Ciencia e Tecnologia

Google libera Nano Banana 2, IA de imagens avançada e gratuita

O Google lança nesta quinta-feira (26) o Nano Banana 2, nova versão da sua inteligência artificial para geração de imagens, chamada Gemini 3.1 Flash Image. O modelo, antes restrito a recursos pagos, passa a ser oferecido gratuitamente no app Gemini e em plataformas para desenvolvedores, com foco em mais velocidade, controle criativo e imagens em alta resolução.

Google acelera disputa pela IA de imagens

A decisão marca um movimento agressivo da empresa na corrida pela inteligência artificial generativa. Ao abrir para todos ferramentas que ficavam atrás do paywall, o Google tenta ampliar rapidamente a base de criadores que usam seu ecossistema, de influenciadores que produzem posts diários até equipes de marketing que precisam de campanhas completas em poucas horas.

O lançamento ocorre em 26 de fevereiro de 2026 e é acompanhado de uma mudança importante no próprio app Gemini. O Nano Banana 2 assume o lugar do Nano Banana Pro nas opções Fast, Thinking e Pro, que agora passam a usar o novo modelo como padrão para geração de imagens. Quem abre o aplicativo no celular ou no computador encontra o botão “Criar imagens” e, a partir dele, digita o texto com a descrição da cena desejada.

A estratégia acompanha o movimento de rivais que também barateiam ou zeram o custo de uso de modelos avançados. A diferença, neste caso, está no grau de integração: o Nano Banana 2 chega ao app Gemini, ao Modo IA dentro do aplicativo do Google e aos navegadores para dispositivos móveis e PCs, além de ambientes corporativos como Google AI Studio, API Gemini, Vertex AI e Google Antigravity.

Internamente, o modelo é apresentado como a evolução direta do Nano Banana Pro, mas com foco em entrega mais rápida e flexível. O Google fala em velocidade “impressionante” para descrever o tempo entre o comando do usuário e a imagem final, ponto sensível para quem testa vários prompts até chegar ao resultado ideal.

Mais controle criativo e imagens em até 4K

O Nano Banana 2 se apoia em uma promessa clara: dar ao usuário controle que, até pouco tempo, ficava restrito a softwares de edição complexos. A ferramenta permite escolher proporções variadas e resoluções que vão de 512 pixels até 4K, faixa que atende desde um simples banner vertical até um plano de fundo para telas grandes em ambientes corporativos, lojas ou eventos.

Além do tamanho da imagem, o modelo oferece ajustes finos de luz, textura e nível de detalhe. O usuário pode pedir, por exemplo, uma cena noturna com iluminação suave, superfícies metálicas com reflexos marcados ou tecidos com fibras visíveis, sem abrir mão da nitidez. Esse tipo de controle interessa a designers, ilustradores, agências de publicidade e pequenos empreendedores que dependem de imagens mais profissionais para vender produtos em marketplaces e redes sociais.

O conhecimento de mundo real também é um dos trunfos da nova geração. Alimentado por informações, fotos e vídeos que passam pelo mecanismo de busca, o sistema tenta interpretar melhor contextos específicos, como pontos turísticos, esportes, eventos recentes ou objetos do cotidiano. A promessa é reduzir erros grosseiros de anatomia, perspectiva ou proporções, problemas que ainda aparecem em modelos concorrentes.

Para quem já é assinante dos planos Google AI Pro ou Ultra, o Nano Banana Pro não desaparece. Ele continua disponível para tarefas especializadas e pode ser acionado pelo menu de três pontos no app Gemini. Na prática, o Google separa os papéis: o Nano Banana 2 assume o uso cotidiano e massivo, enquanto o Pro fica reservado a fluxos mais específicos, ligados a projetos exigentes ou integrações customizadas.

No mundo corporativo, o novo modelo estreia como padrão de geração de imagens no Flow, solução da empresa para orquestrar fluxos de IA. Em plataformas como Google AI Studio, API Gemini, Vertex AI e Google Antigravity, desenvolvedores podem encaixar o Nano Banana 2 em sites, aplicativos móveis, ferramentas internas de times de marketing e até sistemas de automação industrial que dependem de visualizações rápidas.

Democratização da IA visual e próximos passos

A liberação gratuita do Nano Banana 2 mexe no equilíbrio de forças do mercado de imagens geradas por IA. Ao remover a barreira de assinatura para o conjunto principal de recursos, o Google mira estudantes, criadores independentes, microempresas e instituições de ensino que antes esbarravam no custo mensal de planos pagos. Em áreas como publicidade, marketing digital e design gráfico, a expectativa é de aumento no volume e na qualidade de peças produzidas em pouco tempo.

Universidades e escolas técnicas podem incorporar o modelo em projetos de comunicação visual e prototipagem sem elevar o orçamento, enquanto agências passam a testar a ferramenta como complemento a bancos de imagem tradicionais. Em ambientes empresariais, a integração com APIs e com o Vertex AI facilita o desenvolvimento de soluções sob medida, como geradores automáticos de thumbnails, capas de relatórios e cenários de realidade aumentada.

O movimento também pressiona concorrentes que cobram por modelos capazes de gerar imagens em alta resolução. A entrada de um modelo gratuito com suporte a até 4K tende a puxar preços para baixo e forçar novos diferenciais, seja em qualidade fotográfica, seja em recursos de edição avançada dentro do próprio gerador.

O avanço, porém, abre discussões sobre uso responsável. Modelos que refletem com mais precisão o mundo real aumentam o risco de montagem convincente de pessoas públicas, produtos e ambientes, o que exige filtros, políticas de uso e mecanismos de detecção cada vez mais robustos. O Google não detalha, neste anúncio, todos os limites e salvaguardas integrados ao Nano Banana 2, mas a pressão regulatória em diferentes países tende a crescer à medida que a adoção se acelera.

O próximo passo da gigante de buscas deve ser aprofundar a integração entre texto, imagem e, possivelmente, vídeo dentro do mesmo ecossistema Gemini. À medida que o Nano Banana 2 se torna presença constante em celulares, navegadores e ferramentas corporativas, a disputa deixa de ser apenas por quem gera a imagem mais bonita e passa a girar em torno de quem oferece o fluxo criativo mais simples, seguro e completo. A resposta do mercado a esse movimento nos próximos meses ajuda a mostrar se a aposta na democratização da IA visual chega na hora certa.

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