta fadiga de governo e resistência à reeleição. Flávio Bolsonaro herda um campo mobilizado, porém ainda precisa provar capacidade própria de liderança nacional. O Paraná Pesquisas captura um momento em que o jogo permanece aberto. A disputa real, no entanto, só começa quando campanha e rua se encontram e o país decide se renova a aposta em Lula, transfere o poder ao bolsonarismo novamente ou abre espaço, mais adiante, para um nome que ainda não aparece com força nas pesquisas.
